João Almeida deixa Jonas Vingegaard sem rivais no Giro
A saúde de João Almeida traiu as ambições do português à primeira vitória numa grande Volta, objetivo assumido nesta edição do Giro, prova a que tinha programado regressar esta temporada para disputar a camisola rosa após quatro participações em que obteve como melhores resultados um quarto (na estreia em 2020) e um terceiro lugar (2023).
No entanto, uma enfermidade acometeu o corredor português logo após a Volta ao Algarve e revelou-se mais complicada do que o previsto, condicionando-o nos treinos ao ponto de primeiramente tê-lo levado a abdicar da participação no Paris-Nice e mais tarde a apresentar-se em sub-rendimento na Volta à Catalunha, onde não foi além da 38.ª posição final.
Apontado como líder único da UAE Emirates neste Giro, João Almeida anunciou, por fim, a ausência da corrida italiana a menos de duas semanas (27 de abril) da partida na Bulgária, esta sexta-feira em Nessebar. Perda importante para a competição, que fica privada de um dos dois principais contendores, a par do estreante Jonas Vingegaard, a reedição do duelo travado na última edição da Vuelta, vencido pelo dinamarquês.
A indisponibilidade de Almeida, a que se acrescenta a do equatoriano Richard Carapaz (EF Education), terceiro classificado em 2025 e vencedor em 2019, devido a recuperação mais prolongada de intervenção cirúrgica para remoção de um quisto perineal, eleva o favoritismo de Vingegaard. O líder da Visma-Lease a Bike, vencedor do Tour (2022 e 2023) e da Vuelta (2025), considerado o segundo melhor corredor de provas por etapas a seguir a Tadej Pogacar, beneficia de uma edição do Giro em que além da tradicional alta montanha, incluindo sete chegadas em alto e desnível acumulado total de 49 mil metros, integra um contrarrelógio invulgarmente longo de 42 quilómetros.
Se vestir a camisola rosa no dia 31 de maio em Roma, Vingegaard torna-se no oitavo corredor da história a conquistar as três grandes Voltas, França, Itália e Espanha, após Jacques Anquetil, Felice Gimondi, Eddy Merckx, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome.
O dinamarquês da Visma-Lease a Bike confessa entusiasmo pela estreia. «É especial, é a primeira vez no Giro, algo pelo que ansiava no último meio ano. Claro que lutarei pela vitória na geral», afirmou, que reforçou a importância do objetivo: «Significa fazer história», declarou o corredor de 29 anos.
Na ausência de João Almeida, Vingegaard deverá ter no jovem italiano Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe) o principal concorrente à maglia rosa. O corredor de 22 anos, sexto no Giro e na Vuelta em 2025, acumula resultados consistentes que sugerem a liderança incontestável da formação alemã, apesar de nesta alinhar o vencedor da edição de 2022, o australiano Jai Hindley. «Quando se é líder, não se pode esconder. No ano passado, ainda era gregário, mas já não sou. Por isso, preciso de estar pronto para lidar com a pressão. Se a equipa está a trabalhar para mim, preciso de corresponder. Não vou para ganhar experiência, já a tenho. Quero perceber até onde posso realmente chegar», assume Pellizzari.
Igualmente entre a elite dos pretendentes ao pódio está Egan Bernal (Netcompany INEOS), vencedor do Giro em 2021 (e do Tour em 2019), antes de ter visto a carreira ameaçada (e ainda afetada) por um grave acidente durante um treino em 2022. Questionado sobre o regresso à corsa rosa, o colombiano mostrou-se cauteloso: «É uma boa pergunta. Penso que nas próximas etapas poderemos ver qual será o Bernal que teremos», disse o corredor de 29 anos, motivado pelo segundo lugar na Volta aos Alpes e o quinto na Liège-Bastogne-Liège, após início de temporada prejudicado por lesão.