Instaurado processo disciplinar por alegados insultos racistas a jogador do Benfica
O processo dos alegados insultos racistas dirigidos a Lucas França, voleibolista do Benfica, durante o jogo com o Sporting de Espinho, foi remetido para o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Voleibol (FPV).
«A parte disciplinar está encaminhada [para o CD] agir em conformidade. São os procedimentos normais», referiu o Diretor Técnico Nacional (DTN) da FPV, Leonel Salgueiro, em declarações à Lusa.
O incidente ocorreu no quarto set do segundo jogo dos quartos de final do play-off. O central de 29 anos, depois de ouvir o insulto, disparou um serviço para fora do campo e, muito irritado, foi direto para o banco de suplentes. Depois disso, ainda se disputaram mais alguns pontos, antes de o encontro ser interrompido e Lucas França pedir aos árbitros para solicitarem aos delegados da Federação Portuguesa de Voleibol e polícia presente no local a identificação do autor do insulto. Bernardo Gomes de Almeida, presidente dos espinhenses, desceu da bancada para a quadra e, pessoalmente, conversou com Lucas França e pediu-lhe desculpa, isto já depois de Rui Moreira, jogador do Espinho, ter falado com os adeptos para serenar os ânimos.
Leonel Salgueiro admitiu ainda não ter memória de uma situação semelhante na modalidade, sublinhando que a interrupção de jogos devido a insultos racistas «não é recorrente, nem normal» no voleibol: «A nossa posição é de que somos terminantemente contra atitudes desta natureza. São comportamentos que não são dignos dos valores do desporto.»
Na sequência do episódio, o Benfica emitiu um comunicado a lamentar o sucedido e a enaltecer a postura dos dirigentes do Espinho na tentativa de resolução imediata do problema, manifestando «a sua total solidariedade com o jogador, bem como com todos os restantes elementos da equipa de voleibol e reiterando o seu compromisso firme na promoção do respeito, da dignidade e dos valores fundamentais do desporto».
Nas redes sociais, Lucas França condenou o ocorrido: «Como atleta, sei muito bem que sou um produto exposto numa vitrine, disponível ao público para entretenimento. E, por estar nessa vitrine, estou sujeito a aplausos e críticas — isso faz parte da minha vida. Porém, quando essas 'críticas' envolvem a cor da pele ou o cabelo, deixam de ser críticas e passam a ser racismo.»