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Inglaterra ficou presa na teia de Carlos Queiroz (crónica)
Ao segundo jogo, Inglaterra desiludiu e a culpa é de Carlos Queiroz, que com mestria montou uma teia da qual os britânicos nunca se conseguiram libertar e dessa forma conquistou um ponto precioso que deixa o Gana perto do apuramento.
O Gana tem um homem no banco que sabe tudo o que uma equipa tem de saber numa fase final de Um Campeonato do Mundo, afinal já é a quinta consecutiva. Da experiência retirou que a formação africana teria de ser um pouco mais conservadora, menos romântica, para travar uma máquina bem oleada e com um Harry Kane que raramente falha uma oportunidade.
Os ingleses atacaram, atacaram, atacaram. O gana resistiu. Resistiu, resistiu. Se a formação europeia tinha muito bola, poucas vezes conseguiu criar verdadeiro perigo e a equipa de Carlos Queiroz ia sentindo-se confortável a entregar a bola ao adversário, só faltava uma permissa importante na estratégia do treinador português, que a equipa conseguisse sair para o contra-ataque… era para isso que tinha três motas no ataque.
Tudo junto, a criação inglesa na primeira parte limitiou-se a cruzamento de Madueke que ninguém apareceu para desviar para a baliza e um remate fortíssimo de Declan Rice a fazer a bola a passar a centímetros da barra. Muito pouco para uma equipa que se assume como candidata ao título que só conquistou uma vez, em 1966.
Dou outro lado, elogios para a forma como o Gana montou uma teia que conteve a armada britânica, mas a crítica a um conjunto que nada fez para chegar ao golo. Poe incrível que pareça. Nos primeiros 45 minutos não houve um único remate enquadrado com a baliza. Pickford e Asare não compraram bilhete, mas limitaram-se a ser espectadores de um jogo que não confirmou o prognóstico de Carlos Queiroz de que seria «um grande espetáculo»
Pedia-se muito mais à duas equipas para a segunda parte. A Inglaterra que transformasse a posse de bola em real domínio. Ao gana que tivesse um pouco mais de ambição e conseguisse ferir a defesa inglesa.
A primeira grande oportunidade acabou mesmo por pertencer ao Gana, aos 50 mintuos, quando Senaya entrou na área pela direita, mas viu o remate desviar num defesa inglês.
O Primeiro remate enquadrado de Inglaterra surgiu aos 57 minutos, mas Gordon não conseguiu melhor do que permitir defesa fácil a Asare.
Thomas Tuchel desesperava e lançou Bukayo Saka e O’Reilly para agitar. Deu alguma agressividade no flanco direito, mas a solidariedade da defesa ganesa foi resolvendo todos os problemas.
Mas aos 80 minutos surge a mais flagrante oportunidade do encontro e foi para o Gana. Fatawu lança Prince Adu, que isolado não consegue finalizar. Guehi teve depois muito perto da marcar um auto-golo, mas a bola travou a trajetória no corpo de Semenya. O Gana tão perto da vitória.
Mais perto ainda ficou Inglaterra: aos 87 minutos O'Reilly remata à barra e Harry Kane faz o que não é seu hábito: a recarga sai muito por cima.
Um hino à resistência do Gana, que celebra um ponto conquistado frente a uma das mais fortes equipas do Mundial.
Nem se deu muito por ele, mas Partey esteve sempre no caminho da bola, não permitindo que ela chegasse em condições aos avançados ingleses. Harry Kane não apareceu e na luta do meio-campo domínio total para uma equipa que fez da solidariedade a sua maior arma.
Entrou apenas aos 68 minutos, mas foi o homem que soube agitar e fazer o que não tinha sido feito; provocar alguns calafrios à defesa do Gana. Não chegou, mas certamente que o jogador do Manchester City conquistou o estatuto de titular para as mais duras batalhas.