Líder do balneário do Vila Nova dá a receita para que a sua equipa possa ter sucesso no reduto do líder
Líder do balneário do Vila Nova dá a receita para que a sua equipa possa ter sucesso no reduto do líder

Hugo Oliveira: «FC Porto? Equipa poderosa e esfomeada, mas o Famalicão...»

Treinador dos minhotos não deixa nada por dizer relativamente ao poderio dos dragões, mas reforça que em Vila Nova há uma forma de estar muito clara e que passa, acima de tudo, por pensar sempre no que está dentro de casa. Só assim, projeta, é possível ter sucesso a cada desafio. Receita para o fim da polémica no futebol português

A 28.ª jornada da Liga oferece ao Famalicão um desafio teoricamente muito exigente, uma vez que os minhotos vão defrontar o FC Porto, no Estádio do Dragão, mas esse cenário, ainda que reconhecido, não belisca minimamente os objetivos do emblema de Vila Nova.

Hugo Oliveira não teve qualquer problema em assumir a magnitude do desafio deste sábado, no anfiteatro portista, mas salientou que a sua equipa encara esta partida como todas as outras: de cabeça bem levantada e com o mesmo foco de sempre. Pela frente está um adversário que, por esta altura, é o mais forte candidato à conquista do título, mas o treinador dos famalicenses dá a cara por um grupo que quer surpreender no palco do líder.

«Acho que vai ser um bom desafio de futebol, com duas equipas que gostam de jogar o seu jogo, mas com objetivos completamente diferentes. Olhando à tabela, vamos jogar em casa do maior candidato ao título, uma equipa que sabe que a cada jogo pode estar mais próximo do seu objetivo, e, como tal, esperamos um jogo muito difícil, diante de uma equipa poderosa e esfomeada como é este FC Porto. Mas isso não invalida que nós olhemos para dentro, como é normal. Olhamos para a nossa forma de jogar, para a nossa forma de viver. E que é corajosa e de olhar para todos os desafios de forma ambiciosa. Vamos ser iguais a nós próprios numa casa que é difícil, contra uma equipa muito boa, mas queremos muito desfrutar deste jogo», começou por dizer, na conferência de Imprensa realizada ao início da tarde desta sexta-feira.

Os reconhecimentos ao conjunto orientado por Francesco Farioli estiveram sempre presentes, mas Hugo Oliveira juntou esse dado com um outro do qual não abdica: o facto de o Famalicão estar sempre de cabeça levantada e com exigência máxima para cada partida. É, reforça o técnico, uma forma de estar.

«É verdade que esta época ainda não conseguimos pontos com as equipas que estão acima de nós na tabela, mas esse é mais um desafio aliciante. Mas não seria diferente caso já tivéssemos ganho pontos às equipas do topo da tabela, era igual. A nossa forma de estar é ambiciosa, corajosa, e vinculativa aos princípios que existem nos corredores deste clube. Não vamos deixar é de ser inteligentes intelectualmente. Claro que vai ser um jogo difícil, com um adversário que tem muito poder e que é favorito. Mas nós olhamos às nossas forças, à nossa organização e capacidade de trabalho, assim como ao talento dos jogadores do Famalicão, e queremos usar as nossas armas», assumiu.

O facto de o FC Porto ter tido vários jogadores ao serviço das suas seleções e de estar perto de voltar a jogar para as competições europeias não retira o sono a Hugo Oliveira. Porque o leque de atletas dá para essa gestão. Mas, mais uma vez, o técnico dos famalicenses prefere concentrar-se no que controla: «Os dados dizem que o FC Porto nunca teve problemas a seguir às paragens. Olhamos para os resultados do FC Porto, nas competições internas e internacionais, e foram sempre fortes no pós-seleções. Os clubes grandes são assim, sempre esfomeados e que lutam por coisas grandes. Porque não têm apenas 11 jogadores, têm muitos jogadores de qualidade, podem escolher e gerir. Esses plantéis são construídos a pensar nisso mesmo, em jogos nacionais e internacionais. Mas a minha preocupação é somente o Famalicão. Trabalhámos muito bem nestas duas semanas, mas preferíamos não ter parado. Gostamos muito de jogar, somos um grupo que gosta muito de competir, somos muito ambiciosos e é assim que chegaremos a este desafio.»

Dias depois de ser oficializada a renovação de contrato, Hugo Oliveira voltou a abordar esta situação e sublinhou a ligação que tem ao clube. Na génese de tudo, diz, está o projeto.

«A minha renovação e a naturalidade com que aconteceu é a demonstração de que o plano está bem definido. Tal como esteve sempre. É um plano contínuo e de passos de desenvolvimento para o futuro. É com isso que eu me identifico no clube. Assim como com as pessoas que lideram o clube, com a visão do presidente e com a essência do proprietário. Acredito que, hoje, o Famalicão é um clube mais preparado do que era quando eu cheguei. Trabalhamos todos nesse sentido. É fundamental também fazermos toda esta ligação com os adeptos, que estão mais próximos do que nunca. A renovação de contrato foi algo perfeitamente natural e a mim deixa-me feliz e orgulhoso. A não ser que aconteça alguma coisa de extraordinário, vou ser o primeiro treinador deste projeto que chega à segunda época até ao fim. Estamos a viver continuidade e paz, e isso traz desenvolvimento e segurança. Os resultados serão uma consequência», comentou.

A finalizar, o treinador do Famalicão foi instado a pronunciar-se sobre as polémicas do futebol português. E Hugo Oliveira colocou o dedo na ferida, fazendo, até, uma comparação com Inglaterra, onde trabalhou durante várias épocas. «Nunca podemos dissociar o futebol da sociedade. No futebol, o que realmente interessa é falar do que é importante. Do golo, do treino, das grandes defesas, dos jogadores… O que nos fez apaixonar pelo futebol foi a arte, o talento, a emoção, o golo. O que sinto é que estamos todos demasiado desatentos sobre o que realmente interessa. Estamos todos demasiado distraídos com o barulho das luzes. Todos devemos defender o jogo e o atleta, falando do que realmente importa. Trabalhamos todos para o mesmo negócio e para o mesmo desporto. Desporto deve ser sinónimo de exemplo para os mais jovens e para a sociedade. Vamos deixar de radicalizar tudo e defender o futebol. Está na hora de falarmos mais dos intérpretes e do jogo. O que senti em relação à mudança de Inglaterra para Portugal leva-me a uma pergunta: quais dos adeptos portugueses conhecem os nomes dos presidentes e dos proprietários dos clubes ingleses? O que interessa é o jogador e o talento. O espetáculo. E depois podemos vender muito melhor este futebol», rematou o técnico dos azuis e brancos de Vila Nova.