Héctor Herrera foi capitão do FC Porto
Héctor Herrera foi capitão do FC Porto - Foto: IMAGO

Herrera sonha terminar carreira no FC Porto: «Falei com Villas-Boas»

Médio mexicano de 36 anos está a jogar na MLS, acaba contrato no final do ano e vê com bons olhos um regresso ao Dragão. Recordou golo ao Benfica, falou duma possível final do Mundial 2026 entre Portugal e México e elogiou Paulinho

O antigo capitão do FC Porto, Héctor Herrera, revelou o desejo de encerrar a sua carreira no clube azul e branco, tendo já abordado o assunto com o presidente André Villas-Boas. A viver em Houston, o médio mexicano partilhou ainda a sua visão sobre a seleção de Portugal, o seu sucessor com a braçadeira, Diogo Costa, e as condições que a equipa das Quinas encontrará no Mundial em entrevista ao programa da Rádio Renascença, Bola Branca.

O jogador do Houston Dynamo, que representou os dragões entre 2013 e 2019, confessou que já manifestou a sua vontade de regressar à Invicta. «Falei com Villas-Boas, ele disse que podíamos falar», afirmou Herrera, abrindo a porta a um possível regresso. «Seria um sonho poder terminar a minha carreira no FC Porto. Foi um clube onde passei muitos anos e passei muito bem. Gosto muito da cidade, do clube, das pessoas. Seria um sonho poder voltar e terminar a minha carreira aí. Quando estive com a equipa em Nova Iorque, no ano passado [no Mundial de Clubes], falei com o André [Villas-Boas] sobre isso. Disse que podíamos falar [risos]. Estou num momento em que ainda tenho contrato, mas seria um tema, poder fechar a carreira no clube de que gosto», contou.

A ligação ao FC Porto permanece forte, considerando-o o clube pelo qual nutre «mais carinho no futebol». O jogador recorda os anos passados na Invicta como «talvez os melhores» da sua carreira, um período de grande crescimento pessoal e profissional. «Foram muitos anos, talvez os melhores anos da minha carreira. Foi onde mais desfrutei do futebol e onde mais cresci como jogador e como pessoa», afirmou, sublinhando que o vínculo com a cidade e o clube «nunca vai terminar».

Entre as memórias mais preciosas está o golo decisivo marcado ao Benfica no Estádio da Luz. «Acho que foi o melhor momento que passei no FC Porto. Foi um momento inesquecível que acho que vou lembrar toda a minha vida», descreveu. A emoção ainda é palpável: «Eu ainda hoje vejo esse vídeo e arrepio-me». Esse golo, que ajudou a garantir o título, foi visto como «uma recompensa por todo o trabalho» e a «cereja no topo do bolo». É um momento que partilha com orgulho, mostrando o vídeo aos filhos como «um bom exemplo».

O antigo atleta continua a acompanhar a Liga portuguesa, vendo os resumos sempre que os horários o permitem, e mantém contacto com amigos no clube. Mostrou-se «muito feliz» pela recente conquista do título, considerando-a merecida. «Jogaram muito bem na maior parte do campeonato. A gente do FC Porto está muito feliz com o que conseguiu», comentou, agradecendo a André Villas-Boas a oportunidade de ter assistido a jogos da equipa em Nova Iorque durante o Mundial de Clubes.

Com 245 jogos, 35 golos e 28 assistências pelo FC Porto, o internacional mexicano, que também possui nacionalidade portuguesa, mantém uma forte ligação ao clube. Sobre o atual capitão, Diogo Costa, Herrera não se mostrou surpreendido com a sua ascensão. «Não fico surpreendido. Ele desde miúdo que mostrava muita qualidade e tinha um grande futuro», elogiou.

Por fim, prestou uma sentida homenagem ao falecido presidente Pinto da Costa, que considerou «o maior ídolo» da história do clube. «Era o maior símbolo do FC Porto, foi uma notícia muito triste para todos nós», lamentou, recordando o bom tratamento que sempre recebeu do histórico dirigente e agradecendo-lhe a oportunidade de ter representado o FC Porto.

Portugal favorito e o dilema numa final com o México

Na mesma entrevista, Herrera considerou Portugal como uma das seleções favoritas à conquista do Mundial. «Pelos jogadores que tem e pelo nome do país, mas principalmente pelos jogadores que tem. Acho que podem fazer um grande Mundial», opinou. Questionado sobre quem apoiaria numa hipotética final entre Portugal e o México, o médio mostrou-se dividido.

«Empate, não? [risos]. Dividia-se a taça», brincou, antes de admitir a dificuldade da escolha. «Agora a sério: acho que seria muito bonito ter uma final entre México e Portugal. Mas eu amo o México, é o meu país. Mas estou muito agradecido a Portugal, gosto muito das pessoas, de tudo o que envolve o país. Os clubes e a seleção, principalmente. Seria uma decisão muito difícil», explicou.

O antigo capitão do FC Porto abordou também a não convocatória do seu ex-colega Paulinho para a seleção portuguesa, um tema recorrente no futebol nacional. «Nós somos muito amigos. Ele é uma pessoa incrível, e como jogador é top. Tem mostrado uma qualidade muito grande no México, fui bicampeão mexicano com ele», elogiou.

Herrera acredita que Paulinho poderia ter tido uma oportunidade na Seleção lusa, mas reconhece a forte concorrência. «Acho que podia ter tido uma oportunidade, mas talvez mais cedo. Mas também é verdade que compete com jogadores que jogam ao mais alto nível, ele próprio falava disso», explicou, acrescentando que o avançado lida com a situação de forma tranquila. «A atitude dele é: 'Se considerarem que estou pronto para jogar na seleção, vou. Vou fazer o meu trabalho'», contou.

Para finalizar, Herrera destacou o apreço que os adeptos mexicanos ganharam por Paulinho. «Ele foi convocado para um jogo particular lá, pela seleção, em março, e quando entrou o estádio todo bateu palmas. Ganhou muito o carinho dos mexicanos», concluiu.

A iniciar sessão com Google...