Carlos Queiroz está no Mundial 2026 pelo Gana e soma uma vitória e um empate em dois jogos
Carlos Queiroz está no Mundial 2026 pelo Gana e soma uma vitória e um empate em dois jogos

CARLOS QUEIROZ

Para quem segue o seu trabalho desde a década de 80 do século passado, o quase milagre até agora conseguido à frente da seleção do Gana não surpreende.

Talvez há três meses Carlos Queiroz pensasse numa tranquila reforma, longe dos holofotes e dos desafios que caracterizaram toda a sua vida profissional. Mas o chamamento do jogo e a dificuldade suplementar de orientar uma seleção africana, com apenas 60 dias de antecedência em relação a mais uma fase final de Mundial falaram mais alto e mais forte para o homem que revolucionou mentalidades no futebol português.

A proposta, simples e ao mesmo tempo profundamente desafiadora, era a de recolocar as Estrelas Negras no mapa, depois de terem falhado a CAN 2025, e integradas num grupo complexo, com Inglaterra e Croácia à cabeça. Ainda nada está ganho (como o próprio Queiroz referiu após o excelente nulo com os ingleses), mas a construção de uma equipa também pode passar por terapias de emergência e estratégias de choque.

Foi o que o treinador português já conseguiu, com quatro pontos em dois jogos e a qualificação para a fase eliminatória do Mundial praticamente garantida.

Recebido em Accra como um Deus do belo jogo, Queiroz reforça, a cada minuto que passa, a gratidão dos ganeses, e continua a mostrar que o conhecimento e o carisma podem ajudar — e muito — a consolidar uma carreira e a empolgar adeptos, dirigentes e jogadores.

GUILLERMO OCHOA

É verdade que os guarda-redes sempre foram, no futebol, os mais resistentes à erosão do tempo e do desgaste, garantindo uma longevidade em média em superior à generalidade dos seus companheiros de campo.

Não é menos verdade que poucos (muito poucos…) chegam a um patamar como o de Guillermo Ochoa. Seis Mundiais, algo de que apenas Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se podem também orgulhar. A história de Ochoa confunde-se com a própria história do futebol mexicano, embora o guarda-redes tenha feito do mundo a sua casa. Até em Portugal jogou, representando o Aves SAD na primeira liga.

A capacidade física e técnica são evidentemente essenciais para a manutenção de um posto tão específico, mas também o caráter e o espírito de equipa. Quando beijou os postes da baliza que defendeu, no estádio Azteca, nos últimos minutos do jogo do seu México frente à Chéquia, Guillermo estava a enviar uma mensagem de esperança a todos os jovens que agora abraçam a difícil especialidade: de resiliência, de paixão pelo jogo, de entrega total e de disponibilidade para, ainda que como suplente, dizer permanentemente sim ao seu país e à sua seleção.

Do Alemanha 2006 às Américas 2026, Ochoa escreveu das mais belas páginas da história do futebol moderno.

TORI PENSO e KATIA GARCIA

Já Stéphanie Frappart (agora chamada pela UEFA para a gestão de arbitragem no velho continente) tinha feito história no Qatar, há três anos e meio. A árbitra francesa estabeleceu patamares de excelência, abolindo guerras de sexos e nivelando-se com os melhores.

Nos Estados Unidos, e depois de uma ascensional e muito segura carreira na vertente feminina do jogo, a nível interno e internacional, Tori Penso apitou nesta fase final do Mundial com a autoridade serena e a capacidade reconhecida de um dos grandes nomes da arbitragem mundial.

Juntemos-lhe Katia Garcia. O nome, para os menos atentos a este setor do futebol, pode passar despercebido, mas é, no México, uma respeitável figura da arbitragem na Liga MX. Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, Garcia junta-se à estado-unidense como representante feminina nas figuras centrais da Team One, neste Mundial.

A capacidade não se mede pelo sexo ou pelos palmos, e a FIFA, na sua componente de exigência máxima aos seus árbitros, tem esse fator bem presente.

Tori Penso e Katia Garcia são, sobretudo, duas árbitras de excelência e dois extraordinários fatores de motivação transversal para quem lhes queira seguir as pisadas. A prova de que os sonhos comandam a vida, e de que o impossível é apenas um pouco mais difícil…

HUGO BROOS

Quando, carinhosamente, dizemos de um treinador é uma velha raposa do futebol mundial, queremos, no fundo, cumprimentá-lo e celebrá-lo. É o que devemos a Hugo Broos, o septuagenário selecionador da África do Sul, que, nos últimos cinco anos, tem conduzido os Bafana Bafana a um crescimento que coloca a seleção nacional masculina sul-africana entre as melhores do continente.

Mas, para quem segue o futebol, não é estranho que o que verdadeiramente importe seja a representação no maior palco do planeta. A fase final do Mundial surge para Hugo Broos como, possivelmente, o último grande desafio de uma carreira longa e trabalhada a pulso.

Com a vitória sobre a Coreia do Sul, os Bafana assinaram um dos mais marcantes e históricos momentos do futebol no seu país, em boa parte responsabilidade de Broos, um belga chegado ao extremo sul de África há vários anos, e responsável pela estruturação de uma verdadeira equipa, baseada, sobretudo, nos valores domésticos, isto é, em atletas que evoluem todas as semanas na Premier Soccer League, o principal campeonato profissional do país.

Aconteça o que acontecer, no jogo frente ao Canadá (16-avos-de-final), Hugo Broos terá o nome gravado a dourado na história do futebol sul-africano.

AUSTIN MACPHEE

Só não passa despercebido porque o longo cabelo louro o denuncia à distância e, justamente por essas características, porque não parece português. E não é, de facto, embora o seja um pouco, de coração.

Austin MacPhee é escocês, e de há muito tempo está ligado ao futebol. Aliás, quem acompanha regularmente a Premier League, repara na sua presença junto a Unai Emery, no banco do Aston Villa. Lá, em Birmingham, mas também com a seleção de Portugal, MacPhee é o responsável pelo treino das set pieces, curiosa expressão inglesa que podemos livremente traduzir para bolas paradas.

Momento cada vez mais particular e decisivo nos jogos de futebol, o pontapé de canto ou o pontapé livre nas imediações da área adversária constitui matéria especializada, a requerer alguém que a ela se dedique em exclusivo.

Aos 46 anos, Austin integra a equipa técnica de Portugal e os resultados, com exímios executantes como os que estão ao serviço da equipa das quinas, começam a fazer-se sentir.

Uma prova de que o treino tático é um vetor muito significativo da preparação no alto rendimento, e de os verdadeiros especialistas não são dispensáveis, sobretudo num edifício competitivo tão desafiante como o de um Mundial de futebol…

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