Camisola 23 dos azuis e brancos do Minho fez um golo de antologia diante dos beirões - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Camisola 23 dos azuis e brancos do Minho fez um golo de antologia diante dos beirões - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Há Dias de Amor(im) abençoados pelos Santos (crónica)

Médio marcou num remate colocado, extremo fez um golaço, criativo deu-lhe... de bicicleta. Tondelenses demasiado curtos

À meia hora, seria muito difícil (ou até mesmo impossível...) dizer que a tarde/noite em Vila Nova ia ter momentos de magia. Porque a primeira meia hora foi tão fria quanto o clima e os artistas pareciam ter as ideias congeladas.

Nesse período, refira-se, até houve mais Tondela. Não que os comandados de Cristiano Bacci tivessem feito perigar a baliza de Lazar CarevicPedro Maranhão, bem lançado por Rodrigo Conceição, podia ter colocado o internacinal montenegrino em trabalhos, mas, em boa posição, falhou... o pontapé (7') —, mas, e acima de tudo, porque os auriverdes entraram cheios de personalidade, com um bloco bastante compacto (que nunca permitiu veleidades aos minhotos) e com uma qualidade de posse de bola que não está tão facilmente ao alcance de uma equipa que está na zona baixa da tabela. Faltou, porém, o mais importante aos beirões: assertividade no último terço ofensivo. E quando assim é...

O futebol, já se sabe, tem o dom de poder ser cruel para uns e generoso para outros, e ao primeiro remate do jogo... o Famalicão marcou. Aos 31 minutos, e aproveitando uma rara clareira que se abriu no miolo tondelense, Mathias de Amorim progrediu em posse, e, à entrada da área, rematou de forma colocada (a bola sofreu um ligeiro desvio em João Afonso), não dando hipóteses a Bernardo Fontes.

Nas bancadas estava Seba — antigo futebolista e atual adjunto de Roberto Martínez —, que, por certo, tirou notas muito positivas sobre o jovem médio famalicense. Mathias é internacional sub-21 português, tal como Gustavo Sá, e ambos têm legítimas aspirações em chegar à Seleção A a breve prazo...

E o semblante dos auriverdes só não ficou ainda mais carregado porque o cabeceamento de Sorriso seguiu na direção do poste (45+1').

SOLTE-SE MAIS MAGIA

Hugo Oliveira terá corrigido algumas situações ao intervalo e na segunda parte a equipa teve... Fama. À imagem do que tem acontecido ao longo de toda a temporada, refira-se. Mas também teve proveito.

O olhar europeu que os minhotos vão lançando semana após semana foi reforçado com traços de magia e Gil Dias rematou em arco para o 2-0, aos 69 minutos. Saco!

Quem não quis ficar atrás da beleza dos colegas foi Pedro Santos: ao minuto 82, o criativo, no chão, no coração da área, conseguiu arquitetar um pontapé de bicicleta e escreveu a história do 3-0.

Na galeria de Vila Nova, há Dias de Amorim que são abençoados pelos Santos. Vale a pena ir à bola!

O melhor em campo: Mathias de Amorim (Famalicão)
Um médio moderno é isto. Alguém capaz de ocupar devidamente os espaços quando a equipa não tem bola, saltando à pressão sempre que é necessário e lutando por cada duelo individual, mas tendo também a capacidade de progredir em posse para levar o coletivo para a frente. E foi assim o internacional sub-21 luso abriu o ativo: acreditou, seguiu e atirou certeiro.
A figura: Makan Aiko (Tondela)
É certo que o conjunto beirão esteve sempre muito retraído na hora de tentar ferir o espaço defensivo dos azuis e brancos, mas também não é menos verdade que o extremo franco-marfinense nunca virou a cara à luta e tentou sempre desbravar caminhos para que os companheiros o pudessem solicitar. Tanto nos momentos de futebol apoiado, como também na exploração da profundidade.

As notas dos jogadores do Famalicão:

As notas dos jogadores do Tondela:

Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):

Isto é como na ópera, só acaba quando a senhora mais gordinha canta. Estou extremamente orgulhoso da equipa. Tivemos a paz para encontrarmos o caminho certo e para soltarmos o talento dos jogadores. Dessa forma, os golos chegaram de forma tranquila e natural.

Cristiano Bacci (treinador do Tondela):

Os jogadores também são humanos. Não é a primeira vez que controlamos um jogo e que sofremos um golo que é muito difícil de explicar. Admito que, depois, a segunda parte foi abaixo das nossas possibilidades. Temos de ficar com o que de bom fizemos e melhorar nos pormenores. É preciso continuar a trabalhar e a acreditar.