Há Dias de Amor(im) abençoados pelos Santos (crónica)
À meia hora, seria muito difícil (ou até mesmo impossível...) dizer que a tarde/noite em Vila Nova ia ter momentos de magia. Porque a primeira meia hora foi tão fria quanto o clima e os artistas pareciam ter as ideias congeladas.
Nesse período, refira-se, até houve mais Tondela. Não que os comandados de Cristiano Bacci tivessem feito perigar a baliza de Lazar Carevic — Pedro Maranhão, bem lançado por Rodrigo Conceição, podia ter colocado o internacinal montenegrino em trabalhos, mas, em boa posição, falhou... o pontapé (7') —, mas, e acima de tudo, porque os auriverdes entraram cheios de personalidade, com um bloco bastante compacto (que nunca permitiu veleidades aos minhotos) e com uma qualidade de posse de bola que não está tão facilmente ao alcance de uma equipa que está na zona baixa da tabela. Faltou, porém, o mais importante aos beirões: assertividade no último terço ofensivo. E quando assim é...
O futebol, já se sabe, tem o dom de poder ser cruel para uns e generoso para outros, e ao primeiro remate do jogo... o Famalicão marcou. Aos 31 minutos, e aproveitando uma rara clareira que se abriu no miolo tondelense, Mathias de Amorim progrediu em posse, e, à entrada da área, rematou de forma colocada (a bola sofreu um ligeiro desvio em João Afonso), não dando hipóteses a Bernardo Fontes.
Nas bancadas estava Seba — antigo futebolista e atual adjunto de Roberto Martínez —, que, por certo, tirou notas muito positivas sobre o jovem médio famalicense. Mathias é internacional sub-21 português, tal como Gustavo Sá, e ambos têm legítimas aspirações em chegar à Seleção A a breve prazo...
E o semblante dos auriverdes só não ficou ainda mais carregado porque o cabeceamento de Sorriso seguiu na direção do poste (45+1').
SOLTE-SE MAIS MAGIA
Hugo Oliveira terá corrigido algumas situações ao intervalo e na segunda parte a equipa teve... Fama. À imagem do que tem acontecido ao longo de toda a temporada, refira-se. Mas também teve proveito.
O olhar europeu que os minhotos vão lançando semana após semana foi reforçado com traços de magia e Gil Dias rematou em arco para o 2-0, aos 69 minutos. Saco!
Quem não quis ficar atrás da beleza dos colegas foi Pedro Santos: ao minuto 82, o criativo, no chão, no coração da área, conseguiu arquitetar um pontapé de bicicleta e escreveu a história do 3-0.
As notas dos jogadores do Famalicão:
Lazar Carevic (5), Rodrigo Pinheiro (6), Ibrahima Ba (6), Justin de Haas (6), Pedro Bondo (6), Mathias de Amorim (7), Tom van de Looi (6), Gil Dias (7), Gustavo Sá (6), Sorriso (6), Simon Elisor (6), Gustavo Garcia (5), Pedro Santos (7), Antoine Joujou (5), Marcos Peña (-) e Otar Mamageishvili (-).
As notas dos jogadores do Tondela:
Bernardo Fontes (5), Bebeto (5), Christian Marques (5), João Afonso (5), Rodrigo Conceição (5), Cícero (5), Yaya Sithole (5), Maviram (5), Pedro Maranhão (5), Joe Hodge (4), Makan Aiko (5), Jordan Pefok (5), Hugo Félix (5), Afonso Rodrigues (5), Juan Rodríguez (4) e Tiago Manso (-).
Hugo Oliveira (treinador do Famalicão):
Isto é como na ópera, só acaba quando a senhora mais gordinha canta. Estou extremamente orgulhoso da equipa. Tivemos a paz para encontrarmos o caminho certo e para soltarmos o talento dos jogadores. Dessa forma, os golos chegaram de forma tranquila e natural.
Cristiano Bacci (treinador do Tondela):
Os jogadores também são humanos. Não é a primeira vez que controlamos um jogo e que sofremos um golo que é muito difícil de explicar. Admito que, depois, a segunda parte foi abaixo das nossas possibilidades. Temos de ficar com o que de bom fizemos e melhorar nos pormenores. É preciso continuar a trabalhar e a acreditar.