Pep Guardiola, treinador do Manchester City - Foto: IMAGO

Guardiola e o futuro: «Não tenho planos para treinar durante um tempo»

Treinador do Manchester City prepara a última partida ao comando do clube, na última jornada da Premier League, frente ao Aston Villa

Horas depois de o Manchester City anunciar que Pep Guardiola deixaria de ser o treinador principal no final da temporada, o técnico espanhol fez a conferência de imprensa de antevisão ao duelo com o Aston Villa, do próximo domingo, o último que fará ao comando dos citizens.

«Estou muito satisfeito, não tenho as palavras certas. Estou mesmo satisfeito, feliz e orgulhoso. Foi uma experiência na minha vida, se assim não fosse não teria estado aqui 10 anos. Não posso estar mais agradecido pelo amor e pelo afeto que recebi, não só hoje mas nos últimos anos», começou por dizer o técnico.

Para Guardiola, este foi o momento certo para a saída, também para permitir que o clube se preparasse para substituir o treinador. «Não podia ir dormir, acordar e dizer 'está na hora de sair'. É um processo, algo que tenho sentido há algum tempo e o clube sempre me respeitou imenso. O clube, claro, tem de estar pronto e senti que era o momento. 10 anos é muito tempo e penso que o clube precisa de um novo treinador, uma nova energia, com estes jogadores incríveis que temos agora para começar um novo capítulo», afirmou o espanhol.

«Esta vontade não surgiu ontem ou na semana passada. Enquanto estivemos a competir quis estar completamente longe deste processo, precisava de ter os jogadores comigo e de estar com eles. Agora já não podemos lutar por mais nada, pensei que era o momento de dizer que queria um adeus como devia de ser com as minhas pessoas no domingo. Quero abraçá-los no campo, foi por isso que foi feito o anúncio», prosseguiu o técnico, que se disse «sem palavras» por saber que terá uma bancada com o seu nome no Estádio Etihad.

Pep Guardiola revelou também que recebeu uma mensagem de Sir Alex Ferguson, que descreveu como «o melhor do país», e que o discurso aos jogadores foi «um desastre»: «Estava tão nervoso! Disse-lhes o que vos digo a vocês. Tenho paixão, esta energia, como tinha quando era um rapazinho, mas tenho de ser sincero sobre o futuro.»

Guardiola não escondeu o orgulho pelo processo de evolução que encabeçou no Manchester City. «Foi divertido. Jogámos muito bem. A primeira Premier League foi importante e não posso esquecer a Liga dos Campeões. Mas todos os títulos foram importantes. O Noel Gallagher [membro da banda Oasis, natural de Manchester e adepto do Man. City] uma vez disse-me 'antes não ganhávamos quatro jogos seguidos, agora ganhámos quatro ligas de seguida'. E eu disse 'uau!'. Fazer parte disto deixa-me tão orgulhoso e feliz», confessou.

O que é que reserva o futuro? «Agora vou descansar. Dizem-me que daqui a três meses vou voltar a treinar, eu digo que talvez aconteça. Mas temos de ver, penso que não. Não tenho planos para treinar durante um tempo, senão ficaria aqui. Vou dar um passo atrás. Não vou treinar durante algum tempo», respondeu o catalão, que passará a ser embaixador global do Manchester City: «Reunimos e eu disse que queria continuar a ser parte deste clube. Não com posições de responsabilidade, tomarei zero decisões. Só quero fazer parte se precisarem de mim para representar o clube.»

O treinador espanhol, que conquistou 20 títulos na última década, falou ainda da cidade de Manchester. «Quando se vive aqui durante 10 anos fica-se a conhecer todos os corredores da cidade, bons e maus. Não é só o Estádio Etihad. Vives na cidade, conhece-la. Vou tentar refletir sobre o que isso significa. Ganhar 20 títulos é muito bom, és treinador, se não for assim, despedem-te. É por isso que estou cá há 10 anos. Mas é mais do que isso. São as memórias. Tenho muitas. É especial», completou.

A iniciar sessão com Google...