Hunter Armstrong juntou-se aos polémicos Jogos. IMAGO
Hunter Armstrong juntou-se aos polémicos Jogos. IMAGO

Armstrong vai aos Jogos do Doping porque precisa de dinheiro

O norte-americano que também é mágico e ator tem 17 medalhas em Mundiais e um recorde do mundo nos 50 metros costas. O nadador garante que vai competir este fim de semana em Las Vegas sem recurso a substâncias proibidas

O nadador norte-americano Hunter Armstrong, detentor de três medalhas olímpicas, tomou a polémica decisão de participar nos controversos Jogos do Doping, no próximo fim de semana, competição que permite o uso de substâncias dopantes. A sua participação, no entanto, será feita sem recurso a doping, o que coloca o seu futuro olímpico em risco e levanta um dilema para as autoridades desportivas.

A situação de Armstrong tornou-se crítica após perder o seu principal patrocinador, o que comprometeu a sua capacidade de continuar a competir com os Jogos Olímpicos de 2028 em mente. Perante a encruzilhada entre abandonar a natação por falta de fundos ou aceitar o prémio monetário significativo oferecido pelos Jogos Melhorados, o atleta optou por uma via intermédia: competir, mas de forma limpa.

Esta decisão criou um precedente inesperado. A World Aquatics, federação internacional da modalidade, tinha avisado previamente que qualquer atleta que participasse em eventos que apoiam o uso de substâncias proibidas seria banido de todas as suas competições, incluindo os Jogos Olímpicos. A sanção aplica-se a «todos os que apoiem, se juntem ou participem» nestes eventos, independentemente de usarem ou não métodos ilegais.

Apesar do aviso, Armstrong, após consultar advogados, acredita que pode manter a sua elegibilidade para competições oficiais se continuar a submeter-se a testes de doping e a cumprir os regulamentos da World Aquatics. A federação internacional, contactada pela ESPN, afirmou que analisará cada caso individualmente, deixando o futuro olímpico do nadador em suspenso.

Jogos do Doping

O evento que conta com três modalidades - atletismo, natação e halterofilismo - vai oferecer prémios milionários aos atletas que podem usar substâncias proibidas para melhorar o desempenho e bater recordes mundiais, nomeadamente nos 50 m livres e na corrida de 100 metros.

O caso levanta questões sobre a sustentabilidade financeira dos atletas de elite, mesmo numa potência como os Estados Unidos. O facto de um bicampeão olímpico enfrentar tais dificuldades económicas, mesmo com um palmares que inclui 17 medalhas em campeonatos mundiais e um recorde do mundo nos 50 metros costas, expõe as fragilidades do sistema de apoio aos desportistas.

Armstrong estreou-se nos Jogos Olímpicos em Tóquio, onde conquistou o ouro na estafeta de 4x100 metros estilos, embora não tenha participado na final. Insatisfeito com o seu desempenho individual (nono lugar nos 100 metros costas), o atleta não se identifica totalmente com essa medalha. Em Paris, voltou a brilhar nas estafetas, com um ouro nos 4x100 metros livres e uma prata nos 4x100 metros estilos, mas o seu resultado individual (11.º lugar nos 100 metros costas) ficou novamente aquém das expectativas.

Fora das piscinas, Hunter Armstrong é uma figura invulgar. Desde jovem que nutre duas grandes paixões: a magia, com um repertório de mais de 200 truques que usa para «sair da sua concha», e o teatro musical. Em criança, participou em produções como «A Família Addams» e «Mary Poppins», tendo mesmo recusado um papel em «Mamma Mia» por coincidir com uma competição de natação.

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