Armstrong vai aos Jogos do Doping porque precisa de dinheiro
O nadador norte-americano Hunter Armstrong, detentor de três medalhas olímpicas, tomou a polémica decisão de participar nos controversos Jogos do Doping, no próximo fim de semana, competição que permite o uso de substâncias dopantes. A sua participação, no entanto, será feita sem recurso a doping, o que coloca o seu futuro olímpico em risco e levanta um dilema para as autoridades desportivas.
A situação de Armstrong tornou-se crítica após perder o seu principal patrocinador, o que comprometeu a sua capacidade de continuar a competir com os Jogos Olímpicos de 2028 em mente. Perante a encruzilhada entre abandonar a natação por falta de fundos ou aceitar o prémio monetário significativo oferecido pelos Jogos Melhorados, o atleta optou por uma via intermédia: competir, mas de forma limpa.
48 hours out.
— Enhanced Games (@enhanced_games) May 22, 2026
The stage is set. The athletes are ready.
May 24 is almost here. pic.twitter.com/LQ92ZQ1tcj
Esta decisão criou um precedente inesperado. A World Aquatics, federação internacional da modalidade, tinha avisado previamente que qualquer atleta que participasse em eventos que apoiam o uso de substâncias proibidas seria banido de todas as suas competições, incluindo os Jogos Olímpicos. A sanção aplica-se a «todos os que apoiem, se juntem ou participem» nestes eventos, independentemente de usarem ou não métodos ilegais.
Nueva entrada en @HistoriasdlosJJ: El bicampeón olímpico de #Natación #HunterArmstrong participará en los Juegos Mejorados -sin doparse- por problemas económicos, pese a poner en riesgo una futura participación olímpica: https://t.co/AT63BDWjYC pic.twitter.com/cFBgHO0reJ
— Historias de los Juegos (@HistoriasdlosJJ) May 22, 2026
Apesar do aviso, Armstrong, após consultar advogados, acredita que pode manter a sua elegibilidade para competições oficiais se continuar a submeter-se a testes de doping e a cumprir os regulamentos da World Aquatics. A federação internacional, contactada pela ESPN, afirmou que analisará cada caso individualmente, deixando o futuro olímpico do nadador em suspenso.
Can the Enhanced track athletes correctly stop the clock at their PB time? 👀 pic.twitter.com/LH9ogT6Fu4
— Enhanced Games (@enhanced_games) May 21, 2026
O evento que conta com três modalidades - atletismo, natação e halterofilismo - vai oferecer prémios milionários aos atletas que podem usar substâncias proibidas para melhorar o desempenho e bater recordes mundiais, nomeadamente nos 50 m livres e na corrida de 100 metros.
O caso levanta questões sobre a sustentabilidade financeira dos atletas de elite, mesmo numa potência como os Estados Unidos. O facto de um bicampeão olímpico enfrentar tais dificuldades económicas, mesmo com um palmares que inclui 17 medalhas em campeonatos mundiais e um recorde do mundo nos 50 metros costas, expõe as fragilidades do sistema de apoio aos desportistas.
Armstrong estreou-se nos Jogos Olímpicos em Tóquio, onde conquistou o ouro na estafeta de 4x100 metros estilos, embora não tenha participado na final. Insatisfeito com o seu desempenho individual (nono lugar nos 100 metros costas), o atleta não se identifica totalmente com essa medalha. Em Paris, voltou a brilhar nas estafetas, com um ouro nos 4x100 metros livres e uma prata nos 4x100 metros estilos, mas o seu resultado individual (11.º lugar nos 100 metros costas) ficou novamente aquém das expectativas.
Double médaillé olympique, le nageur américain Hunter Armstrong va participer aux Enhanced Games sans se doper... et avec l'espoir de prendre part aux JO 2028
— L'Équipe (@lequipe) March 3, 2026
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Fora das piscinas, Hunter Armstrong é uma figura invulgar. Desde jovem que nutre duas grandes paixões: a magia, com um repertório de mais de 200 truques que usa para «sair da sua concha», e o teatro musical. Em criança, participou em produções como «A Família Addams» e «Mary Poppins», tendo mesmo recusado um papel em «Mamma Mia» por coincidir com uma competição de natação.