Este Sporting-Torreense é 'jogado'... na praia
O mar é mais azul e o Estádio do Jamor está a mais de 55 quilómetros de distância. Dezenas de surfistas navegam pelas ondas enquanto no areal ultimam-se os preparativos para o evento mais aguardado do fim-de-semana na Ericeira: a terceira etapa do campeonato (Liga Meo Surf), que será disputada a partir de hoje na praia de Ribeira d’Ilhas.
O último dia da etapa coincide com a final da Taça de Portugal de futebol, disputada por Sporting e Torreense, a partir das 17h15. Os caminhos de ambos os clubes cruzam-se com os de dois surfistas que vão estar em prova: Maria Salgado e Luís Perloiro.
O surfista de 27 anos representa os leões enquanto a líder do ranking feminino, de apenas 19 anos, é natural de Torres Vedras. Os dois admitiram que vão torcer por clubes diferentes, em conversa conjunta com A BOLA. Luís Perloiro está «entusiasmado» para assistir à final da Taça de Portugal, horas depois do término da etapa, por volta do meio-dia. «Obviamente espero que o Sporting ganhe. A final ser no domingo à tarde, depois do campeonato, ainda torna as coisas mais interessantes. Infelizmente não vou ao Jamor, mas dá tempo para ir a Lisboa ver o jogo com amigos», explicou.
O futebol não é o desporto predileto de Maria Salgado, mas a caminhada «incrível» do Torreense esta temporada potenciou o interesse de uma das surfistas nacionais mais promissoras. A atleta de 19 anos conta que «Torres Vedras está completamente unida» e que «muita gente tem vestido a camisola do Torreense».
A final da Taça de Portugal é um marco «importante» numa temporada que pode terminar com a subida à Liga. «Espero que ganhem. Vou ver a final em casa com a minha família e com a malta do surf. Se calhar até vou começar a ver mais jogos», admitiu, de costas para o centro de treinos de dezenas de colegas de surfistas.
Maria saudou a diversidade na final da Taça promovida pelo clube da terra natal: «Finalmente a final da Taça não vai ser só disputada por Benfica, FC Porto, Sporting ou SC Braga. Um clube que nem está na Liga vai disputá-la.» A jovem surfista considerou-se «orgulhosa» da turma do Oeste e promete estar «muito mais atenta» daqui para a frente.
Já Luís antecipou uma abordagem com muita fisicalidade dos comandados de Luís Tralhão: «O Torreense vai chegar cheio de vontade de ganhar. Normalmente os clubes mais pequenos vêm com muita raça e muita atitude.»
O atleta admitiu que «não era grande adepto de futebol» na juventude, mas que a chegada dos leões ao surf tudo mudou. «Comecei a apaixonar-me mais pelo clube e a ter outro desporto para ver além do surf. Um dos privilégios associados é poder ir ao estádio de vez em quando», explicou o atleta que cresceu rodeado de familiares… do Benfica. Um dos «poucos» adeptos leoninos da família não se aventura, ainda assim, com a bola nos pés. «Não sei jogar muito bem, foco-me mais nas ondas», frisou.
O atleta leonino, quer, ainda assim, fechar «com chave de ouro» uma temporada «que não foi nada má». A final da Taça de Portugal fica também marcada pela despedida do Sporting de um dos jogadores prediletos de Luís Perloiro: «Gostava muito do Morita, é uma pena sai, admirava-o bastante. Gosto muito do Trincão também.» Já Maria ultrapassou fronteiras e admitiu a preferência pelo «exemplo» Cristiano Ronaldo.
Os dois surfistas partilham o interesse pela final da Taça de Portugal, mas os prognósticos são bem diferentes. «2-1 para o Torreense», atirou Maria, apostando numa surpresa. Já Luís, demonstrou total confiança no poderio leonino: «4-1 para o Sporting.»
Diversão e ambição
Maria Salgado parte para a terceira etapa do campeonato na liderança do ranking feminino, após dois triunfos. Conquistar Ribeira d’Ilhas é um objetivo: «Gostava muito de ganhar esta etapa. É mesmo ao pé de Santa Cruz, costumo vir aqui surfar algumas vezes.»
A surfista de 19 anos considerou que «ainda é muito cedo para falar no título», mas transborda ambição. «Claro que o meu objetivo é ser campeã nacional, mas não estou a pensar nisso. Eu quero mesmo é divertir-me e apresentar bom surf», frisou.
Já Luís Perloiro admitiu que a conquista do título masculino «é pouco provável», mas não descartou um triunfo em Ribeira d’Ilhas. Tal feito, ainda assim, «vai exigir muito trabalho». ´
«As minhas expectativas, são acima de tudo divertir-me. Gosto de surfar aqui. Passei de 17.º na primeira etapa para 3.º na segunda. Talvez agora possa fazer um melhor resultado», frisou.
Luís Perloiro chega a Ribeira d'Ilhas, ainda assim, com um rotina complicada. A conjugação de um curso superior pós-laboral com a carreira no surf obriga a gestão meticulosa: «Tive a sorte de me calharem dois testes durante a etapa. Um sexta à noite e outro na segunda-feira.»