Espanhóis repetiram o resultado da primeira mão (1-0) e deixaram o Estrasburgo pelo caminho. #DAZNConference

Guarda-redes que deu 5.ª vaga na Champions a Espanha recusou o... Real Madrid

Augusto Batalla esteve a um passo do estrelato, mas acabou por fazer caminho conturbado até encontrar a estabilidade em Vallecas

Mais do que herói do Rayo Vallecano na passagem dos franjirrojos à final da Conference League, o guarda-redes Augusto Batalla tornou-se, na noite de quinta-feira, um herói de... Espanha.

A explicação é simples, ainda que curiosa: o Rayo iria à final mesmo que o Estrasburgo tivesse conseguido fazer o 1-1 na grande penalidade travada pelo argentino, de 30 anos, aos 90+4 minutos. No entanto, com um empate, o país vizinho não teria conseguido assegurar desde logo uma quinta vaga na UEFA Champions League da próxima temporada.

Nesse caso, ficaria dependente dos resultados das finais da Conference e da Europa League, onde uma eventual vitória do Friburgo sobre o Aston Villa poderia resultar na ultrapassagem da Alemanha à Espanha.

Um cenário que já não se coloca, graças à intervenção decisiva de Batalla. Um guardião já com muito para contar, desde logo a história da recusa ao Real Madrid quando ainda era um talento a despontar ao serviço do River Plate.

«Quando era miúdo, o Real Madrid vinha buscar-me, mas escolhi ficar no River. Consegui estrear-me, consegui ser campeão, mas não me consegui manter e, por isso, digo que fracassei, porque esse era o meu objetivo e não o cumpri», afirmou, recentemente, em entrevista no programa El Chiringuito.

A pressão de defender a baliza de um colosso sul-americano em tão tenra idade — fez 37 jogos pelos millonarios em 2017 — acabou por levar Augusto Batalla a entrar numa espiral depressiva, da qual sentiu dificuldades para sair. «Não entendia o que era estar naquela baliza. Reagia mal dentro e fora de campo. Estes clubes não esperam por ti, só o rendimento importa. Sofria porque era o que mais desejava, mas também me faziam sofrer publicamente», revelou.

«Fechei-me, não queria ver ninguém. Criei uma carapaça para dormir, a pensar que me protegia, mas aconteceu o contrário. Aí, percebes a importância de pedir ajuda. Precisava de dois copos de vinho para dormir. Não é normal um rapaz de 20 anos passar por estas coisas. Dormia mal, não descansava e começava mal o dia», recordou Batalla, que, após deixar o River Plate, passou por seis clubes — Atlético Tucumán, Tigre, Unión La Calera, O'Higgins, San Lorenzo e Granada —, até chegar a Vallecas, no arranque da temporada passada.

Vários anos volvidos, Augusto Batalla não esconde a importância que o psicólogo que o ajudou a superar a fase negativa tem, ainda hoje, no dia a dia pessoal e futebolístico. «Fui ao psicólogo e continuo a ir ao psicólogo. Foi a pessoa que realmente me conseguiu tirar daquele buraco. Foi fundamental. Não se sai sozinho, essa é a única verdade que posso dizer sobre tudo isto. Depois, cada um vive à sua maneira», relatou o guardião argentino.

Galeria de imagens 22 Fotos

A iniciar sessão com Google...