GP Portugal: já há plano para evitar caos nos acessos ao circuito do Algarve
A gestão de acessos e transportes perfila-se como a principal dor de cabeça na organização do Grande Prémio de Fórmula 1 agendado para junho de 2027 no Autódromo Internacional do Algarve (AIA). O alerta foi deixado por João Oliveira, responsável pelas operações de segurança do circuito de Portimão, que antecipa uma afluência superior a 100 mil espectadores.
«É um dos nossos grandes desafios, porque não temos comboio, nem metro, temos uma única via principal com duas faixas de rodagem para chegar ao AIA, mas só uma para sair, e temos 12 mil lugares de estacionamento, que será reduzido, para receber os mais de 100 mil espectadores que estão previstos», sublinhou o responsável durante a sua intervenção no painel «Grandes eventos – F1», integrado na quarta edição do S4 - Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos), iniciativa promovida pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), em Viseu.
De acordo com o plano operacional, o parque de estacionamento do recinto sofrerá um corte de 12 mil para cerca de sete a oito mil lugares, de modo a reservar espaço para pilotos, convidados da F1, jornalistas e parqueamento de autocarros. Desta forma, a circulação nos eixos de ligação ao circuito estará fortemente condicionada e direcionada em exclusivo ao transporte coletivo.
184 autocarros para 62 mil espectadores
«Estamos a prever 184 autocarros no domingo para transportar 62 mil espectadores, porque esperamos até 105 mil pessoas, já a contar com pilotos, profissionais da F1 e convidados», explicou João Oliveira. Trata-se, vincou, de «o dobro de espectadores do que recebe o grande prémio de MotoGP», prova que apresenta «uma característica diferente», uma vez que «muitos vão de mota e isso permite mais flexibilidade».
Perante este cenário, a prioridade absoluta recai no transporte público, em detrimento das opções individuais. «O transporte coletivo vai ser privilegiado, até pela sustentabilidade. O transporte individual como Uber ou táxi nem tanto, porque vai ter de deixar os passageiros mais longe, não vai ter acesso ao interior do AIA», frisou João Oliveira, advertindo os adeptos para a necessidade de adquirir o passe de transporte em simultâneo com a entrada: «Na hora da compra do bilhete há a opção de reservar o transporte público», caso contrário os visitantes correm o risco de «ter de estacionar em Portimão ou Lagos».