Batalha intensa entre os Mercedes até o motor trair Russell

GP do Canadá: o anti-climax da Mercedes

Após 30 voltas, em que os Mercedes de Antonelli e Russell travaram uma das batalhas mais intensas e emocionantes em muito tempo da F1, o motor do carro do britânico avariou… E só o jovem italiano, vencedor, terá ficado satisfeito

Lando Norris foi a figura da partida da corrida do GP do Canadá, saltando da terceira posição para a liderança na primeira curva, beneficiando dos pneus intermédios, mais macios e atingindo temperaturas mais altas do que os slick macios em piso seco (havia dúvidas sobre a aderência após a chuva que caiu antes da corrida), mas foi breve a presença do britânico da McLaren na frente. No final da volta inaugural, o campeão do mundo de 2025 entrou nas boxes para trocar para pneus médios. O companheiro de equipa Oscar Piastri fez o mesmo na volta seguinte, e ambos desceram para o fundo do pelotão, de onde não voltaram a sair.

A partir de então, as estrelas na pista de Montreal foram outras e mais duradouras: os Mercedes, de George Russell e de Kim Antonelli, que reataram a batalha fratricida que começaram a travar desde a corrida sprint, quando o jovem italiano se revoltou, via rádio, com uma manobra do britânico a fechar-lhe a trajetória quando tentava ultrapassá-lo. Os dois flechas de prata envolveram-se numa luta emocionante, intensa, pela liderança da corrida, pouco vista na Fórmula 1 nos últimos tempos. Dois pilotos da mesma equipa a duelarem em pista, sem restrições.

No entanto, depois de várias trocas de posições, de travagens no limite, de terem estado algumas vezes perto de se tocar, golpe de teatro: à 30.ª volta, quando liderava a prova e defendia-se dos ataques do Antonelli, Russell perdeu potência subitamente, o motor calou-se e o Mercedes parou na pista com uma avaria. Fim de linha, e fim de espetáculo, que vinha a apaixonar quem assistia à corrida. Com o colega e, pelos vistos, rival assumido a partir de agora fora de combate, Kimi ficou com o caminho livre para a vitória, a quarta consecutiva do piloto de 19 anos, todas esta temporada, e para reforçar a liderança do Mundial para 43 pontos sobre Russell.

No entanto, após um breve hiato em safety car virtual, que a maioria dos pilotos aproveitou para trocar de pneus, as emoções não baixaram no circuito Gilles Villeneuve. Outras batalhas estavam em cena. Max Verstappen continuou a defender - desde o abandono de Russell - a segunda posição de Lewis Hamilton, e atrás do duo que soma onze títulos mundiais outro Red Bull procurava suster um Ferrari, Isack Hadjar e Charles Leclerc, pela quarta posição, com o monegasco a superiorizar-se ao francês na 40.ª volta. A mesma em que Norris, já bastante atrasado devido a anomalias no McLaren, desistiu também com problemas no motor Mercedes.

Até ao final desta corrida que certamente ficará para a posteridade, e que deixa antever réplicas da rivalidade que está instalada no seio da Mercedes, restou o duelo, igualmente faiscante, entre os velhos conhecidos Hamilton e Verstappen. O heptacampeão, paciente, ultrapassou o tetra a seis voltas da bandeira axadrezada e reconquistou a segunda posição.

Kimi Antonelli comentou a vitória no final de um fim de semana cheio de quezílias com George Russell e após derrota frente ao inglês, com polémica à mistura, na corrida sprint , no sábado. «Foi uma corrida muito intensa. Tive de gerir os pneus e manter a concentração até ao fim. Quatro vitórias seguidas parecem irreais», disse.

Lewis Hamilton levou a Ferrari ao segundo lugar e impôs-se claramente ao companheiro de equipa Leclerc, mostrou-se satisfeito com os sinais de evolução da equipa italiana. O britânico reconheceu que não conseguiu acompanhar o ritmo do vencedor, mas valorizou o regresso à ribalta. «Não tínhamos velocidade para atacar o Kimi [Antonelli] hoje [domingo], mas finalmente demos um passo em frente. É bom voltar ao pódio», comentou o sete vezes campeão.

Já Max Verstappen fechou o top-3 depois de corrida marcada por várias interrupções e estratégias diferentes. O neerlandês admitiu que o Red Bull continua longe de ter desempenho ideal. «Foi uma corrida caótica para nós. O carro continua difícil de pilotar, mas fizemos as escolhas certas na estratégia e este era provavelmente o melhor resultado possível», afirmou o tetracampeão.

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