Gonçalo Ramos marca e acorda o vulcão de San Siro para o Milan
O batismo de fogo de Ruben Amorim na mítica catedral de San Siro chegou a ter momentos de verdadeiro sofrimento. Perante um Veneza desinibido e atrevido, o Milan penou, falhou oportunidades em série e viu a ansiedade crescer nas bancadas. Contudo, a classe e a persistência de Gonçalo Ramos funcionaram como a chave dourada para destravar o nulo e abrir o caminho para uma vitória suada e fundamental do conjunto rossonero nesta corrida ao título.
Em noite marcada por uma emotiva homenagem ao eterno capitão Franco Baresi — que arrancou lágrimas ao público e até ao técnico visitante Giovanni Stroppa —, o AC Milan entrou em campo pressionado para somar três pontos. Sem Rafael Leão (a caminho do futebol turco) e com Luka Modric no meio-campo a orquestrar as operações, os homens da casa começaram por ter noite de grande desperdício nos primeiros 45 minutos.
Gonçalo Ramos foi a figura de maior destaque no ataque rossonero, acumulando ocasiões de golo: esteve isolado aos 12’, viu Stankovic brilhar com uma intervenção vistosa aos 33’ e voltou a ameaçar com remates de cabeça e desviando de peito. Porém, a falta de eficácia milanesa e a audácia do Veneza — que respondeu em transições rápidas e esteve pertíssimo do golo por Akor Adams — deixavam Ruben Amorim visivelmente apreensivo no banco.
A segunda metade começou com o mesmo tom cinzento para os da casa. O Veneza voltou a assustar por Hainaut e, aos 55’, Yunus Musah ainda acertou em cheio na barra, no pior momento do Milan, mas esse foi o momento em que tudo mudou. Foi aí que a estrela do internacional português voltou a brilhar: Gonçalo Ramos, incansável no apoio e na procura da profundidade, desfez o nulo num momento de puro sentido de oportunidade, o passe de Saelemaekers é fantástico, a finalização de pé esquerdo, irrepreensível.
Do lado do Veneza, destaque ainda para a utilização de Thierry Correia. O lateral português, recém-chegado do Valência, começou no banco de suplentes mas acabou por ser lançado em jogo durante o segundo tempo, numa tentativa de dar mais profundidade aos visitantes, embora sem conseguir travar a reação final da equipa de Amorim.
Com ela chegou o golo que acabou com as dúvidas. Novo passe perfeito de Saelemaekers a isolar Jashari e numa intervenção infeliz, Halhal marcou na própria baliza.