Gerson no zénite
Gerson chegou ao Brasil do Zenit e no Brasil chegou ao zénite. Parece confuso mas não é: o internacional brasileiro foi contratado por Pedro Lourenço, milionário dono do Cruzeiro, ao clube de São Petersburgo por 27 milhões de euros e, dessa forma, atingiu o topo, ou seja o zénite, das transferências mais caras da história do país.
No Brasil anda a gastar-se muito — como nunca. O acordo pelo jogador, que visa voltar à lista de intocáveis de Carlo Ancelotti, superou as transferências de Vítor Roque, pelo Palmeiras ao Barcelona, de Samuel Lino, pelo Flamengo ao Atlético Madrid, e de Danilo, pelo Botafogo ao Nottingham Forest, todas no ano passado.
«Trata-se de um jogador de classe incontestável, capaz de elevar o nível de uma equipa que já apresentou bom futebol no ano passado», opinou Alexandre Alliatti, colunista do site GE, nos últimos dias. «Mas na minha opinião a questão é se Gerson, por mais inflacionado que esteja no mercado nacional, vale tudo isso. Na minha opinião, a resposta é não.»
Com efeito, Gerson tem 28 anos, terá 32 no final do contrato, e jogou apenas 12 partidas no último semestre na Rússia, só oito como titular e sendo substituído em sete delas.
Lourenço, o apaixonado investidor cruzeirense, quer a todo o custo tirar o gigante que comanda da sombra de Fla e Verdão e até do rival Atlético Mineiro, que investiu muito há uns anos, inclusive num estádio próprio, mas essa obsessão pode ser contraproducente. Já no ano passado contratou Gabigol e Dudu, não por acaso as maiores estrelas do passado recente de flamenguistas e palmeirenses, e o primeiro já foi cedido ao Santos e o segundo contratado, precisamente, pelo Galo.
Se Leonardo Jardim fez um ótimo trabalho em 2025 — terceiro lugar no Brasileirão — foi muito mais graças a Matheus Pereira, que já lá estava, e a contratações cirúrgicas menos mediáticas, como Fabrício Bruno ou Kaio Jorge.
Mas, enfim, a escalada de reais gastos não pára por aqui e Lucas Paquetá pode estar a caminho do Mengão.
Essa escalada reflete-se no top-10 de reforços mais caros: o quinto e o nono da lista são Pedro e Gabigol, que voltaram ao Brasil via Fla já na era milionária do clube carioca, o sétimo, Thiago Almada, chegou ao Botafogo em 2024 e pode estar de volta ao Palmeiras (com o Benfica atento), e o 10.º, Paulinho, é o único que transitou entre clubes brasileiros, do Atlético para o Verdão, no ano passado.
Ou seja, loucuras antigas só Tévez, em 2004, do Boca Juniors para o Corinthians, e Edmundo, contratado pelo Vasco à Fiorentina por 20 milhões de euros, em 1999, negócio que foi, por anos, o zénite das transferências no país.