O cantor Ed Sheeran pediu desculpa pela exclusão do rapper Macklemore da sua digressão
O cantor Ed Sheeran pediu desculpa pela exclusão do rapper Macklemore da sua digressão
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Gaza/Israel: Ed Sheeran pede desculpa por polémica nos concertos

«Estou de coração partido», disse em Filadélfia

O cantor Ed Sheeran pediu desculpa pela exclusão do rapper Macklemore da digressão nos EUA, uma decisão que gerou uma onda de críticas após os comentários pró-Palestina feitos pelo rapper.

Antes de iniciar o seu concerto no estádio Lincoln Financial Field, em Filadélfia, Sheeran dirigiu-se ao público, afirmando estar de «coração partido» com a guerra entre Israel e o Hamas e admitindo ter tomado «decisões difíceis». O artista britânico confessou que a situação o colocou «no meio de um debate importante e apaixonado sobre liberdade de expressão e a questão política mais complexa do planeta», apesar de nunca ter tido a intenção de ser um «músico ativista».

«Nesta semana, as críticas giraram em torno de algo muito mais importante; tive que tomar decisões difíceis, cometi erros e sinto muito, muito mesmo», declarou Sheeran, reforçando que os seus espetáculos sempre foram «um espaço seguro para todos». «Vou ser totalmente sincero convosco, não sabia como é que o público iria reagir esta noite. Não sabia se me iriam atirar coisas. Não sabia se as pessoas me iriam vaiar...», afirmou.

A polémica começou quando Macklemore foi afastado da digressão «Loop» após um discurso pró-Palestina a 4 de setembro, durante um concerto em Nova Jérsia, no qual pediu «paz em Gaza e na Cisjordânia». Na sequência desta decisão, os restantes artistas que faziam a abertura dos espetáculos, nomeadamente a banda Beoga e os cantores Aaron Rowe, Lukas Graham e Finneas, também anunciaram a sua saída da digressão.

Numa declaração anterior, a 14 de setembro, Macklemore sugeriu que Robert Kraft, empresário da NFL e proprietário dos New England Patriots, teria influenciado a sua exclusão. O rapper criticou a posição «apolítica de Ed e de muitos outros envolvidos», mas reconheceu que «escolher um lado custa dinheiro, parceiros, investidores, festivais, relações e acesso». Apesar do desentendimento, Macklemore expressou o desejo de manter a amizade de 13 anos com Sheeran, afirmando: «A minha porta sempre estará aberta para continuarmos essa conversa».

Por sua vez, Ed Sheeran já se tinha pronunciado sobre o caso nas redes sociais, a 15 de setembro, explicando que a decisão de afastar Macklemore partiu do promotor da digressão e não dele. Segundo o cantor, os recintos dos concertos ameaçaram cancelar os espetáculos se o rapper continuasse a participar. «O contrato do Macklemore para a digressão era com o promotor, não comigo», esclareceu, acrescentando que nunca abandonaria os seus fãs e a sua equipa.

Sheeran optou por não revelar a sua posição pessoal sobre o conflito, mas garantiu que isso não significa indiferença. «Tenho as minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenha e nem que eu não me importe», afirmou.

No sábado, enquanto milhares de fãs, muitos vestidos de rosa, aguardavam o início do concerto, um pequeno grupo de cerca de 50 manifestantes pró-Palestina protestou pacificamente a poucos quarteirões do estádio, empunhando cartazes e gritando «Palestina Livre».

A digressão de Ed Sheeran, «The Loop Tour», tem sido abalada por uma série de cancelamentos de artistas de abertura, que se retiraram em solidariedade com a Palestina. A polémica resultou numa queda no preço dos bilhetes, perda de seguidores e críticas públicas, incluindo de um familiar do cantor britânico.

Vários artistas que fariam a primeira parte dos espetáculos de Sheeran anunciaram a sua saída. Finneas, irmão da cantora Billie Eilish, foi um deles, afirmando que os artistas não devem ser silenciados ao pronunciarem-se contra a opressão. «Decidi retirar-me das minhas próximas datas de espetáculos com Ed Sheeran. Estou ao lado da Palestina e do seu povo», escreveu.

Também Lukas Graham abandonou a digressão, explicando a difícil decisão. «Eu amo o Ed, sou grato por tudo o que partilhámos. Isso não mudou. Mas não posso colocar estas palavras no mundo e continuar com esta digressão como as coisas estão. Estamos a retirar-nos das datas restantes. Lamento muito não estarmos lá. Esta é uma decisão difícil, mas é uma que preciso de defender», declarou.

A banda Beoga, cofundadora do grupo Irish Artists For Palestine, juntou-se aos protestos, reafirmando o seu compromisso com a justiça. Aaron, membro da banda, recordou a história irlandesa para justificar a sua posição: «O Ed tem sido um amigo para mim e mudou a minha vida, e eu nunca conseguiria agradecer-lhe o suficiente por isso. Mas, como irlandeses, conhecemos muito bem o genocídio, a fome forçada e a ocupação violenta».

As consequências para Ed Sheeran não se fizeram esperar. Segundo o TMZ, o preço dos bilhetes para o concerto de sábado (19) na Filadélfia caiu 24%, passando de 126 para 96 dólares. Além disso, o cantor solicitou um reforço da segurança policial no local do espetáculo, o estádio Lincoln Financial Field, após o anúncio de uma manifestação pró-Palestina em apoio aos artistas que abandonaram a digressão, incluindo Macklemore.

Nas redes sociais, o impacto também foi notório. De acordo com a plataforma Social Blade, Sheeran perdeu mais de 300 mil seguidores no Instagram desde que a sua equipa demitiu o rapper Macklemore. A polémica chegou mesmo ao círculo familiar do artista, com um primo a partilhar um texto nas redes sociais na quinta-feira (17), no qual expressava vergonha e afirmava que «finalmente o mundo e os fãs o enxergaram».

Em Gaza, a solidariedade manifestou-se de outra forma: artistas locais pintaram um mural de Macklemore envolto numa bandeira palestiniana nos escombros da Cidade de Gaza, com a mensagem: «Obrigado por usar a sua voz pela Palestina».

A «The Loop Tour» tem uma paragem agendada no Brasil para os dias 5 e 6 de dezembro, em São Paulo, no Nubank Parque. Finneas, que estava previsto para a abertura, já cancelou a sua participação.

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