Fresneda é o 'dono' da lateral direita do Sporting (Foto IMAGO)
Fresneda é o 'dono' da lateral direita do Sporting (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

Fresneda quer seguir as pisadas de Porro e Grimaldo: «Agora estão no patamar máximo»

Lateral assume estar «feliz» no Sporting e lembrou a estreia na seleção principal espanhola

A viver o melhor momento da carreira, Iván Fresneda tem vindo a afirmar-se no Sporting. O rendimento do lateral chamou a atenção de Luis de la Fuente, que o convocou para a seleção espanhola devido à lesão de Pedro Porro. Em entrevista à Marca, realizada na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, o jogador abordou a adaptação à capital portuguesa, o peso de envergar a camisola dos leões e a estreia pela seleção A de Espanha.

Plenamente adaptado a Lisboa, o espanhol mostrou-se rendido à experiência em Portugal: «A verdade é que estou muito contente. Muito feliz por viver aqui em Lisboa. É uma cultura muito parecida com a de Espanha. A comida é boa, o clima é bom... Uma pessoa tem de se habituar a viver um pouco mais longe da família e dos amigos, mas estou muito feliz. O clube acolheu-me muito bem desde o início.»

Sobre a evolução do futebol luso, Fresneda destacou a competitividade crescente: «O nível tem vindo a aumentar bastante. Creio que cada vez se dá mais destaque a este campeonato, porque acredito que o merece.»

A exigência de alinhar em Alvalade é algo que o defesa encara com naturalidade, traçando um paralelismo com o seu passado no Valladolid: «O Sporting está obrigado a vencer sempre. É um clube muito grande. Em Portugal tem uma importância enorme e creio que também o estamos a refletir nos últimos anos na Europa. Estamos a dar a resposta. Eu já vinha de um clube com exigência, do Valladolid. É a equipa da cidade e toda a gente exige que vença e que se mantenha onde deve estar. Trago isso incutido desde miúdo nas camadas jovens. Não é medo de perder, mas sim a exigência de vencer desde pequeno. Quando chegas aqui tens competições europeias e é uma pressão extra.»

O percurso de Fresneda segue as pisadas de outros laterais espanhóis que brilharam no campeonato português, como Pedro Porro e Grimaldo. «É uma liga que te ajuda a aprender muito. Vens para uma equipa com muita pressão e sabes que tens de dar tudo. Essa pressão ajuda a ganhar confiança. É uma liga cada vez mais competitiva e isso reflete-se no nível que um jogador pode vir a apresentar, como é o caso de Grimaldo e Pedro, que agora estão no patamar máximo e que já mostraram uma das suas melhores versões quando estavam aqui», frisou.

A chamada à seleção espanhola surgiu na sequência de uma infelicidade de Porro, facto que não diminuiu a ambição do lateral leonino: «Chegar a uma seleção campeã do mundo é um mérito adicional. Foi pelo azar da lesão do Pedro e ninguém gosta que um companheiro se lesione, mas no final de contas é futebol. A vida é assim e há momentos em que surgem oportunidades e é preciso aproveitá-las. Integrar a primeira lista depois de ser campeão do mundo é algo superdifícil. É uma motivação e poder representar o teu país na seleção principal é o ponto mais alto que existe no futebol.»

A estreia absoluta deu-se em Oviedo, num jogo repleto de emoções familiares: «Antes de todos os jogos sentes sempre aquele nervosismo miudinho e, quando vais estrear-te pelo teu país, ainda mais. Sabes que tens a pressão de querer fazer o melhor possível e que tens de desfrutar ao máximo. Fiquei muito feliz com o meu jogo e com a vitória.»

Entre os momentos mais marcantes da noite, Fresneda recordou o que viveu logo a seguir ao hino: «Olhei para a bancada e vi a minha família. Estavam o meu pai e o meu tio, a minha mãe não, porque fica muito nervosa com estas coisas e ficou por casa... A minha mãe sofre muito. É algo de família, porque quando eu era mais jovem e o meu avô me ia ver a um jogo nas camadas jovens do Leganés ou Real Madrid, ele não conseguia estar quieto. Tinha de andar às voltas pelo campo. Ficava nervoso, tal como a minha mãe.»

Na partida frente à Chéquia, o lateral partilhou o flanco com Lamine Yamal, a quem deixou rasgados elogios: «É um dos melhores jogadores do mundo e está a demonstrá-lo. Ficou agora em terceiro na Bola de Ouro, no ano passado foi segundo... Está muito perto de alcançar o que merece e obviamente é um luxo. Foi um privilégio jogar com ele, tal como foi jogar com Víctor Muñoz. Foi algo incrível que guardarei para sempre.»

O jovem lateral recordou a abordagem inicial do selecionador espanhol logo no primeiro treino. «Correu muito bem. No primeiro treino chamou-me, colocou-me de parte um momento, deu-me os parabéns e deu-me as boas-vindas. Tinha visto a mensagem que coloquei nas redes sociais a lamentar a lesão do Pedro e estivemos a falar um pouco sobre isso. Esperava que fosse próximo assim. Obviamente com aquela hierarquia de quem é o treinador e o líder da equipa, mas muito próximo», salientou o defesa.

Fresneda abordou também o ambiente vivido no estágio e a convivência com os colegas de equipa, confessando alguma cautela inicial na chegada. «No início tinha dúvidas: de quem me aproximo, como é que me vão acolher... Fui observando e perguntando. Há muitas dinâmicas: onde se come, onde te sentas... No autocarro, por exemplo, cada um tem o seu lugar, tal como na sala de refeições. Fui com cuidado, ficando um pouco mais atrás a ver onde as pessoas se sentavam. Acabou por ser positivo o estágio ser mais longo para os conhecer melhor. Acolheram-me muito bem», vincou.

Entre as rotinas partilhadas, o lateral destacou o fascínio de vários companheiros pelo golfe. «Quero aprender a jogar golfe. Na seleção são muito insistentes com isso. Um dia, à tarde, espreitei pela janela do quarto e vi o Grimaldo, o Baena, o Unai e o Raya num dos campos. Colocaram um balde e estavam com os tacos e inúmeras bolas a ver em quantos toques acertavam no balde. Fiquei impressionado. Via a relva a saltar e disse: 'ainda bem que não treinamos ali'. Gostam imenso de golfe, até se vê pelas celebrações do Grimaldo. Se tiver a sorte de continuar a ir à seleção, a ver se atinjo o nível para jogar com eles numa próxima convocatória», relatou entre risos, mencionando ainda que também costuma praticar padel no verão.

O jogador abordou ainda o seu percurso académico e a aprendizagem de línguas desde a mudança para Portugal. «A formação é importante. Concluí o secundário e iniciei a licenciatura. Quando cheguei a Portugal tive dificuldades em fazer os exames devido ao calendário dos jogos. Para não ficar em confronto com a universidade, foquei-me nas línguas e quis aprender português. Tinha muitos portugueses na equipa e aprendi. Não tenho vergonha de errar. Além disso, falo inglês diariamente, o que também ajuda na evolução», sublinhou.

Por fim, Iván Fresneda justificou o distanciamento da rede social Twitter, decisão tomada após a mudança para o futebol português e o período em que esteve condicionado por problemas físicos. «Tive Twitter quando estava no Valladolid, mas apaguei a conta. Quando vim para o Sporting foi uma grande mudança, tive o azar da lesão no ombro, não pude jogar e o Twitter é um pouco cruel. As pessoas podem opinar o que quiserem, sob o nome que quiserem, e isso afetou-me ligeiramente. Decidi cortar o mal pela raiz. Vê-se o que é bom e o que é mau, por isso preferi deixar de ver», rematou.

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