Frederico Varandas, presidente do Sporting desde 2018, reeleito em 2022 e candidato em 2026
Frederico Varandas, presidente do Sporting desde 2018, reeleito em 2022 e candidato em 2026 - Foto: IMAGO

Frederico Varandas sem rival no Sporting

Claro que seria sinal de vitalidade haver concorrência, a democracia clubística agradecia, mas no futebol não há partidos e pode haver consensos quando se reconhece que o trabalho está a ser bem feito. Este é o 'Nunca mais é sábado', espaço de opinião de Nuno Raposo

Faltam dois meses para as eleições do Sporting — foram marcadas para 14 de março —, menos de um para a entrega e consequente formalização das listas concorrentes (prazo até 12 de fevereiro) e não se vislumbra rival para Frederico Varandas. Ou melhor, o(s) que se vislumbra(m) não têm qualquer expressão dentro do universo leonino, arrisco-me a dizer que 99 por cento dos sportinguistas não faz a menor ideia de quem sejam.

Costuma ser assim, há sempre candidatos desconhecidos, alguém que quer ser falado durante umas semanas, aparecer entre grandes figuras. Uns mais simpáticos, outros menos, uns até com ideias, outros aventureiros e outros ainda completamente vazios. Mas esses candidatos por norma surgem entre figuras com credibilidade no universo do clube, só que desta vez, arrisco dizer sem grande risco de errar, Varandas vai correr sozinho, ou pelo menos apenas contra um desses destemidos candidatos.

Há oito anos, no verão quente de 2018 que se seguiu à invasão da Academia, à debandada de jogadores e à destituição de Bruno de Carvalho, foram seis os concorrentes — João Benedito, José Maria Ricciardi, Rui Jorge Rego, Dias Ferreira, Torres Pereira além, claro, de Frederico Varandas — a uma das eleições mais mediáticas e imprevisíveis da história do Sporting. Foi o início da era atual.

Em 2022 foi o consolidar dessa era, já com Varandas a ter apenas dois adversário e desses… residuais: Ricardo Oliveira e Nuno Santos. Ganhou com 86 com cento dos votos, consolidou o projeto desportivo com mais dois títulos de campeão nacional no futebol principal a juntar ao já ganho no primeiro mandato e o lançou-se ao projeto de infraestruturas apoiado numa solidez financeira como poucas vezes vista em Alvalade. O projeto precisa de mais quatro anos e vai, merecidamente, tê-los.

Também eu fui crítico de Varandas naqueles primeiros dois anos mas hoje é inegável o trabalho por ele feito e que o deixa na história já como um dos maiores presidentes do clube.

O mais titulado já é — três campeonatos, duas Taças de Portugal, três Taças da Liga e uma Supertaça, ultrapassou António Ribeiro Ferreira, que liderou os leões entre 1946 e 1953. E a recente análise ao clube feita pela Football Benchmark mostra bem o crédito que o Sporting tem agora não só aquém mas também além-fronteiras.

Por tudo isto Frederico Varandas, mesmo que no dia 14 de março a equipa de Rui Borges corra já muito atrás do FC Porto na luta pelo título (correr mais perto também ajuda sempre, claro), vai correr sozinho nesta luta eleitoral. Porque não há oposição nesta altura em Alvalade, o que num clube de futebol é sinal de que as coisas vão bem e recomendam-se — e João Benedito tem de ser elogiado, porque mesmo nos anos difíceis de Varandas não apareceu a ser protagonista, calculista para um futuro a seu favor, e deixou o clube ter a paz que muitos outros nunca o deixaram ter no passado (como era a história leonina fértil em guerras e guerrinhas, intrigas e golpes). Claro que seria sempre sinal de vitalidade haver concorrência, a democracia clubística agradecia, mas no futebol não há partidos e pode haver consensos quando se reconhece que o trabalho está a ser bem feito. Por isso ninguém se posicionou para nestas eleições começar a ser falado… Daqui a quatro anos certamente a história será diferente. Mas agora, Frederico Varandas não vai ter concorrente — se tiver será de expressão microscópica.