Elana Meyers Taylor, Kaillie Humphries e o filho desta em Milão-Cortina
Elana Meyers Taylor, Kaillie Humphries e o filho desta em Milão-Cortina

Filhos ao colo, medalhas ao peito

Jogos Olímpicos de Inverno colocaram as mães em primeiro plano e dedicação no regresso foi recompensada com medalha. 'Para lá da linha' é uma opinião quinzenal

Em paralelo com as batotas do curling, a história de traição norueguesa confessada em direto, o atleta ucraniano impedido de competir por causa do capacete, um fugitivo eslovaco detido por ir ver o hóquei no gelo, os Jogos Olímpicos de Inverno colocaram as mães no centro das atenções. Terá sido coincidência os Jogos terem sido em Itália, onde o papel da mamã (dizer 'mama' com sotaque italiano aqui) faz parte do estereótipo internacional do país?

Em Milão-Cortina houve um número recorde de medalhadas olímpicas a competir como mães pela primeira vez, o que até contribuiu para excelente televisão - veja-se o caso da patinadora italiana de velocidade Francesca Lollobrigida, que conquistou um ouro nos 3000m no dia que fazia 35 anos e celebrou com o filho de dois anos ao colo, que acabou por ser o centro das atenções. Viria a ganhar outra medalha nos 5000.

Francesca Lollobrigida
Francesca Lollobrigida com o filho

No bobsleigh, a americana Elana Meyers Taylor, 41 anos, disputou os seus quintos Jogos Olímpicos, levou os dois filhos pequenos e voltou a casa com a primeira medalha de ouro. A colega de equipa,  Kaillie Humphries, 40 anos, regressou à competição como mãe, afirmando que «se sente mais forte e mais confiante», e levou dois bronzes.

Kendall Coyne Schofield, 33 anos, jogadora de hóquei no gelo e medalha de ouro pelos EUA, competiu este ano como mãe pela primeira vez. «Não queria que o meu filho fosse a razão para deixar de jogar hóquei. Queria que fosse a razão para continuar a jogar», resumiu ao site dos Jogos.

As quatro são mais uma vez exemplo que não é preciso escolher entre ter filhos e alcançar o sucesso, e que ser mãe não significa o fim da carreira de elite. Pode ser, aliás, um excelente motivador.

De resto, há ainda uma história melhor: Sarah Schleper, 47 anos, que competiu em esqui alpino pelo México, levou mais longe o levar o filho aos Jogos e esteve inscrita a par do filho de 18 anos, Lasse Gaxiola, também em competição no esqui alpino. Pela primeira vez, uma dupla de mãe e filho participou junta nuns Jogos Olímpicos.

Em paralelo, não posso deixar de fora outra história de coragem destes Jogos, que apareceu e se desvaneceu logo no primeiro fim de semana: Lindsey Vonn, de 41 anos, que saíra da reforma para voltar a dar tudo, fez uma rotura de ligamentos num joelho a uma semana da prova. Qualquer atleta estaria normalmente a caminho de casa no dia seguinte, mas ela não.

Lindsey Vonn
Lindsey Vonn

Surpreendeu tudo e todos e anunciou que ia competir. No entanto, em prova, durou apenas 13 segundos e uma queda provocou-lhe uma fratura bastante complexa na perna direita. Agora o seu desafio não é voltar a competir, é voltar a andar. Mas ninguém lhe tira o ter estado lá, o dar tudo mesmo colocando em causa a integridade física. Ela e as mães mostraram uma dedicação que se espera seja cada vez mais normalizada. E agora vou acabar os meus 10 mil passos diários.