Foram cinco, podiam ter sido dez: Europa, cuidado com eles! (crónica)
Utilizar o verbo vencer é redutor: o PSG esmagou o Marselha, na noite deste domingo, num clássico tremendamente desnivelado por culpa da enorme superioridade dos parisienses. Foram cinco golos, mas podiam ter sido 10. E não, não é exagero: o Paris Saint Germain fez meia dezena de remates certos, atirou outros quatro aos ferros e ainda viu o guarda-redes Lange parar pelo menos três bolas que tinham um destino certo.
Foi um jogo soberbo dos homens e rapazes da capital. Rotatividade nos limites, trocas posicionais, triangulações e uma atitude típica dos predadores: quanto mais cheirava a sangue da presa, maiores e mais mortíferos eram os ataques. Uma equipa só joga o que a outra deixa jogar e o Marselha ainda está ferido no orgulho e em muitas outras coisas (e que a eliminação na Champions em troca com o Benfica em muito contribuiu), mas parece que o PSG está de novo no ponto, aquela equipa devoradora que na época passada passou por cima de tudo e todos e acabou a vencer a Champions pela primeira vez na sua história.
Com Nuno Mendes, João Neves e Vitinha no onze, Luis Enrique voltou a apostar no tridente ofensivo formado por Doué, Dembelé e Barcola, deixando Kvaratskhelia e Gonçalo Ramos no banco. Diante de um rival que apresentou uma linha de três centrais, desde cedo foi percetível que as marcações e posicionamentos da formação do Sul de França estavam condenados ao fracasso. Nuno Mendes foi um dos culpados: o lateral-esquerdo foi um TGV que iniciava a jogada junto à sua área, passava para um dos médios e cinco segundos depois já recebia a bola na área contrária.
Assim nasceu o primeiro golo (12’), com o português a colocar Dembelé na cara do guardião contrário. A partir daí foi um festival, uma lição de como dominar um adversário, baralhá-lo até ao desespero. As oportunidades surgiram quase a cada três minutos, nem o tempo de uma canção intervalava sensações de sufoco para Lange. Dembelé teve então um momento de génio: recebendo uma bola do lado direito, partiu para a área, driblou dois adversários com uma troca de pés divinal e atirou para uma zona da baliza que poucos ousam: colocando a bola rente à cabeça do guardião. Genial.
Ao intervalo, os dois golos de diferença sabiam a pouco em Paris. E a reentrada em campo foi avassaladora, de tal forma que parecia homens contra crianças. O jogo só decorria em 40 metros, João Neves esteve perto do 3-0, viu o guardião tirar-lhe um sorriso, mas não demoraria para o médio obrigar ao autogolo de Medina. Os marselheses estavam perdidos no carrossel do PSG e a entrada dos suplentes teve um efeito ainda pior: Kvaratskhelia entrou e marcou; Lee Kang-in entrou e marcou; Kvaratskhelia atirou à barra, Nuno Mendes também, Nuno Mendes outra vez a aparecer na cara de Lange e permitir a mancha… Foram só cinco, podiam ter sido dez. Cuidado, Europa: em fevereiro, tal como Luis Enrique tinha prometido, o grande PSG está de volta.