Bruno Pinheiro: «Jogo foi decidido num penálti fortuito»
O Académico de Viseu perdeu esta quarta-feira por 0-1 com o FC Porto na Taça da Liga. Após a partida, Bruno Pinheiro, treinador dos viriatos, fez a análise à partida.
— Fez muitas alterações, deu a estreia a dois jogadores e quatro ou cinco tinham poucos minutos. Ainda assim, a equipa deu boa resposta. É a melhor notícia que leva do Dragão?
— Acima de tudo, dão-me razão quando, após a eliminação na Taça de Portugal, disse que voltaria a usar estes jogadores porque confiava nele. Foi uma pena termos perdido. Tínhamos feito o suficiente para ganhar. Hoje mostraram que eu tinha razão em confiar e insistir nele. Deram muito trabalho ao FC Porto. Foi um jogo definido num penálti casual, fortuito. O guarda-redes desvia a bola e vai ao braço do colega. É uma pena ter sido assim, mas demos uma boa resposta, fomos extremamente competitivos, deixa-me muito satisfeito. O mais importante agora é, no fim de semana, dar continuidade contra o Rio Ave. Não podemos prometer vitórias, mas eles têm de continuar com esta humildade, com esta ambição, com este querer e com esta qualidade. Assim os resultados aparecem mais vezes.
— É uma sensação ingrata? Pelo timing do golo, pela forma como o penálti surge...
— Claro que sim. Dentro das capacidades das duas equipas, penso, mais uma vez, que fazemos um jogo muito. Quando se desperdiça as oportunidades, como a do Valery [Fernández] logo a começar, agora o [André] Clóvis. Vir ao Dragão e não conseguir fazer estas duas, três oportunidades tem de se pagar caro. Foi o que aconteceu. Sinceramente, estou muito orgulhoso. É pena que estejamos fora da competição, porque senti que podíamos competir e chatear os grandes na final-four. Infelizmente não vamos estar presentes, mas vamos tentar dar continuidade na Liga.
— O Académico já não está em nenhuma das taças. Isso pode ser uma vantagem no foco no campeonato?
— Em termos de foco, podemos dizer que é uma vantagem. Mas acaba por ser uma desvantagem na gestão do plantel. As competições permitiam esta rotação, manter muita gente viva. Assim acaba por ser mais difícil para muitos jogadores que, como vêem, têm qualidade, mas o treinador tem de escolher onze, acaba por ficar gente de fora. Mas está claro que têm qualidade e ficou visível. Isso para nós é o mais importante. Sabemos que, se houver algumas baixas, teremos jogadores que nos vão ajudar nessas situações.
— Disse numa das primeiras flashes que o Académico de Viseu ia «chatear muita gente». Esta última semana [o Académico venceu o Sporting no fim de semana (1-2)] e tudo o que vemos este campeonato tem provado isso?
— Essa frase foi dita num contexto de alguma irritação. Foi o penálti em casa com o Santa Clara. Não é penálti. Foi o penálti nos últimos dois minutos no Marítimo, que nos tira dois pontos. É frustrante e não estávamos a ganhar. Tinha a convicção de que podíamos fazer um bom trabalho, estava a custar-me não ganhar e esta frustração tinha de sair em palavras. A verdade é mesmo essa. Não viemos para passear. Merecemos respeito. Ainda hoje há lances que se devem discutir. Não percebo porque é que, com o Martim Fernandes fora de campo, o árbitro está à espera que ele se recomponha e não faz a contagem, e com o nosso guarda-redes que vai buscar a bola que está dentro do campo começa a fazer a contagem. São pequenos detalhes que nos incomodam, que nos deixam frustrados e que nos fazem sentir que não somos tratados e respeitados da mesma forma. Temos de viver com isso, ultrapassar e vamos fazê-lo com muita humildade, muita ambição e muita qualidade no jogo, que é isso que pretendemos, e ficar na Liga.