FIFA mantém plano de investimento privado apesar da forte oposição
A FIFA confirmou que irá prosseguir com o controverso plano de abertura ao investimento privado, apesar da forte oposição de várias confederações continentais, incluindo a UEFA. O organismo que rege o futebol mundial garante que, embora tenha ouvido as críticas, manterá um processo de consulta «aberto e democrático».
A polémica estalou após a apresentação surpresa do plano na terça-feira, que foi amplamente criticado. Em resposta, a FIFA alegou em comunicado que «o processo de consulta que tínhamos planeado foi prejudicado por informações imprecisas divulgadas pelos meios de comunicação social», mas assegurou que o processo continuará «para que cada federação-membro possa expressar a sua opinião».
A reação mais veemente partiu da UEFA, que reúne 55 federações europeias. O organismo ameaçou unanimemente não participar nas futuras competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso o plano não fosse abandonado. A UEFA lamentou que a proposta tenha sido elaborada «em segredo» e que futuras decisões possam servir «os interesses dos acionistas» em vez dos «interesses do futebol».
A oposição não se limitou à Europa. A CONCACAF, que representa 41 federações da América do Norte, Central e Caraíbas, também rejeitou a proposta. Por sua vez, a Confederação Asiática de Futebol (AFC), com 47 membros, alinhou com a UEFA e a CONCACAF, afirmando que a proposta «não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar». A AFC defendeu ainda que «qualquer proposta que ameace minar a unidade e a universalidade» do Mundial «deve ser reconsiderada».
A Confederação Africana de Futebol (CAF) adotou uma postura menos crítica, apelando apenas a que as suas associações-membro analisassem a proposta.
Em resposta direta a uma declaração do presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, a FIFA foi perentória: «Ninguém está a vender futebol. Isto é algo que a FIFA nunca consideraria». O organismo reiterou o seu compromisso em respeitar o ‘feedback’ e as preocupações manifestadas.
O plano em causa prevê a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma empresa para gerir as atividades comerciais e os eventos da FIFA, como os Mundiais masculino e feminino e o Mundial de Clubes. Embora aberta a investidores privados, a FIFA promete que estes serão sempre acionistas minoritários.
Com esta iniciativa, a FIFA espera arrecadar até 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3,66 mil milhões de euros), com base numa avaliação total de 20 mil milhões de dólares. Caso o projeto avance, a dotação para cada uma das 211 federações-membro poderia aumentar de 8 para 20 milhões de dólares entre 2027 e 2030.