Donald Trump, Presidente dos EUA, ao lado de Gianni Infantino, presidente da FIFA
Donald Trump, Presidente dos EUA, ao lado de Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: IMAGO

FIFA disponibiliza documentos sobre plano falhado de privatização do Mundial

Membros do Conselho poderão ver documentação, mas só com inscrição prévia e presencialmente, em Zurique

A FIFA vai permitir que os membros do seu Conselho consultem «documentos-chave» sobre o projeto fracassado do presidente Gianni Infantino, que visava a venda de participações no Campeonato do Mundo a investidores privados. A consulta da documentação terá, contudo, de ser realizada presencialmente na sede do organismo, em Zurique, mediante registo prévio nas próximas duas semanas e sob «estritos protocolos de análise para preservar a confidencialidade».

A decisão foi comunicada pelo secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, em carta enviada aos membros do órgão deliberativo poucas horas antes de expirar o prazo imposto pela UEFA. Recorde-se que o organismo que tutela o futebol europeu havia fixado o dia 2 de novembro como limite para a FIFA prestar esclarecimentos e facultar detalhes sobre a controversa iniciativa batizada como Fifa Forward Enterprise (FFE), após uma reunião do Conselho na qual Infantino pediu desculpas pelo sucedido, mas sem detalhar a conceção do plano.

A pressão da UEFA surgiu acompanhada de um documento de oito páginas com mais de uma centena de perguntas. Para além do projeto FFE e do financiamento das federações nacionais, a carta questiona a atribuição do prémio inaugural FIFA Peace Prize ao presidente norte-americano Donald Trump e a suspensão com pena suspensa aplicada ao avançado norte-americano Folarin Balogun durante o Mundial.

«A retirada do FFE, o reconhecimento de erros e o anúncio de 'potenciais reformas de governação' não explicam como as decisões relevantes foram tomadas, nem a razão pela qual o Conselho da FIFA não foi envolvido na fase apropriada», sublinhou a UEFA na missiva, exigindo respostas imediatas e recusando o adiamento do escrutínio.

Em resposta, Mattias Grafstrom assinalou que o caderno de encargos da UEFA «contém significativamente mais perguntas do que a administração da FIFA poderia razoavelmente antecipar», assegurando que uma resposta está a ser elaborada para partilha com o Conselho. O dirigente enfatizou ainda que o projeto FFE «não poderia avançar sem a aprovação cumulativa e obrigatória do Conselho e da maioria das federações-membro», garantindo que «não houve nem haverá qualquer penalização para a FIFA pela desistência da proposta».

Do lado da FIFA, o prazo de duas semanas para responder a mais de 100 questões foi considerado inviável devido aos trabalhos de organização do novo Mundial de sub-15 no Azerbaijão e aos preparativos para um congresso extraordinário ainda este mês. Ao mesmo tempo, a capacidade de resposta da entidade encontra-se condicionada por ações judiciais movidas pela UEFA nos Estados Unidos para obtenção de provas e documentos, juntamente com o aviso de uma eventual queixa-crime na Suíça.

As movimentações aumentam a contestação interna em redor de Infantino antes de 18 de novembro, data-limite para a confirmação de potenciais candidaturas de oposição ao atual presidente nas eleições do próximo ano.

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