FIFA acusada de «extorsão», Infantino chamado a «explicar-se» no Congresso dos EUA
A polémica em torno dos preços dos bilhetes para o Mundial-2026 está a escalar, com uma congressista norte-americana a exigir que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, compareça perante o Congresso para «se explicar». A FIFA é acusada de inflacionar os preços e de criar uma «falsa escassez» de bilhetes, levando os estados de Nova Iorque e Nova Jérsia a abrir uma investigação.
Sydney Kamlager-Dove, uma democrata da Califórnia cuja circunscrição abrange Los Angeles, uma das cidades anfitriãs, descreveu a política de preços da FIFA como uma «extorsão total», comparando a conduta do organismo a algo saído dos filmes O Padrinho.
A controvérsia surge a apenas duas semanas do início do torneio, com os preços dos bilhetes a atingirem valores exorbitantes. Para o primeiro jogo da Inglaterra, comandada por Thomas Tuchel, contra a Croácia, a 17 de junho, no AT&T Stadium, com capacidade para 80.000 pessoas, os bilhetes mais baratos custam cerca de 620 euros, enquanto os mais caros chegam aos 1.700 euros.
Na semana passada, os procuradores-gerais de Nova Iorque e Nova Jérsia, onde a Inglaterra jogará duas partidas da fase de grupos, anunciaram uma investigação formal sobre a alegada «falsa escassez» de bilhetes, tendo ambos enviado cartas a Infantino a exigir respostas.
Em declarações ao Daily Mail, a congressista Kamlager-Dove revelou que já em março tinha enviado uma carta à FIFA, assinada por 69 representantes dos EUA, criticando o uso de preços dinâmicos e instando o organismo a tomar «medidas corretivas», o que não aconteceu.
Kamlager-Dove apoia a investigação em curso e criticou os preços «incrivelmente exorbitantes» e a «falta de civilidade» para com as cidades anfitriãs, que enfrentam dificuldades para cobrir os custos de segurança e transportes. «Ainda bem que os procuradores-gerais estão a levar isto a sério, porque, no final de contas, trata-se de acessibilidade e de parar a extorsão da FIFA», afirmou.
«É uma extorsão total. Não há transparência. Não houve qualquer conversa sobre o porquê de estarem a usar preços dinâmicos, por que há tanta disparidade entre os preços dos bilhetes.»
Kamlager-Dove apoia «a 100 por cento» uma investigação do Congresso, com o depoimento de Infantino. «Ele precisa de aparecer e responder a estas perguntas. Estou apenas a repetir as preocupações dos adeptos do meu distrito», declarou, apelando ainda a Donald Trump para que intervenha na questão.
No entanto, a relação entre Trump e Infantino tem sido próxima nos últimos meses. A FIFA atribuiu recentemente ao ex-presidente o seu primeiro Prémio da Paz da FIFA, uma distinção que os críticos consideraram uma tentativa de agradar à Casa Branca.
O caos dos bilhetes afeta a maioria dos jogos, incluindo a partida de abertura entre os EUA e o Paraguai, a 12 de junho, em Los Angeles. Para este jogo, ainda há 10.000 bilhetes disponíveis (3.500 no site oficial da FIFA e 6.500 na plataforma de revenda), o que corresponde a um décimo da capacidade de 100.000 lugares do SoFi Stadium, um cenário potencialmente embaraçoso para o maior torneio de futebol do mundo.
No âmbito da investigação, os procuradores emitiram intimações à FIFA para que explique a subida acentuada dos preços. Recorde-se que, na fase inicial de vendas, os bilhetes para a final de 19 de julho custavam 5.800 euros, quatro vezes mais do que os assentos mais caros no Mundial de 2022, no Qatar. Na janela de vendas de abril, esses mesmos bilhetes já custavam 9.500 euros.
Por sua vez, a FIFA defende o seu modelo de vendas, afirmando que os 11 mil milhões de euros que espera arrecadar com o torneio serão investidos em organizações de futebol de formação em todo o mundo. Infantino justificou os valores, alegando que a FIFA está simplesmente a aplicar «taxas de mercado» e que os bilhetes para grandes eventos nos EUA são, por norma, caros.
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