Max Verstappen despistou-se no Red Bull Ring
Max Verstappen despistou-se no Red Bull Ring - Foto: IMAGO

FIA investiga asas rotativas da Red Bull e Ferrari após acidentes de Verstappen

Questões de falta de segurança no pedido de esclarecimento às duas construtoras

A FIA solicitou informações adicionais à Red Bull e à Ferrari sobre as suas asas traseiras rotativas, na sequência de dois acidentes com o monolugar de Max Verstappen. A investigação do organismo regulador surge depois de a própria Red Bull ter iniciado um inquérito interno ao despiste em Silverstone, com o chefe de equipa, Laurent Mekies, a garantir que «não deixarão pedra sobre pedra».

Os acidentes de Verstappen em Spielberg e Silverstone levaram o piloto a classificar a situação como «super perigosa». Embora a equipa tenha esclarecido que os incidentes foram causados por problemas distintos, os dois despistes foram motivo suficiente para a FIA procurar esclarecimentos junto das duas equipas que utilizam este conceito, conhecido como «asa Macarena».

A Ferrari foi a primeira equipa a apresentar uma asa traseira rotativa para a aerodinâmica ativa, durante os testes de pré-temporada no Bahrein, com o objetivo de reduzir ainda mais a resistência ao ar. A estreia em corrida, inicialmente prevista para a China, acabou por acontecer apenas no Grande Prémio de Miami. A Red Bull introduziu a sua própria versão na mesma prova, na Flórida, embora o diretor técnico, Pierre Wache, tenha sublinhado que o conceito não foi inspirado na Ferrari, uma vez que a equipa já o desenvolvia desde novembro de 2025.

A solução da Red Bull é considerada mais agressiva, criando uma abertura maior na aerodinâmica ativa e, consequentemente, uma maior redução da resistência nas retas. No entanto, enquanto a Ferrari não registou problemas técnicos, a Red Bull já sofreu duas falhas no carro de Verstappen.

Nesta fase, o principal objetivo da FIA é obter mais informações para garantir que ambas as equipas cumprem todos os requisitos de segurança. Entre as exigências está o tempo máximo de transição de 400 milissegundos para o fecho da asa traseira, embora este limite não garanta automaticamente que o fluxo de ar seja totalmente restabelecido.

Os regulamentos técnicos estipulam: «Qualquer ajuste da Aba da Asa Traseira (RW Flap) só pode ser controlado pela ECU Padrão da FIA e deve ter um tempo máximo de transição entre as duas posições fixas que não exceda 400ms, medido desde o instante em que o comando para mudar de modo é emitido pela ECU Padrão da FIA até que o sensor de posição, ligado à ECU Padrão da FIA, confirme que a posição fixa comandada foi alcançada.»

A FIA irá primeiro avaliar se as equipas cumprem todas as normas em vigor. Só depois determinará se são necessários regulamentos ou verificações adicionais, especialmente se se concluir que a Red Bull cumpriu todas as regras existentes e, ainda assim, os incidentes ocorreram. Num cenário extremo, o conceito poderia ser banido para o resto da temporada ou para 2027, embora essa não seja uma possibilidade imediata.

A Red Bull já confirmou que irá analisar se utilizará a asa rotativa na próxima corrida em Spa-Francorchamps. Laurent Mekies afirmou no domingo à noite: «Vamos rever toda a área para garantir que não há qualquer hipótese de isto voltar a acontecer. Faremos o que for necessário para estarmos do lado seguro.»

A investigação ganha ainda mais relevância à medida que outras equipas, como a McLaren, desenvolvem as suas próprias versões. A equipa de Andrea Stella levou uma asa rotativa para a Áustria, mas ainda não a considerou pronta para utilização.

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