Caroline Moller fez os dois golos do Benfica no Jamor (Foto: Lusa/José Sena Goulão)
Caroline Moller fez os dois golos do Benfica no Jamor (Foto: Lusa/José Sena Goulão)

Festa no Jamor termina com o 'tri' do Benfica na Taça de Portugal (crónica)

FC Porto, campeão da 2.ª divisão, foi um valente adversário, mas não parou a hegemonia nacional que as águias vão construindo sobre o futebol feminino português

Que bonita pode ser a festa do futebol. Foi logo percetível que o Clássico na final da Taça de Portugal entre Benfica e FC Porto seria um dia memorável quando, horas antes do jogo, adeptos de Benfica e FC Porto conviviam juntos. Familiares, amigos, todos fãs de futebol a partilharem o gosto pelo desporto, sem a necessidade de haver separações de cores. Cada um envergava as suas, sem medo de represálias, vivendo o desporto com respeito e alegria, tal como este deve ser vivido.

Convívio entre adeptos de Benfica e FC Porto (Foto: Filipe Amorim/FPF)

Jogos de cartas, cervejas, pães com chouriço e bifanas: todos partilharam aquilo que torna o Jamor especial entre si. Mesmo nas bancadas, alguns adeptos, entre os 22.258 que se deslocaram ao Estádio Nacional, estavam misturados entre si e ninguém estranhou. Já na tribuna presencial, André Villas-Boas e Rui Costa não assistiram ao jogo lado a lado, tendo, entre si, Pedro Proença e o Presidente a República, António José Seguro.

Villas-Boas, Pedro Proença, António José Seguro e Rui Costa (Foto: FPF)

À cerimónia de abertura pirotécnica, e com Mimicat a cantar A Portuguesa, seguiu-se um jogo bem disputado entre duas equipas que prometem abrilhantar a próxima edição da Liga BPI, quando o FC Porto lá marcar presença pela primeira vez na história.

Sangue nas veias

O Benfica entrou com tudo, procurando tirar vantagem de estar mais habituado a jogos de alta pressão – este era invariavelmente o maior jogo da curta história de dois anos desta equipa do FC Porto. Raysla testou (1’) a atenção de Cora Brendle a abrir, antes de Caroline Moller (e do VAR) entrar em ação.

Num lance de insistência, a dinamarquesa foi sagaz na desmarcação e desviou a bola de Brendle, que saíra da baliza, para o fundo da mesma. O golo (4’) foi, primeiro, invalidado por fora de jogo, mas o VAR confirmou que estava aberto o marcador.

Foto: FPF

Cora Brendle foi muitas vezes chamada ao serviço, e respondeu quase sempre da melhor maneira, mantendo o FC Porto em jogo. Apesar de, como já era esperado, o Benfica controlar a possa de bola, este não foi um jogo de sentido único. Aliás, mal se notava que uma das equipas esteve esta época na 2.ª divisão nacional.

Lena Pauels esteve irrepreensível a suster as tentativas de Lily Bryant (14’) e de Karoline Lima (35’), o que permitiu ao Benfica, e a Caroline Moller, voltarem a marcar

Num canto batido por Anna Gasper, Diana Silva desviou a bola de cabeça e Moller, mais uma vez com uma desmarcação mortífera, atirou (40’) para aumentar a vantagem em cima do intervalo - durante o qual, Kika Nazareth chamoua a tenção de muitos adeptos, tanto de Benfica e de FC Porto, que queriam uma foto com a craque do Barcelona.

A terceira para abrilhantar o 'hexa'

Lena Pauels garantiu que o FC Porto não sonhava com uma reviravolta ao defender um remate colocado de Eliza Turner, que acabou por ser a melhor oportunidade do FC Porto no jogo. O Benfica conseguiu suster os ataques adversários e controlar a partida até ao final.

Foto: FPF

À sexta ida à final da Taça, o Benfica conquistou a prova rainha pela terceira vez e termina da melhor forma uma época que confirmou o domínio nacional, com a conquista do hexacampeonato. De resto, as únicas derrotas da época com adversários portugueses em 2025/26 foram com o Torreense, na Supertaça, e o SC Braga na Taça da Liga.

Já o FC Porto pode sair do Jamor de cabeça erguida. Nunca se notou que se tratava de uma equipa de 2.ª divisão e bateu-se de igual para igual com o Benfica, nunca deixando que o adversário ficasse totalmente confortável, ainda que tenha tido dificuldades em incomodar Lena Pauels em mais ocasiões.

A festa da Taça

As jogadoras do FC Porto foram muito aplaudidas pelos seus adeptos após o jogo, assim como quando subiram `tribuna presidencial, para receberem as medalhas de 2.º classificadas da Taça.

As azuis e brancas ficaram depois a assistir à cerimónia de entrega da Taça ao Benfica, até a capitã encarnada, Pauleta, levantar o troféu, para gáudio dos adeptos encarnados presentes no Jamor.

A iniciar sessão com Google...