Fernando Alonso, piloto da Aston Martin      Fotografia Imago
Fernando Alonso, piloto da Aston Martin Fotografia Imago

Fernando Alonso não recua nas críticas: «Todos sabemos de quem estamos a falar»

Bicampeão mundial, que tem amargado as últimas posições neste ano com a Aston Martin, esteve envolvido numa disputa na pista com Alex Albon, da Williams, no último domingo, durante o Grande Prêmio dos Estados Unidos e reforçou os lamentos sobre os pilotos de «baixo nível» na Fórmula 1

Fernando Alonso reiterou as duras críticas que apontou aos padrões de pilotagem no pelotão da Fórmula 1, na sequência do incidente com Alexander Albon na primeira volta do Grande Prémio dos Estados Unidos, em Austin.

O toque do piloto da Williams no Circuito das Américas custou ao espanhol uma perda considerável de apoio aerodinâmico, de acordo com o diretor de operações de pista da Aston Martin, Mike Krack. Na altura, Alonso afirmou que o ritmo do monolugar era suficiente para discutir os pontos, mas disparou contra a qualidade no terço inferior da grelha. Durante o dia dedicado aos órgãos de comunicação social na Cidade do México, o bicampeão do mundo garantiu que mantém a posição assumida no Texas.

«Não sei se é um terço da grelha, porque depois vi algumas notícias a tentar apontar oito ou sete pilotos. Não sou específico quanto ao número, mas penso que todos sabemos de quem estamos a falar e quem se sentiu atingido por esse comentário», explicou o espanhol.

«Isso diz tudo, por isso continuo a pensar o mesmo. Foi um erro desnecessário e continuo a achar difícil entender qual foi a oportunidade que o Alex viu naquele momento. Mas não é apenas Austin. Infelizmente, estive nessa parte da corrida durante toda a temporada, por isso vejo coisas a partir do carro que não vos posso contar», prosseguiu Alonso.

Questionado sobre se os padrões de pilotagem têm vindo a degradar-se ao longo do tempo, o veterano asturiano esclareceu que o cenário é o mesmo de sempre, embora tenha apontado os desafios inerentes aos monolugares menos competitivos.

«Penso que tem sido a mesma coisa ao longo dos anos. Obviamente, quando estás no fundo da grelha, os carros são mais difíceis de pilotar. Têm menos aderência e os erros surgem com mais frequência porque não tens o ambiente sob controlo. O carro não é dócil, logo cometes mais erros. Mas sinto que todos os incidentes na primeira volta, todos os toques, todas as asas dianteiras que voam, todo esse tipo de coisas não são necessárias. Especialmente se estás a lutar por nada no fundo da grelha», frisou.

Alonso abordou igualmente a questão financeira, lembrando o impacto dos danos no limite orçamental — tema que o diretor de equipa da Williams, James Vowles, tem insistido em rever. «Há também o teto orçamental a juntar-se a este problema, mas se as equipas deles estão satisfeitas com o teto de custos e em partir peças em todas as corridas, para eles está tudo bem.»

Para o espanhol, a responsabilidade de travar estes incidentes cabe aos próprios pilotos e não aos comissários da FIA. «Não creio que seja trabalho dos comissários, a não ser que haja algo claramente perigoso. Portanto, não faz parte da função deles. Tem apenas a ver com a ambição que esses pilotos têm e com o que desejam para o futuro. Se querem permanecer na Fórmula 1 por mais tempo, se querem ter uma oportunidade de chegar a uma equipa de topo, ou se estão satisfeitos por bater», concluiu.

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