A nova face da estátua de Wade junto ao Kaseya Center
A nova face da estátua de Wade junto ao Kaseya Center

Tal como com Ronaldo no aeroporto do Funchal, Heat apresentam versão corrigida da estátua de Dwyane Wade

Clube de Miami, com a aprovação do ex-jogador, reformularam a cara da estátua do base que foi três vezes campeão em Miami. Tudo foi montado em dois duas e revelado esta sexta-feira

Dois anos após a inauguração da controversa estátua de homenagem a Dwyane Wade, no exterior da frente do Kaseya Center, pavilhão dos Miami Heat, a peça foi alvo de uma profunda remodelação, ou melhor, a cara do antigo base três vezes campeão pelo clube (2005/06, 2011/12, 2012/13). Os Heat anunciaram esta sexta-feira a substituição da cabeça da escultura de cerca de 2,4 metros, com o objetivo de captar de forma mais fiel os traços do histórico jogador.

Isto depois da versão original ter gerado uma onda imediata de críticas e contestação por parte dos adeptos devido à quase nula parecença facial com a lenda da equipa e membro do Basketball Hall of Fame, figura central da história da formação da Flórida.

Perante a reação pública, os Heat revelaram imagens da estátua com uma nova cabeça, concluída nos últimos dias após intervenções resguardadas por uma estrutura de madeira para evitar a visualização precoce dos trabalhos. Produzida em Chicago, a nova peça foi instalada ao longo de dois dias, entre terça e quarta-feira desta semana, seguindo-se um minucioso trabalho de acabamento para nivelar a tonalidade do bronze com o restante corpo da estátua que se encontra no exterior há duas temporadas.

A iniciativa partiu do próprio franchise, que contactou há mais de um ano os escultores originais, Omri Amrany e Oscar León, do reputado Rotblatt Amrany Studio. Como se referiu, a restante estrutura corporal permaneceu inalterada, tendo sido substituída apenas a cabeça para melhorar as feições do antigo extremo-base.

«Depois de ver a obra em escala real e no seu ambiente permanente, identificámos oportunidades para reforçar o retrato», explicaram Amrany e León através de um comunicado conjunto. «Decidimos que a importância de Dwyane justificava fazer esses refinamentos, em vez de aceitarmos algo que acreditávamos poder ser melhorado. Sentimos fortemente que fazer esse investimento era o mais acertado.»

Apesar de ter defendido publicamente a obra original em outubro de 2024, sustentando na altura que se tratava de uma «versão artística de um momento» e não de uma cópia literal da sua imagem, Dwyane Wade veio agora esclarecer a mudança de postura num texto publicado esta sexta-feira na plataforma Substack, assumindo ter dado luz verde às alterações. «No início, era difícil não me sentir protetor, porque passei muito tempo envolvido no processo. Sabia o trabalho, o cuidado e a intenção depositados em toda a criação e, por isso, sentia uma ligação real. Quando conheces tudo o que esteve por trás, é fácil defender a obra. Mas, com o tempo, tive de dar um passo atrás e perceber que a estátua não me pertence apenas a mim», escreveu o antigo internacional norte-americano.

Wade, de 44 anos e retirado da competição desde 2018/19, após 14 épocas e meia das 16 que actuou na NBA, sublinhou igualmente que a decisão não visou desvalorizar a criação inicial. «Isto não tem a ver com apagar o trabalho que já foi feito ou desrespeitar os artistas que dedicaram o seu tempo e talento a criá-lo. Trata-se de estar disposto a ouvir. É sobre reconhecer quando algo tem significado para mais pessoas além de nós próprios e ter a abertura necessária para revisitar essa obra.»

A obra, descerrada originalmente em outubro de 2024, imortaliza o célebre momento do lançamento decisivo a 9 de março de 2009 — durante a sexta temporada do jogador na NBA —, um dos mais emblemáticos da carreira do jogador, o final de um jogo diante dos Bulls, em março de 2009, quando Wade converteu o lançamento decisivo no soar da buzina após dois prolongamentos e subiu para a mesa junto ao campo a gritar: «Esta é a minha casa» perante o delírio do público. Se a linguagem corporal remetia para o lance histórico, as feições do rosto geravam estranheza generalizada.

O antigo jogador salientou ainda a relação da obra com o público: «Pertence também a Miami. Pertence aos adeptos que estiveram lá durante toda a minha carreira e às pessoas que continuam a parar todos os dias fora do pavilhão para tirar uma fotografia. Pertence às famílias que a incluem na ida a um jogo dos Heat e aos miúdos que nem eram vivos naqueles momentos, mas sabem o que aquela pose representa. Acabei por fazer a mim próprio uma pergunta simples: se as pessoas não sentem essa ligação quando olham para o rosto, por que razão não havíamos de tentar melhorá-lo? Por isso, ouvimos, tivemos conversas honestas com todos os envolvidos e concordámos em fazer ajustes na cabeça.»

«Então ouvimos. Voltámos ao trabalho. E fizemos os ajustes. Espero que, quando as pessoas a virem agora, vejam uma parecença melhor comigo. Mas mais do que isso, espero que se vejam a si mesmas. Porque pode ser a minha imagem, mas será sempre a nossa casa», concluiu o emblemático jogador.

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