Tal como com Ronaldo no aeroporto do Funchal, Heat apresentam versão corrigida da estátua de Dwyane Wade
Dois anos após a inauguração da controversa estátua de homenagem a Dwyane Wade, no exterior da frente do Kaseya Center, pavilhão dos Miami Heat, a peça foi alvo de uma profunda remodelação, ou melhor, a cara do antigo base três vezes campeão pelo clube (2005/06, 2011/12, 2012/13). Os Heat anunciaram esta sexta-feira a substituição da cabeça da escultura de cerca de 2,4 metros, com o objetivo de captar de forma mais fiel os traços do histórico jogador.
Isto depois da versão original ter gerado uma onda imediata de críticas e contestação por parte dos adeptos devido à quase nula parecença facial com a lenda da equipa e membro do Basketball Hall of Fame, figura central da história da formação da Flórida.
“It may be my likeness, but it will always be our house.” - @DwyaneWade A closer look at the enhancements to his statue. https://t.co/VmcBYsEzDK
— Miami HEAT (@MiamiHEAT) October 30, 2026
Perante a reação pública, os Heat revelaram imagens da estátua com uma nova cabeça, concluída nos últimos dias após intervenções resguardadas por uma estrutura de madeira para evitar a visualização precoce dos trabalhos. Produzida em Chicago, a nova peça foi instalada ao longo de dois dias, entre terça e quarta-feira desta semana, seguindo-se um minucioso trabalho de acabamento para nivelar a tonalidade do bronze com o restante corpo da estátua que se encontra no exterior há duas temporadas.
A iniciativa partiu do próprio franchise, que contactou há mais de um ano os escultores originais, Omri Amrany e Oscar León, do reputado Rotblatt Amrany Studio. Como se referiu, a restante estrutura corporal permaneceu inalterada, tendo sido substituída apenas a cabeça para melhorar as feições do antigo extremo-base.
«Depois de ver a obra em escala real e no seu ambiente permanente, identificámos oportunidades para reforçar o retrato», explicaram Amrany e León através de um comunicado conjunto. «Decidimos que a importância de Dwyane justificava fazer esses refinamentos, em vez de aceitarmos algo que acreditávamos poder ser melhorado. Sentimos fortemente que fazer esse investimento era o mais acertado.»
Apesar de ter defendido publicamente a obra original em outubro de 2024, sustentando na altura que se tratava de uma «versão artística de um momento» e não de uma cópia literal da sua imagem, Dwyane Wade veio agora esclarecer a mudança de postura num texto publicado esta sexta-feira na plataforma Substack, assumindo ter dado luz verde às alterações. «No início, era difícil não me sentir protetor, porque passei muito tempo envolvido no processo. Sabia o trabalho, o cuidado e a intenção depositados em toda a criação e, por isso, sentia uma ligação real. Quando conheces tudo o que esteve por trás, é fácil defender a obra. Mas, com o tempo, tive de dar um passo atrás e perceber que a estátua não me pertence apenas a mim», escreveu o antigo internacional norte-americano.
Wade, de 44 anos e retirado da competição desde 2018/19, após 14 épocas e meia das 16 que actuou na NBA, sublinhou igualmente que a decisão não visou desvalorizar a criação inicial. «Isto não tem a ver com apagar o trabalho que já foi feito ou desrespeitar os artistas que dedicaram o seu tempo e talento a criá-lo. Trata-se de estar disposto a ouvir. É sobre reconhecer quando algo tem significado para mais pessoas além de nós próprios e ter a abertura necessária para revisitar essa obra.»
A obra, descerrada originalmente em outubro de 2024, imortaliza o célebre momento do lançamento decisivo a 9 de março de 2009 — durante a sexta temporada do jogador na NBA —, um dos mais emblemáticos da carreira do jogador, o final de um jogo diante dos Bulls, em março de 2009, quando Wade converteu o lançamento decisivo no soar da buzina após dois prolongamentos e subiu para a mesa junto ao campo a gritar: «Esta é a minha casa» perante o delírio do público. Se a linguagem corporal remetia para o lance histórico, as feições do rosto geravam estranheza generalizada.
O antigo jogador salientou ainda a relação da obra com o público: «Pertence também a Miami. Pertence aos adeptos que estiveram lá durante toda a minha carreira e às pessoas que continuam a parar todos os dias fora do pavilhão para tirar uma fotografia. Pertence às famílias que a incluem na ida a um jogo dos Heat e aos miúdos que nem eram vivos naqueles momentos, mas sabem o que aquela pose representa. Acabei por fazer a mim próprio uma pergunta simples: se as pessoas não sentem essa ligação quando olham para o rosto, por que razão não havíamos de tentar melhorá-lo? Por isso, ouvimos, tivemos conversas honestas com todos os envolvidos e concordámos em fazer ajustes na cabeça.»
«Então ouvimos. Voltámos ao trabalho. E fizemos os ajustes. Espero que, quando as pessoas a virem agora, vejam uma parecença melhor comigo. Mas mais do que isso, espero que se vejam a si mesmas. Porque pode ser a minha imagem, mas será sempre a nossa casa», concluiu o emblemático jogador.