Fermín López leva o Barcelona à reviravolta em Madrid
MADRID — Diego Simeone e Hansi Flick voltaram a encontrar-se, prolongando o particular duelo travado nas duas temporadas anteriores. O saldo dos confrontos diretos é favorável ao técnico alemão — seis vitórias, três derrotas e um empate —, mas Simeone é, entre os vários treinadores, quem mais vezes bateu o Barça desde a chegada de Flick. Na época passada, causou-lhe mesmo um enorme desgosto ao eliminá-lo da Liga dos Campeões e da Taça do Rei. Desta vez, os dois técnicos disputavam nada menos do que a liderança da La Liga, com José Mourinho intrometido na luta e a colocar pressão após o triunfo do Real Madrid em Valência.
Para este clássico do futebol espanhol, as duas equipas apresentaram-se na máxima força, embora com duas ausências de peso: Rodrigo, no meio-campo do Barça, e Romero, no eixo da defesa do Atlético. Marc Bernal e Hancko foram os respetivos substitutos. Tirando estas alterações forçadas, não houve surpresas nos onze iniciais, com todas as atenções viradas para Julián Alvarez — no último verão manteve um namoro muito adiantado com o Barça que acabou em nada, mas os adeptos colchoneros ainda não esqueceram o episódio.
Apesar da derrota a meio da semana frente ao Bayern de Munique, o Metropolitano esteve a rebentar pelas costuras, com uma assistência recorde e um ambiente extraordinário, marcado pelo profundo respeito prestado na homenagem póstuma à memória do falecido jogador do Tenerife, Jesús de Miguel.
O início da partida foi trepidante, sobretudo por parte do Atlético, apostado em surpreender o rival nos primeiros minutos. Julián Alvarez apareceu isolado, mas perdeu o frente a frente com o guarda-redes Joan García; logo a seguir, Pubill atirou à barra, feito que o Barcelona repetiu num remate de Pedri.
Perto dos dez minutos, surgiu o golo do Atlético: Kang-in Lee, na direita, desfez-se de Cancelo e cruzou para a ala oposta; Julián Alvarez recolheu a bola, viu Giuliano e assistiu o filho de Simeone, que bateu o guardião catalão. O guarda-redes ainda repreendeu o lateral português por não ter travado a jogada na génese — lance que se repetiria pouco depois, mas sem consequências.
Sem grande fluidez de jogo, o Barcelona reagiu aos poucos. Fosse por iniciativa própria ou por empurrão do adversário, o Atlético recuou e defendeu demasiado junto da sua área, pagando caro por isso: em cima do intervalo, e apesar de cercado, Fermín encontrou um espaço curto para desferir um remate certeiro de pé esquerdo que Oblak não conseguiu travar, fixando o empate com que terminou uma grande primeira parte disputada a ritmo alto.
Flick surpreendeu ao deixar Fariñas nos balneários e ao colocar Frenkie de Jong como lateral-direito — posição onde nunca havia jogado nos seus oito anos de Barça. O arranque da segunda parte nada teve a ver com o da primeira: o Atlético acusou o golo sofrido e, receoso, remeteu-se à defesa, ficando à mercê de um domínio constante apenas interrompido por um contra-ataque esporádico.
Nele, Julián Álvarez voltou a isolar-se, mas definiu mal ao tentar um chapéu a Joan García que saiu por cima. Sentia-se que o segundo golo do Barça era uma questão de tempo, e a reviravolta consumou-se graças a um passe de rotura magnífico de Lamine Yamal para Fermín, que não perdoou e voltou a bater Oblak. Yamal não marcou, mas espalhou o perigo e assistiu com classe.
O segundo golo sentenciou a partida. Nem com as alterações o Atlético deu mostras de conseguir chegar ao empate; o Barça, tranquilo e com a posse controlada, geriu o ritmo até ao apito final, somando três pontos que o mantêm no topo da tabela.
O Atlético, que chegou a ser líder virtual enquanto esteve em vantagem, teve de se conformar com o desaire — o segundo em quatro dias em casa própria —, um desfecho dececionante para uma equipa que prometia muito, mas que volta a semear dúvidas para o futuro. Já João Cancelo assinou uma exibição apagada: pouco seguro a defender e sem influência ofensiva, acabou substituído ao quarto de hora da segunda parte.