Federações pedem substituição do presidente por suspeitas de má gestão
Várias federações nacionais de esqui manifestaram a sua oposição à continuidade de Johan Eliasch como presidente da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), citando preocupações com a gestão financeira e a falta de transparência da organização.
A contestação surge poucas semanas após a confirmação de Eliasch como candidato às eleições, que decorrerão em Belgrado, na Sérvia, entre 10 e 11 de junho. Noruega, Estados Unidos, Áustria, Alemanha, Espanha, Suíça e Canadá uniram-se para enviar uma carta à FIS, expressando sérias reservas sobre a direção atual.
Ula Keil, secretária-geral da Federação Norueguesa de Esqui, resumiu o descontentamento em declarações ao Skiforbundet: «Acreditamos que o atual presidente, Johan Eliasch, não deve continuar a liderar a FIS. As razões incluem a falta de transparência e de diálogo, bem como o uso de fundos partilhados, que está a esgotar as reservas da organização e a minar a reputação do esqui internacional».
A carta conjunta destaca a situação financeira da federação, que se «deteriorou significativamente» desde que Eliasch assumiu o cargo em 2021. «Proteger e melhorar a sustentabilidade financeira a longo prazo da organização deve, portanto, ser uma prioridade partilhada. Apenas uma FIS financeiramente estável e gerida de forma responsável será capaz de salvaguardar as distribuições existentes e, idealmente, reforçar ainda mais os mecanismos de apoio às federações nacionais no futuro», escreveram as partes interessadas.
As críticas estendem-se também aos processos internos. Um exemplo citado foi a partilha do orçamento com o Conselho da FIS menos de 24 horas antes da reunião. «Infelizmente, este não é um incidente isolado, mas parte de um padrão mais amplo que se desenvolveu ao longo do tempo e que causou preocupações muito fortes sobre a governação da FIS», revela a carta, que acrescenta que a informação partilhada tem sido «muitas vezes incompleta ou tardia».
Recorde-se que, em 2022, Eliasch foi reeleito sem oposição, mas agora enfrenta um cenário diferente, com muitos a rejeitarem a sua candidatura a um terceiro mandato. O atual presidente não obteve o apoio do seu país de origem, a Suécia, nem do seu país de adoção, o Reino Unido, cuja federação apresentou a sua própria diretora executiva, Victoria Gosling, para o cargo.
Numa manobra estratégica, o empresário obteve a cidadania georgiana, conseguindo assim o apoio da nação transcaucasiana e contornando a regra da FIS que exige que os candidatos possuam um passaporte da nacionalidade da associação que os nomeia.
Apesar da contestação, o grupo de federações mostra-se otimista com as alternativas, destacando a presença de «quatro novos candidatos muito respeitados à presidência: Vicky Gosling, Anna Harboe Falkenberg, Alex Ospelt e Dexter Paine». O grupo sublinha: «Estamos totalmente convencidos de que precisamos de uma mudança para que a FIS e as federações nacionais tenham credibilidade e um futuro positivo para os nossos desportos e atletas».