Polémica entre técnicos e dirigentes da Federação Nacional de Karaté - Portugal (foto FNK-P)

Federação de Karaté desvaloriza demissão de técnicos e aponta violação de regulamentos

Técnicos Estevão Trindade, Filipe Fernandes, Nuno Moreira e Paulo Azevedo alegam intromissão da direção do organismo na elaboração das convocatórias e ocorre em vésperas do Campeonato da Europa. Vice-presidente, José Chagas, negou ingerência nas escolhas

A Federação Nacional de Karaté - Portugal (FNK-P) reagiu à demissão em bloco da equipa técnica da seleção de kumite, acusando-a de violar persistentemente os regulamentos em vigor. A saída dos técnicos Estevão Trindade, Filipe Fernandes, Nuno Moreira e Paulo Azevedo ocorre em vésperas do Campeonato da Europa.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da FNK-P, José Chagas, negou qualquer tipo de ingerência nas escolhas. «Aqui não há separações, nem nenhuma ingerência em qualquer tipo de trabalho do corpo técnico. Há diretrizes da direção», afirmou, sublinhando que a direção tem o dever de dirigir, para o qual foi eleita.

A equipa técnica demissionária havia acusado a direção de «coação» e «pressão» na elaboração das convocatórias, o que, segundo eles, comprometia a sua «liberdade» para trabalhar com «isenção e profissionalismo». No entanto, Chagas, que substitui o presidente Carlos Silva, afastado por problemas de saúde, contrapõe que a responsabilidade dos selecionadores é clara: «Cabe aos selecionadores, de acordo com o ranking e com o regulamento de seleções, escolher as melhores para representarem Portugal. É tarefa e competência deles. Nós não podemos interferir. Desde que cumpram o regulamento em vigor, nós direção só temos de aceitar».

O dirigente revelou que o conflito não é novo, afirmando que, «desde a primeira convocatória», a equipa técnica desrespeitou as diretrizes federativas. «Decidiram contrariar as indicações da direção, escolhendo os atletas que queriam», explicou, acrescentando que a FNK-P sempre insistiu no cumprimento do regulamento de seleções. Este incumprimento, segundo Chagas, poderia acarretar «problemas futuros, talvez em tribunal» para a federação.

Quanto à acusação de que a direção tentou incluir na convocatória para o Europeu três atletas sob alçada disciplinar, o vice-presidente esclareceu que está a decorrer um «processo de averiguação» sobre queixas mútuas entre treinadores e atletas, não existindo ainda qualquer processo disciplinar formal.

Apesar da controvérsia, a FNK-P já apresentou uma convocatória para o Europeu, que se realiza em Frankfurt de 20 a 24 de maio, composta por karatecas que «reuniram disponibilidade e condições de participação». José Chagas admitiu que vários atletas se indisponibilizaram, uns por «solidariedade» com os técnicos demissionários e outros por razões financeiras, uma vez que a federação, num «momento financeiro menos favorável», pediu aos atletas que comparticipassem os custos do voo.

Na vertente de kata, o dirigente assegurou que a situação está normalizada e a decorrer «cumprindo com os regulamentos e a lei», desvalorizando as queixas do atleta Afonso Venes contra o selecionador Jorge Peixeiro. Apesar dos contratempos, a FNK-P acredita que a seleção presente nos europeus de kumite e kata tem condições para alcançar bons resultados.

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