Jan Bednarek marcou o primeiro golo do FC Porto (Foto: Rogério Ferreira/Kapta+)
Jan Bednarek marcou o primeiro golo do FC Porto (Foto: Rogério Ferreira/Kapta+)

FC Porto, o estilo do campeão

O minuto 22 do clássico de Alvalade é um desses momentos que passam despercebidos num campeonato, mas se calhar dizem-nos muito dele.

O FC Porto é campeão nacional. Os azuis e brancos confirmaram à primeira oportunidade aquilo que se previa desde o empate com o Sporting e, acima de tudo, após o triunfo sobre o SC Braga nesta segunda volta. É verdade que ainda empatou com o Famalicão, mas a consistência dos dragões, sobretudo a defensiva, foi a chave para um sucesso inesperado para quem terminou a época passada como terminou.

André Villas-Boas deu ordem para se revolucionar plantel, foi buscar um treinador que trazia tanto de bom como de dúvida, mas o risco compensou porque o FC Porto recuperou algumas das coisas que o levaram ao êxito na era de Pinto da Costa. Nem todas boas, é verdade, mas isso foi mais fora de campo do que dentro, pois ninguém duvida da competência que a equipa de Farioli teve ao longo de mais de 30 jornadas.

O FC Porto entrou em Alvalade à 4.ª jornada com os mesmos pontos do bicampeão Sporting (e do Moreirense). E, mesmo tão distante no tempo, esse é um jogo que define bem o novo campeão português. Há momentos despercebidos num campeonato, mas que podem ser tão decisivos como outros que todos lembram.

O minuto 22 do clássico de Alvalade foi mais que uma simples jogada, foi a identidade deste dragão em cima do relvado do rival. O Sporting saiu num contra-ataque com três jogadores para um defesa azul e branco. A probabilidade de golo aumentava à medida que o trio leonino cavalgava com a bola desde o meio campo até à área, mas quando Pedro Gonçalves rematou, apareceu Alberto Costa a evitar que a bola chegasse sequer ao perímetro de Diogo Costa.

Aquela imagem, de uma equipa a recuperar para evitar um golo que parecia certo, marcou um estilo portista muito próprio que, sem ser brilhante, deu para ganhar jogos de forma tranquila e outros em que a qualidade técnica não surgiu. O FC Porto podia não ser brilhante, mas foi sempre físico e abnegado. É campeão porque não teve a inconstância exibicional de Benfica e Sporting. Depois, teve figuras novas que souberam estar à altura do passado. Froholdt era desejado ainda nos tempos de Anselmi e é, talvez, o nome que mais sobressai na temporada, mas para mim é a figura de Bednarek que emerge.

Na temporada em que perdeu Jorge Costa, uma das suas maiores personalidades, o FC Porto teve no polaco um homem que soube liderar em campo, à imagem do Bicho, alguém que pouco se importou com o estilo, mas sim com a vitória.

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