FC Porto: estatística sugere mexida no ataque
Quando Samu sofreu uma lesão grave no ligamento cruzado anterior do joelho direito no clássico do campeonato frente ao Sporting, em fevereiro, soou o alarme para as bandas do Dragão pelo facto de perder o seu máximo goleador para o resto da temporada, uma lacuna que deixou o ataque à mercê de Deniz Gul e também do reforço Moffi, cedido pelos franceses do Nice até junho.
O ponta de lança espanhol viu o infortúnio bater-lhe à porta e deixá-lo afastado da competição durante largos meses, mas também disse adeus ao Campeonato do Mundo do verão, ele que deveria ser chamado por Espanha para o evento desportivo a realizar nos Estados Unidos, Canadá e México.
Francisco Farioli procurou desde sempre passar uma imagem de tranquilidade sobre o assunto, transmitindo publicamente a máxima confiança em Deniz Gul, que tinha mais rotinas de jogo com a equipa do que Moffi, mas a verdade é que o tempo mostrou que o internacional turco não trouxe poder de fogo ao ataque portista desde o afastamento inesperado de Samu do onze.
O operário sem golo
Desde que foi chamado à titularidade para suprir a lesão de Samu, Deniz Gul já realizou seis jogos consecutivos para o campeonato e não conseguiu marcar nenhum golo, nem sequer assistir um companheiro. O peso que tem sobre os ombros de substituir um goleador como Samu é uma enorme responsabilidade e o seu desempenho nas quatro linhas não está a corresponder — não marca para a Liga desde outubro do ano passado.
O internacional turco, de 21 anos, parece não estar a aproveitar as oportunidades concedidas por Francesco Farioli, que vê no jovem um avançado com bons apontamentos técnicos, operário na verdadeira aceção da palavra, mas os números não mentem e mostram que se trata de um ponta de lança com pouco golo.
Numa equipa com a dimensão do FC Porto é necessário ser mais letal nas balizas adversárias e Deniz Gul não o tem conseguido, não obstante não haver nada a apontar-lhe do ponto de vista do compromisso com o coletivo. Antes pelo contrário. É uma má fase, mas os dragões precisam de golos para alcançarem os objetivos traçados no início da temporada e ainda estão a lutar em três frentes: campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa.
Quando assinou o contrato de empréstimo de seis meses com o FC Porto, Francesco Farioli sabia de antemão que Moffi chegaria ao Dragão sem a condição física ideal para pegar de estaca na equipa, tendo em conta os problemas com que se deparou com os adeptos do Nice que o obrigaram a parar e perder competitividade.
Mas, graças a um trabalho rigoroso implementado pela equipa técnica dos dragões, Moffi foi recuperando a condição física e já foi importante nesta fase decisiva da época com dois golos, o primeiro na vitória sofrida alcançada sobre o Arouca, no período de descontos, e no tento que abriu caminho à vitória, por 2-1, sobre o Estugarda, na primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa. Sempre que tem saltado do banco, o internacional nigeriano, que encontrou o compatriota Zaidu no balneário do Olival, tem acrescentado bastante à linha ofensiva dos azuis e brancos.
Em Braga trouxe dinamismo e vigor ao ataque do FC Porto, inclusive com um passe de morte para Fofana poder fazer o 1-3. O ponta de lança dá assim sinais de estar em clara retoma física e começa a apertar (e muito) Deniz Gul na luta pela titularidade. A paragem do campeonato ajudou-o a cimentar as rotinas da equipa e não será de descurar a sua titularidade com o Famalicão, até por Deniz Gul esteve na seleção da Turquia...