Favoritismo, força do FC Porto e respeito pela identidade: tudo o que disse Marco Silva
Marco Silva, treinador do Benfica, fez neste sábado a antevisão ao clássico com o FC Porto, da 7.ª jornada da Liga.
– Como antecipa o primeiro clássico da época?
– Antecipamos um jogo difícil como todos os clássicos, pela grandeza e objetivos das duas equipas. São sempre três pontos em disputa, mas por serem dois candidatos, é sempre um pouco mais importante, por tudo o que acarreta. Sendo fora, esperamos ainda um pouco mais dificuldades.
– Aursnes vai jogar e em que posição? E já agora, vai manter os quatro homens mais ofensivos que tem utilizado?
– Não vou dar o onze, ou parte dele, temos de esperar mais umas horas. O Fredrik tem vindo a melhorar, no último jogo foi titular e fez cerca de 60 minutos, que era o plano. Está muito melhor, a ganhar a condição que queremos que ele tenha. Sabemos que pode ser um bom lateral, mas será sempre um excelente médio. Por isso, se o pudermos usar na melhor posição dele, é o que vamos fazer sempre. Ele é polivalente, está preparado para jogar a lateral, fez os últimos minutos do último jogo [com o Gil Vicente] quando quisemos arriscar, mas quando entrou foi para médio.
– Espera um ambiente hostil no Estádio do Dragão?
– Esperamos um ambiente de Clássico fora de casa. Independentemente dos momentos, não há favoritos nestes jogos, mas há sempre pequenas vantagens. Há uma pequena vantagem por jogar em casa. O fator do apoio fervoroso é importante, mas será sempre uma coisa normal, se não passar dos limites. Outra vantagem é que o FC Porto teve a semana toda para preparar esta partida e nós não. Mas não entro na questão do favoritismo. Faz parte, estamos habituados.
– Quais considera os pontos fortes do FC Porto?
– Estamos a falar de uma equipa muito forte, que é o campeão nacional. É uma equipa muito sólida, agressiva com e sem bola. Na transição ofensiva tem características muito específicas com as quais pode ferir o adversário. No ataque posicional é muito claro aquilo que querem fazer e que fazem bem. Além disso, é uma equipa que tem resolvido muitos jogos na bola parada, em jogos que estão bloqueados. Não sofrem muitos golos, independentemente de o adversário criar ou não muitas oportunidades. Também porque tem um guarda-redes sempre em grande nível.
– O jogo da UEFA a meio da semana dá mais favoritismo ao FC Porto?
– Não pode ser por termos tido um jogo a meio da semana que o adversário ganha mais favoritismo. Quem estiver mais coeso e concentrado irá definir o jogo em detalhes. É o calendário, estava mais do que definido. Não sabíamos o adversário que teríamos na Liga Europa antes de visitar o Dragão. É verdade que vamos fazer o quinto jogo em cerca de 15 dias, sendo quatro desses jogos fora de casa. Mas não é desculpa absolutamente nenhuma. É melhor ter a semana limpa, mas tivemos e usámos o tempo da melhor forma possível.
– Esta sequência de bons resultados pode criar excesso de confiança nos jogadores do Benfica?
– De maneira nenhuma. Porque não vai acontecer também com o adversário. Eles ainda não perderam pontos no campeonato e só contra um adversário muito forte na Champions é que não conseguiram um bom resultado [derrota com o Manchester City]. É uma equipa que não mudou praticamente nenhum jogador do onze, e a nossa está num processo diferente. Não sei por que razão há de haver euforia da nossa parte e não do nosso adversário. Não fizemos absolutamente nada de especial para isso. Simplesmente temos vindo a crescer.
– Utilizando as palavras de Francesco Farioli, teme que aconteçam coisas estranhas na arbitragem do Clássico?
– O que são coisas estranhas na arbitragem? Tem de perguntar ao mister Farioli. Vou repetir exatamente o que foi dito há pouco pelo mister Farioli na conferência de imprensa: espero igualdade em todos os momentos do jogo. Que haja equilíbrio em todos os momentos do jogo. Foi o que foi dito e é aquilo que nós esperamos também.
– Uma vitória do Benfica pode embalar a equipa para a liderança?
– É um jogo muito importante para ambas as equipas, porque estão em confronto dois dos quatro candidatos ao título, mas nada decisivo na época.
– Enzo Barrenechea lesionou-se no treino, pode ser opção?
– Não consigo dizer se está indisponível para o jogo, estamos a analisar. Analisámos hoje [sábado] e domingo faremos outra avaliação . Todos os outros jogadores estão disponíveis para o jogo.
– O FC Porto faz uma pressão alta em muitos momentos e o Benfica teve dificuldades em lidar com isso frente ao St. Gallen. A equipa já está preparada para lidar melhor com isso?
– É verdade, o FC Porto tem uma pressão alta e marcação individual na primeira fase da nossa construção, e depois fecha-se num bloco médio baixo, em espera. Por vezes não é estranho ver outras equipas com longos períodos de posse de bola quando jogam no Dragão. Mas a nossa evolução desse primeiro jogo faz parte, tivemos alguns problemas na tomada de decisão, mas oito dias depois já conseguimos fazer muito bem.
– Sairia satisfeito com o empate?
– Percebo a questão, mas neste momento pensamos em ganhar o jogo. Não preparamos qualquer jogo sem ser para ganhar. O jogo tem muitas condicionantes, vai exigir coisas da nossa parte e da do adversário, mas claramente vamos para ganhar o jogo.
– Farioli impôs-se no futebol português aumentando muito a importância da fisicalidade no jogo. Vai ser preciso mudar alguma coisa na forma de jogar do Benfica neste jogo para combater essa característica?
– É uma das características da equipa. As características individuais dos jogadores também levam o jogo para esse caminho. Basta olhar para os três homens do meio-campo, também os alas e os centrais. Nós temos de estar preparados para aquilo que o jogo nos exigir. Nem sempre será possível jogar da forma como temos jogado, porque temos um adversário de qualidade do outro lado, mas queremos manter a nossa identidade. Tal como o FC Porto quer. Vamos tentar levar o jogo para onde somos mais fortes e tentar tirá-lo de onde o FC Porto está confortável.
– Espera um jogo com muitos golos, ou típico clássico em que quem marcar primeiro ganha?
– É uma bela questão à qual não sei responder. A exigência num clássico é tão alta que podemos achar que vai levar para um caminho e depois leva outro. Se vai ser com muitos ou poucos golos não sei. Mas gostava de ganhar sem sofrer golos. A minha resposta vai ser igual todas as semanas.
– Qual a importância da variabilidade de jogo contra um adversário direto?
– É importante termos os nossos caminhos para chegar ao nosso objetivo e não ter apenas um. Esperamos num momento inicial e começo de construção ter uma pressão alta do FC Porto, mas nós temos os nossos caminhos para lá chegar, seja numa construção mais curta, seja por outros caminhos. Foram aspetos que trabalhámos nestes dias. E temos de ser corajosos como temos sido, respeitando a nossa identidade e o trabalho que temos feito nos últimos três meses para ter a nossa identidade bem definida.