Santiago Gimenez marcou, de penálti, o golo que valeu o triunfo ao FC Porto - Foto: Imago
Santiago Gimenez marcou, de penálti, o golo que valeu o triunfo ao FC Porto - Foto: Imago

Farioli mudou tudo menos a cor das camisolas... (crónica)

Dragões apuram-se para a 'final four' com onze totalmente renovado na vitória sobre o Ac. Viseu (1-0). Revolução do treinador italiano implicou também aposta num 3x4x1x2 ao invés do habitual 4x3x3. Gimenez decidiu e ganhou pontos

Entre a obrigação de triunfar do FC Porto e a vontade de surpreender do Académico de Viseu, os azuis e brancos impuseram a lei do mais forte e venceram, por 1-0, desfecho que garante o apuramento para a final four da Taça da Liga.

Três dias após ter gelado Alvalade, vitória sobre o Sporting que escandalizou os leões e deixou Rui Borges na corda bamba, os viseenses — na anterior visita à capital já tinham importunado o Benfica com igualdade a dois — acabaram derretidos pelo fogo do dragão.

Pela segunda vez na atual temporada, o líder do campeonato marcou encontro com a equipa-sensação, depois do 3-0 favorável aos portistas na 4.ª jornada, a 29 de agosto, no Fontelo. Agora, noutra competição, festejaram na mesma os comandados de Francesco Farioli.

O italiano, que ontem somou o 50.º triunfo em 67 partidas oficiais no clube que guiou ao título em 2025/26, ficou a saber o que é ganhar na Taça da Liga, cuja estreia na época passada ficou assinalada com eliminação no Dragão aos pés do V. Guimarães, nos quartos de final.

Com espírito revolucionário, o técnico transalpino apostou em parentes mais afastados da famiglia que tanto elogia e mudou a totalidade do onze que defrontou o Gil Vicente no sábado. A revolução, porém, não se resumiu aos protagonistas, pois também o sistema tático sofreu alterações — o habitual 4x3x3 deu lugar a um 3x4x1x2 com as tais peças novas, mas oleado na organização defensiva e nas movimentações com bola.

À frente de Cláudio Ramos, Nehuén Pérez, sobre a direita, Smalling, no eixo, e Prpic, na esquerda. A toda a largura, Martim Fernandes, Inbeom Hwang, Alan Varela e Souza, atrás de Fofana, este no apoio a Gabriel Mec e Gimenez. O ponta de lança mexicano agarrou a oportunidade e mostrou que começa a estar pronto para concorrer em pé de igualdade com Samu e André Silva, um luxo se recordarmos que, em boa parte de 2025/26, o ataque do FC Porto esteve entregue a Deniz Gul e Terem Moffi.

Da marca dos 11 metros, Gimenez — a cruzamento de Souza, acertara no poste com brilhante desvio na área (25') — decidiu de penálti, aos 45', a castigar braço na bola de Gambor, na sequência de saída de Juan Soriano. O guarda-redes espanhol, suplente do brasileiro Ewerton, foi uma das nove trocas de Bruno Pinheiro em relação ao onze que iniciou o duelo de domingo diante do Sporting.

Em dia de estreia, o antigo portero do Leganés pode orgulhar-se de ter sido o melhor em campo, responsável por intervenções de excelência a remates de Gabriel Mec (69'), Martim Fernandes (74'), Gimenez (84') e Inbeom Hwang (89').

Capaz de se exibir com qualidade, não obstante as mudanças, mais um sinal do bom trabalho de Bruno Pinheiro, o Académico dispôs de duas ofertas, cortesia de Inbeom Hwang (8') e Alan Varela (65'), maus atrasos que Valery (atirou ao lado) e André Clóvis (defesa de Cláudio Ramos) desperdiçaram.

Se o futebol é feito de detalhes, o FC Porto escolheu o mais pequeno deles — um penálti — para selar presença na decisão de uma prova em que nem sempre está ligado.

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