Sistema do SNS em baixo impede médicos de passar receitas e consultar processos - Foto: António Pedro Santos/LUSA
Sistema do SNS em baixo impede médicos de passar receitas e consultar processos - Foto: António Pedro Santos/LUSA

Falha informática no SNS condiciona funcionamento dos hospitais em todo o país

Problema impede médicos de passar receitas e aceder aos processos eletrónicos dos doentes

Uma falha informática no Serviço Nacional de Saúde (SNS) afetou diversas unidades locais de saúde em todo o país na manhã desta segunda-feira, a partir das 10 horas. O problema impediu os médicos de emitir receitas e de consultar os registos clínicos dos doentes, gerando fortes constrangimentos no atendimento.

A denúncia foi feita pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM). A vice-presidente da estrutura sindical, Joana Bordalo e Sá, indicou que a paralisação do sistema já se arrastava há cerca de 25 minutos com impacto transversal: «Isto provavelmente é mesmo nacional, porque já tenho relatos da ULS São João, da ULS de Matosinhos, da ULS de Médio Ave e continuam a chegar mais relatos.»

O apagão tecnológico afetou diretamente o funcionamento da Prescrição Eletrónica Médica (PEM), que ficou totalmente inoperacional, e do Registo de Saúde Eletrónico (RSE). De acordo com imagens partilhadas pela FNAM, as tentativas de entrada na PEM devolveram a mensagem «não é possível aceder a esta página», enquanto o RSE apresentou o aviso «Não está ligado».

Em consequência da falha, vários utentes ficaram impossibilitados de realizar as suas consultas ou de receber vacinas agendadas. A impossibilidade de consultar o histórico clínico aumentou ainda a insegurança dos profissionais durante os atendimentos.

«Isto limita o nosso ato médico, é uma insegurança nas consultas que estamos a fazer, além de atrasar todo o nosso trabalho», sublinhou Joana Bordalo e Sá, que também lidera o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), exemplificando com o seu próprio caso em pleno consultório: «Estou em consulta neste momento e tenho a consulta toda atrasada por não estar a conseguir passar as receitas que os meus doentes precisam.»

A dirigente sindical responsabilizou diretamente a tutela e a ministra Ana Paula Martins pela falta de modernização e de condições adequadas de trabalho, apontando o dedo ao que considera ser um problema reiterado.

«Mais uma vez, isto é da responsabilidade inteira do Ministério da Saúde, de Ana Paula Martins, que não moderniza, não nos dá as ferramentas adequadas para conseguirmos completar um ato médico simples, como passar uma receita, como ter acesso ao processo eletrónico dos doentes», criticou, considerando o cenário «uma prova de falta de competência e de um modus operandi que continua a ser inaceitável no Serviço Nacional de Saúde».

Joana Bordalo e Sá lamentou ainda o impacto direto na população, frisando que «no fim, quem é prejudicado são sempre os mesmos, são os utentes, os milhares ou milhões de utentes que têm hoje uma consulta num centro de saúde ou num hospital por este país fora», e censurou o Ministério da Saúde por permanecer «impávido e sereno, sem tomar qualquer atitude» perante falhas sucessivas.

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