Francesco Farioli quer estrear-se a vencer na Champions - Foto: FC Porto
Francesco Farioli quer estrear-se a vencer na Champions - Foto: FC Porto

«Montanha para escalar», Bednarek, tabu sobre o lateral-esquerdo e o reencontro com o PSV: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez a antevisão ao jogo com o campeão dos Países Baixos

Depois das derrotas nas jornadas anteriores com o Manchester City e Betis, o FC Porto quer estrear-se a vencer na Liga dos Campeões e Francesco Farioli garantiu isso mesmo na conferência de imprensa de antevisão à receção ao PSV, amanhã, às 20h00, no Estádio do Dragão.

— No fim do último jogo, disse que o FC Porto já merecia ter pontuado. Tendo em conta que vai defrontar o tricampeão holandês, qual a importância de regressar ao Dragão?

— Regressar a casa é muito importante. Em relação aos dois jogos anteriores, já disse o que pensava. Acho que merecíamos mais em ambos. Competimos muito bem, mas não conseguimos os resultados que queríamos e merecíamos. Agora temos a oportunidade de voltar a casa. Sabemos que temos uma montanha para escalar, até porque amanhã vamos defrontar uma equipa tricampeã na Holanda. Muito respeito pelo que estão a fazer, mas temos de ter a confiança certa para, em frente aos nossos adeptos, conseguir um bom resultado.

— O FC Porto tem sofrido alguns golos nos últimos jogos. Em que é que o regresso do Bednarek pode dar mais tranquilidade?

— É verdade que nos últimos jogos temos sofrido mais do que estamos habituados. Se falarmos nos 0 pontos que temos, preferíamos ter os zero golos sofridos... Mas não fomos capazes de manter a baliza a zeros. Claro que o regresso do Bednarek é importante, mas penso que quem o substituiu nos outros dois jogos esteve bem. Foram dois jogos equilibrados contra dois adversários muito fortes. Agora ele está de volta e estamos felizes.

— A equipa tem criado pouco no ataque. Pondera fazer alterações?

— Não sei... Em relação a criarmos poucos... No jogo contra o Betis, tivemos várias oportunidades claras, só que não fomos suficientemente bons a finalizar. Espero que consigamos fazer o mesmo em termos de criação. O Santi [Giménez] entrou numa posição que não é a dele, mas teve um enorme impacto quando jogou, talvez até uma das melhores ocasiões, que o guarda-redes conseguiu travar. Aqui precisaremos de toda a gente. Toda a gente pode contribuir e ter um impacto se a atitude for a mesma de sempre.

— Zaidu começou a titular a temporada, Francisco Moura tem jogado agora. Está satisfeito com ele ao ponto de repetir a titularidade? Souza ainda não se estreou oficialmente...

— Temos uma situação com vários jogadores em momentos diferentes. O Zaidu está a voltar de lesão, o Souza veio muito tarde e em condições físicas não muito boas. E o Francisco está connosco há algum tempo e a fazer as coisas que precisamos. Temos o luxo de termos três jogadores que podem jogar e vão jogar. Todos estão ao serviço do grupo. E, claro, com tantos jogos que teremos pela frente terão todos um papel importante.

— Como vê o seu reencontro com o PSV tendo em conta o seu passado no Ajax?

— Conhecemos bem o PSV do tempo em que lá estávamos. Sabemos as qualidades que têm e vimos muitos jogos do passado recente. Sabemos que são muito bons. Nos últimos três anos, marcaram mais de 100 golos no campeonato. Os números são claros. Conquistaram o título com 20 pontos de vantagem... É sempre bom quando defrontamos jogadores que conhecemos, mas não há tempo de sentir outro tipo de emoções. Estamos aqui para vencer jogos e não interessa quem é o adversário. A abordagem não muda, queremos sempre o mesmo. Conhecemos o PSV, eles conhecem-nos, e amanhã vamos todos começar o jogo com o mesmo desejo e mentalidade.

— Conhece bem o Peter Bosz... O que reconhece ao treinador do PSV?

— Todas as suas equipas são bastante reconhecíveis. Têm uma identidade bastante clara, corajosa, jogam um futebol muito ofensivo. Já falei de alguns números que são impressionantes... Estão muito bem no campeonato e também na Liga dos Campeões. Em relação ao que esperamos... Sabemos bem o que esperar. Mas claro que há sempre pequenos pormenores e nuances relativas à abordagem. Duelos individuais, jogadores em certas posições... O Mauro Júnior a lateral-esquerdo pode dar certas dinâmicas, se jogar no meio-campo dá coisas diferentes... O Perisic a mesma coisa. De um ponto de vista individual e coletivo, vai ser um jogo desafiante.

— Os centrais do PSV têm bastante qualidade na saída com bola. Como pretende condicionar isso?

— É uma equipa com diferentes soluções na fase de construção, muita qualidade. Todos os centrais sabem combinar com passes curtos, encontrar passes longos ou varias o flanco com facilidade. Sabemos o que têm. Do nosso lado, vamos tentar ser o mais agressivos possível para remover esse tempo e espaço. E esse será um dos aspetos fundamentais para o jogo.

— Depois de sair da Holanda, parece que os adeptos passaram a sentir mais saudades... O que muda entre o futebol holandês e o português?

— Não sei... Vocês é que me estão a dizer o que se vê na Holanda. Acho que o futebol tem uma abordagem [diferente] nos dois países. Na Holanda, o campeonato destaca-se como o mais físico do top'5. E isso diz muito. Não interessa se os clubes mais pequenos jogam contra os maiores, há sempre o desejo de pressionar em todo o campo. E acho que essa é a maior diferença. Em Portugal, não é habitual ver blocos altos, especialmente contra as quatro ou cinco melhores equipas. Taticamente, aqui há mais noção defensiva, maior vontade de controlar o jogo. Na Holanda é um jogo mais aberto e com muitos duelos.

— Já venceu o Peter Bosz duas vezes...

— O passado é o passado. Clubes diferentes, jogadores diferentes... O que aconteceu, aconteceu. Isso não nos dá qualquer crédito ou vantagem para amanhã. Vai ser um jogo diferente e é isso que estamos a preparar. Sabemos quem somos e sabemos o que esperar dos jogadores que têm. Não podemos celebrar algo que já aconteceu há muito tempo.

— Sente falta de algo da Holanda?

—  Tenho memórias incríveis do clube [Ajax], da cidade. É um clube que amo, uma cidade que me deu muito e, claro, a ligação às pessoas que ainda lá estão. Algumas até me vieram visitar há não muito tempo. São ligações muito especiais. O futebol separou-nos, mas essas coisas ficam.

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