A Taça dos sonhos continua
A presente edição da Taça de Portugal tem uma aura especial e diferente, apesar de tudo, de todas as anteriores: a Prova Rainha sempre foi o palco dos sonhos dos mais pequenos, mas como estamos lembrados — e se não estivéssemos a performance do Torreense na UEFA Europa League disso se encarregaria —, a época passada permitiu a subida ao Olimpo do Jamor, pela primeira vez, de uma equipa de escalão secundário. E logo frente a uma das três potências dominadoras do futebol português e, por conseguinte, com elevado número de Taças de Portugal conquistadas.
Sabemos, diz-nos a história de quase 90 edições, que será muito difícil repetir o feito de há meses dos homens do Oeste. Mas além de permanecerem sonhos de pé à partida para os 1/16 avos de final, é de assinalar o equilíbrio vigente nos 1/32 avos disputados no fim de semana que passou.
Entraram em acção nesta eliminatória 14 equipas da Liga Betclic. Os representantes de Portugal na Europa (entre os quais o afamado Torreense) só chegam na próxima.
Sanjoanense (Nacional), Aves SAD (Moreirense), Fátima (Ac. Viseu), Tondela (Alverca), Mafra (Santa Clara) e Paredes (Famalicão) eliminaram seis destas 14 equipas, quase metade, e só Estoril e Arouca, por exemplo, sabem o que passaram para seguir em frente. Mais: em 27 jogos, apenas dois terminaram com mais de um golo de diferença.
Aos seis chamados tomba-gigantes (assumindo o termo apenas para quem afasta equipas da Primeira Liga) há a somar os feitos de Atlético, Vianense e Leça, equipas da Liga 3 que afastaram formações da Liga 2, e o sobrevivente Olhanense, único representante dos campeonatos distritais ainda em prova (às vezes parece mentira falar assim do Olhanense, que ainda ontem estava na principal Liga).
Nem tudo são maus sinais na competitividade do futebol português. E a Taça dos sonhos continua.