O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira,  na Cerimónia de Abertura da primeira edição da EXPOFUT — Foto: LIGA PORTUGAL
O presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, na Cerimónia de Abertura da primeira edição da EXPOFUT — Foto: LIGA PORTUGAL
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Uma economia que também joga

Liga para Todos é o espaço de opinião de André Mosqueira do Amaral, Diretor Executivo da Liga Portugal

Há cerca de 18 meses, troquei uma carreira construída na Banca pelo futebol profissional em Portugal. A linguagem não é tão diferente: capital, risco, retorno, governação e sustentabilidade pertencem aos dois mundos. Na abertura da EXPOFUT, Paulo Rios, administrador da AICEP, recordou que já em 2016 defendia o reconhecimento do futebol profissional como indústria relevante para a economia nacional.

Os números confirmam essa leitura. De acordo com os dados mais recentes, o setor alcançou 1.133 milhões de euros de receitas, contribuiu com 956 milhões para o PIB (mais 44% face ao ano anterior), gerou 288 milhões de euros em impostos e assegurou mais de 6.000 postos de trabalho. Esta dimensão nasce de uma cadeia de valor que inclui direitos audiovisuais, exploração comercial, transferências, tecnologia, infraestruturas e serviços especializados.

Foi para abrir esta indústria ao capital e ao conhecimento que realizámos, em abril, o Investors Day. Recebemos mais de duas dezenas de investidores internacionais, cujas carteiras somavam mais de 500 mil milhões de euros em participações desportivas. Agora, com a EXPOFUT, aproximámos o futebol profissional do tecido empresarial: mais de 65 empresas, mais de 120 reuniões e 1.900 participantes, em dois dias no Arena Liga Portugal.

Quando uma atividade movimenta esta escala de investimento, emprego e receita fiscal, o seu enquadramento público não pode ficar limitado a uma única perspetiva. O futebol profissional pertence à esfera do Desporto quanto à organização, integridade e política desportiva. Mas a sua natureza empresarial exige também uma relação próxima com a Economia e, em matérias fiscais e financeiras, com as Finanças.

Estas múltiplas vertentes merecem, por isso, uma discussão séria. Não para sobrepor poderes, mas para mobilizar competências e construir respostas articuladas. É essa a visão da atual Direção Executiva da Liga Portugal, que tem promovido uma interação crescente entre as áreas do Desporto, Economia, Finanças e Administração Interna.

Dessa agenda devem fazer parte a avaliação do enquadramento em IVA, IRC e IRS, bem como a criação de melhores condições para o investimento nas sociedades desportivas, assim como a melhoria da experiência do adepto, incluindo o consumo de bebidas de baixo teor alcoólico.

França oferece uma referência útil. A lei de agosto de 2026 estabeleceu um quadro específico para a organização, gestão e financiamento do desporto profissional, reforçou o controlo financeiro, enquadrou o desenvolvimento económico do setor e intensificou o combate à pirataria. Sem reproduzir modelos, importa compreender o princípio: uma indústria com esta especificidade exige respostas públicas adequadas à sua realidade.

Depois de recuperarmos o sexto lugar no ranking da UEFA, podemos pensar mais acima. Para isso, o futebol profissional necessita de um enquadramento público que integre todas estas dimensões: desportiva, entretenimento, financeira, empresarial e também turística.

A centralização dos direitos audiovisuais reforça essa necessidade. Tal como na Banca, ambição sem arquitetura institucional não passa do papel. O essencial é organizarmo-nos, alinhar competências e compreender a oportunidade que temos diante de nós. Só assim poderemos transformá-la em valor.

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