Estrela olímpica acusado de abuso sexual de 12 esquiadoras menores
Joel Chenal, vice-campeão olímpico de slalom gigante em 2006, está proibido de trabalhar como treinador, de acordo com o Ministério do Desporto francês, que confirmou que foi apresentada uma queixa contra o antigo esquiador de 51 anos.
A autarca de Saboya, Vanina Nicoli, emitiu uma «ordem de urgência» para proibir que Joel Chenal continue a exercer a profissão de instrutor de esqui que exercia até hoje no seu centro de treinos, o Silver Ski Team, localizado no resort de La Rosière. A proibição administrativa significa que ele não pode usar a sua carteira profissional de instrutor, obrigatória em qualquer clube.
Lourdement accusé, il n'a plus le droit d'exercer son métier d'entraineur
— Infos Sports - Ski Biathlon (@Sports_Infos_) July 31, 2025
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Médaillé olympique en ski alpin, Joel Chenal a été révoqué par la Préfète de la Savoie qui lui a retiré sa carte professionnelle.
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Na semana passada, a Federação Francesa de Esqui (FFS), para a qual Chenal trabalhou como treinador entre 2013 a 2017, já tinha anunciado a suspensão provisória imediata, depois de novas acusações reveladas pelo jornal francês Le Monde e da denúncia confirmada pelo Ministério Público de Albertville.
Quantas vezes recebi mensagens dele com imagens ereção me pedindo para ir vê-lo, prometendo-me uma mesada, enquanto assistia pornografia?
Accusé de harcèlement sexuel par plusieurs jeunes femmes, Joël Chenal, vice-champion olympique de géant en 2006, est interdit d'exercer comme entraîneur
— L'Équipe (@lequipe) July 31, 2025
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O escândalo tornou-se público depois de uma investigação do jornal Le Monde, na qual o ex-esquiador foi implicado por sete supostas vítimas. Na semana depois, o jornal revelou que foi contactado por mais cinco jovens que acusavam Chenal de assédio sexual, incluindo aquela que apresentou uma queixa na segunda-feira por agressão. Todas as mulheres que testemunharam eram menores de idade na altura dos acontecimentos..
«Ele era um Deus vivo no resort. Quando, no inverno de 2012, ele entrou em contato comigo, a menina de La Rosière que se sentia desconfortável consigo mesma, fiquei lisonjeada, senti-me única. Não vi mal nenhum no contacto, nem na diferença de 27 anos. Mas depois percebi. Percebi que não era a única, que ele tinha feito isso com outras raparigas e que tinha conseguido fazê-lo porque tinha sido protegido por muitas pessoas durante todos estes anos. Que em La Rosière e no mundo do esqui, toda a gente sabia o que se passava.»
🗞 Visé par une plainte pour agression sexuelle, Joël Chenal ne peut plus exercer comme entraîneur.https://t.co/OIWG5GFExQ
— RMC Sport (@RMCsport) July 31, 2025
O depoimento é de Solène C., que na altura dos factos tinha 12 anos. Solène teve a sorte de se ter esquecido do telemóvel em cima da mesa da sala e a mãe viu as conversas. «Teria acabado na casa dele», admite.
«Ele usou uma linguagem abreviada, como mensagens de texto, ofereceu-me um chocolate quente na casa dele, disse que ia ver-me esquiar para me ensinar, pediu-me para jogar ‘Ousadia ou não?’, e disse-me ‘Tenho medo de fazer perguntas ousadas...’», recorda sobre a troca de mensagem com Chebal descrito por toda a gente como «um ótimo treinador, simpático e discreto».
Durante mais de 10 anos, aparentemente, terá mantido essa descrição, embora há quem garanta que há muito existiam rumores em relação ao antigo atleta, agora com 51 anos.
Enquanto a maioria das estrelas do esqui alpino francês não ousa manifestar-se, por medo de perder o emprego ou um futuro emprego, Adrien Duvillard, por sua vez, acusa Joel Chenal.
O antigo elemento da equipa francesa de esqui nas décadas de 1980 e 1990, descobriu que sua filha, menor de idade em 2016, tinha recebido fotos nuas de Chenal.
Révélations chocs dans le monde du ski... ⚠️ 👉 https://t.co/y2rcSTrkF7 pic.twitter.com/9TZEtJf43s
— Pleine Vie (@pleine_vie) July 23, 2025
«Havia rumores, mas agora... Estamos a falar de meninas!», contou indignado ao Le Monde. «Isto acontece há anos, consecutivamente, e com total impunidade. É indefensável. As vítimas precisam de saber que as apoiamos. Mas, com os Jogos Olimpícos de 2030 nos Alpes, muitas pessoas não querem falar.»
Contatado pelo Le Monde, Joel Chenal não respondeu às acusações. Até hoje continuava a trabalhar como treinador na sua escola, criada em 2022 em La Rosière, na Saboia, onde o estádio de slalom tem o seu nome, em homenagem à medalha de prata que conquistou nos Jogos Olímpicos de Turim.
Dois dos casos começaram quando as meninas tinham 11 anos.
«Quantas vezes recebi mensagens dele com imagens ereção me pedindo para ir vê-lo, prometendo-me uma mesada, enquanto assistia pornografia?", confidencia Aurélie (nome fictício), agora com 23 anos, que foi assediada regularmente dos 11 aos 18 anos, até 2019.
«Um dia, quando eu estava no ensino médio, ele estava a levar-me a casa e foi calado a viagem toda porque recusei falar com ele sobre sexo. Estava com tanto medo que fiquei ali, colada à porta, com as pernas apertadas durante o caminho todo, com medo que ele reagisse furioso. Quando cheguei em casa, contei tudo à minha mãe e implore-lhe que não apresentasse queixa. Tinha medo de ser considerada uma mentirosa», relata.
Entre 2005 e 2021, o modus operandi do ex-esquiador era sempre o mesmo: apresentava-se como treinador para garantir a aproximação progressiva até chegar às trocas sexuais. De acordo com o Le Monde pelo menos 12 mulheres, todas menores, acusam Chenal de assédio e tentativas de abuso sexual, aproveitando-se do estatuto de estrela olímpica, mas muitos acreditam que isto é apenas a ponta do iceberg.