Vitória de Guimarães-SC Braga: dérbi dos dérbis faz de Leiria a capital do Minho
O futebol português vive, hoje, um dia absolutamente único: pela primeira vez na história, Vitória de Guimarães e SC Braga disputam a final de uma competição.
A partir das 20 horas, será escrita uma nova página no desporto-rei luso. O Estádio Dr. Magalhães Pessoa, com o imponente Castelo de Leiria como espectador privilegiado, é o palco do embate entre dois dos maiores clubes portugueses e eternos rivais minhotos.
De Braga e de Guimarães a Leiria distam cerca de 250 quilómetros. No entanto, e tendo em conta a dimensão do desafio, não há estrada que possa separar as apaixonadas massas associativas de conquistadores e guerreiros de um jogo que será eternamente recordado. Ganhe quem ganhar. No livro de honra nacional ficará, para sempre, o dia 10 de janeiro de 2026. Data do dérbi dos dérbis. Podia até falar-se de outros confrontos de monta em Portugal, a envolver emblemas com grande proximidade geográfica, mas um Vitória de Guimarães-SC Braga ou um SC Braga-Vitória de Guimarães será sempre incomparável. Assim dita a magnitude dos dois contendores. E a força e paixão dos seus adeptos.
E desengane-se quem pense que pode haver algum pendor de favoritismo para esta partida. Uma final é sempre uma final e os momentos das duas formações facilmente são absorvidos pela envolvência do momento. Estamos a falar de um troféu. De um título. Vai ser até à última gota de suor...
Mas ainda que o palmarés dos dois clubes não entre em campo, deve, ainda assim, merecer uma nota de registo. Afinal, os museus servem para isso mesmo, entenda-se, para serem preenchidos com o espólio que for alcançado.
E neste particular, o SC Braga está à frente do Vitória. Excluindo os títulos regionais — particular em que os dois emblemas têm um passado bastante preenchido —, podemos olhar para as conquistas de monta. Os troféus nacionais e internacionais ganhos por arsenalistas e vitorianos.
O SC Braga brilhou além-fronteiras ao erguer a Taça Intertoto (2008), mas dentro de portas tem já um currículo bastante meritório: Taça de Portugal (1955/1956, 2015/2016 e 2020/2021), Allianz Cup (2012/2013, 2019/2020 e 2023/2024), II Divisão (1946/1947 e 1963/1964) e Taça Federação Portuguesa de Futebol (1976/1977).
O Vitória de Guimarães, por seu turno, apresenta um leque de troféus mais reduzido, mas que também é muito digno da inegável magnitude da formação da Cidade-Berço: Supertaça Cândido de Oliveira (1988) e Taça de Portugal (2012/2013).
Não deixa de ser curioso que em 2012/2013 tenha havido motivo de festa para... ambos. Nessa época, a celebração em Braga deveu-se à vitória na Allianz Cup, ao passo que em Guimarães os foguetes foram lançados por ocasião da primeira (e única, até ao momento) Taça de Portugal com o selo do Rei.
A história é a história e jamais alguém a ousará apagar. Mas há mais páginas a serem escritas. Uma delas, já hoje. Ainda que só um destes dois gigantes possa escrevê-la a letras douradas. As canetas estão prontas, a tinta está fresquinha. A vermelho ou a preto, a presente edição da Taça da Liga passará a ter a inscrição de SC Braga ou Vitória de Guimarães. Têm a palavra os artistas. Em 90 minutos ou através do desempate por pontapé de penáltis, tudo se decidirá no anfiteatro leiriense.
Quando o relógio estiver perto das 22 horas — ou alguns minutos depois, caso o dérbi tenha a sua resolução da marca dos 11 metros —, haverá uma explosão de alegria que ninguém, por esta altura, conseguirá prever. Porque quando chegar o momento do festejo, seja ele bracarense ou vimaranense, serão sempre e apenas os corações dos respetivos adeptos a ditar leis. A emoção será a rodos e Leiria já fervilha. Devidamente engalanada.
O Estádio Dr. Magalhães Pessoa, onde A BOLA esteve, claro, por ocasião das duas meias-finais — Sporting-Vitória de Guimarães (1-2) e Benfica-SC Braga (1-3), terça e quarta-feira, respetivamente — está devidamente preparado para este dérbi e Leiria é hoje a capital do Minho. Todos os caminhos vão dar às margens do Rio Lis.
Futebol: sempre e só futebol
Luzes, câmara, ação. Estão acesos os holofotes da fama. E o que podia ser melhor do que um Vitória de Guimarães-SC Braga? Tantos outros duelos, poderá defender o estimado leitor. Não colocando em causa as opções, reservamo-nos ao direito de colocar este dérbi no topo da pirâmide do futebol português. Quanto mais não seja, e permitam-nos a ousadia, no dia de hoje. Porque este sábado, 10 de janeiro de 2026, tem tudo para ser absolutamente extraordinário. Único. Sem precedentes. Inolvidável. Imperdível. Épico.
Frente a frente estarão dois eternos rivais. Dois clubes centenários — o Vitória fundado a 22 de setembro de 1922, o SC Braga a 19 de janeiro de 1921 — e dignos de pontificarem sempre na elite nacional. Porque tudo aquilo que construíram em mais de um século de existência, bem como a incomparável dimensão dos seus adeptos não deixam margem para dúvidas: guerreiros e conquistadores fazem parte da nata em Portugal. Sobre isto, acreditamos, não restam quaisquer dúvidas.
E porque falar de futebol é falar de paixão, e porque falar de paixão é falar de adeptos, então, e se fosse necessário, reforçamos a grandeza de vimaranenses e bracarenses. É gigantesca. É infindável. De Guimarães a Leiria, assim como de Braga a Leiria é... um saltinho. E que não fosse. O Minho, hoje, muda-se para o Centro. É ali, na tal cidade que, diz-se, não existe, tudo vai acontecer. Afinal, Leiria existe mesmo... e o Magalhães Pessoa já tem lotação esgotada.
As artérias da referida capital de distrito vão estar pintadas de vermelho e preto. As vozes dos aficionados dos dois clubes estarão, apostamos todas as fichas, mais afinadas do que nunca. Os símbolos de ambos os emblemas estarão (como sempre) colados ao peito, as bandeiras e os cachecóis serão colocados ao vento leiriense. A festa está prometida para durante todo o dia e o epicentro das emoções reservado para o tapete verde do Dr. Magalhães Pessoa.
Que as paixões possam ser vividas e que, no final deste autêntico duelo de titãs, possa ser glorificado o vencedor e honrado o vencido. Porque é só futebol. Que os adeptos vivam este dia histórico com a proporção da magnitude dos clubes. Só assim faz sentido.
Multidões 'engoliram' autocarros no arranque da estrada do sonho
Guimarães e Braga pararam, ontem à tarde, nos momentos em que as comitivas de vitorianos e guerreiros iniciaram a marcha rumo a Leiria.
Se na bagagem de ambos os autocarros já estava devidamente acondicionado o inatacável desejo de conquista da presente edição da Allianz Cup, os adeptos dos dois clubes fizeram questão de dar uma força ainda maior.
Pensemos na expressão uma fé que move montanhas e percebemos facilmente que as multidões que engoliram (literalmente) as viaturas oficiais de Vitória de Guimarães e SC Braga não quiseram deixar nada ao acaso. As cerca de duas centenas e meia de quilómetros que ali estavam a começar seriam percorridas com os cânticos de incentivo como pano de fundo. Por toda a auto-estrada, ainda que em sentido figurado, logicamente, foi percorrida ao som dos gritos de Vitória, allez, Vitória allez, aconteça o que acontecer, somos Vitória até morrer, ou de Força, mágico Braga, dá o gosto à tua gente, ver-te lá na frente.
Os jogadores e respetivas estruturas puderam testemunhar, a cerca de um dia e meio do embate, que do fundo da alma de vitorianos e bracarenses sairá sempre um eco que possa ajudar a empurrar a bola para a baliza contrária. Porque se há clubes que podem gabar-se de ter uma massa associativa presente, ativa e crítica, seja em que circunstância for, o Vitória e o SC Braga são dois deles. Onde houver preto e vermelho, haverá sempre um conquistador e um guerreiro.
O futebol gera tudo isto. E não é sequer preciso que tenhamos finais com outros emblemas que habitualmente marcam presença nas decisões. A competição até poderia potenciar outros ilustres convidados (...), mas o grande palco está reservado para os dois eternos rivais do Minho. Que carimbaram os passaportes com distinção. Role a bola!