«Estou ao lado de jogadores que só via na TV»
Pedro Tonicher, guarda-redes da Seleção Nacional de andebol, teve estreia de sonho no Europeu, frente à tetracampeã mundial Dinamarca, e, em conversa com A BOLA antes de Portugal defrontar a Alemanha, esta quinta-feira à tarde (14h30), na 1.ª jornada da 2.ª fase, recorda o percurso trilhado, a influência familiar, a formação no Sporting e Benfica e o «irmão mais velho» Gustavo Capdeville.
— Depois de sofrer por fora, qual a sensação de fazer parte deste grupo da Seleção Nacional?
— Bastante bom. Os meus companheiros foram muito acolhedores, confiam em mim e é bastante positivo e satisfatório estar agora ao lado de jogadores que antes só via na TV, e ajudar Portugal a conseguir objetivos.
— Estreou-se a 8 de maio de 2025 por Portugal e em menos de um ano já está neste patamar. Esperava este trajeto?
— São poucos os casos em que acontece, sou um afortunado por chegar a este nível em tão pouco tempo.
— Aos 22 anos foi nomeado para melhor guarda-redes e jogador revelação da liga espanhola. Não é um mau indicador.
— A época correu bastante bem a nível individual e a nível coletivo. A pouco e pouco é trabalhar para conseguir uma regularidade positiva e ir ganhando aqui o meu espaço.
— Há dois anos estava no Vitória de Setúbal. Mudou muito? Esperava este crescimento tão rápido?
— A liga espanhola é bastante competitiva, temos de estar no máximo em todos os jogos, temos de treinar a 100 por cento, há muita competitividade, trouxe mais experiência. O guarda-redes que mostrei ser em Espanha também tem a ver com o que fiz no Vitória.
— Joga desde os seis anos e faz parte de uma família com história na modalidade — pai, Marco Tonicher, jogou no Benfica e no Sporting, e a mãe, Sofia Tonicher, foi guarda-redes do Benfica e da Seleção Nacional. Era inevitável seguir este caminho?
— Comecei a jogar muito por influência dos meus pais, ela guarda-redes, ele ponta direita. O gosto e a paixão vêm bastante daí.
— Qual a importância e os desafios de ter pais com passado na modalidade? Dão muitos conselhos?
— Tenho bastante apoio, como foram jogadores, são mais entendidos na matéria, tentam ajudar um bocadinho, também me dizem se acham que podem ajudar, estão lá sempre.
— Fez formação no Sporting e no Benfica. Que recordações guarda desses tempos?
— Foram clubes bastante importantes, tive um acompanhamento bastante bom ao nível do trabalho individual, foram os dois bastante importantes na minha evolução, sem eles não seria possível estar aqui hoje.
— Partilha passado com Gabriel Cavalcanti no Benfica e no Vitória de Setúbal.
— É um grande amigo, conhecemo-nos há bastantes anos, é muito bom partilhar estas experiências com ele.
— E qual a importância de ter Capdeville como companheiro de setor? É como um irmão mais velho?
— Sim, sem dúvida. É bastante importante para mim, tive o prazer de trabalhar com ele no Benfica, ajudou-me bastante e continua a ajudar. Espero que ele também possa aprender comigo o pouco que eu possa ter para ajudar.
— Algum ensinamento que tenha ficado na memória?
— Sempre me disse para confiar em mim e para continuar a trabalhar porque o futuro iria ser risonho e é verdade. É bom partilhar momentos com ele.