Estónia nega vistos a russos e perde organização do Europeu de esgrima
A Estónia recusou conceder vistos a esgrimistas russos e bielorrussos, o que levou a Federação Internacional de Esgrima (FIE) a retirar-lhes os direitos de organização. A FIE exigiu uma confirmação por escrito de que todos os atletas poderiam atravessar as fronteiras, independentemente da nacionalidade ou patente militar. Os estónios opuseram-se veementemente a esta condição.
Estonia just lost the right to host the 2026 European Fencing Championships after refusing to guarantee visas for Russian and Belarusian athletes.
— Euromaidan Press (@EuromaidanPress) January 23, 2026
The International Fencing Federation demanded written confirmation that all competitors could cross the border regardless of… pic.twitter.com/maBykrUFlO
O confronto entre esta pequena nação báltica e as organizações internacionais do desporto reflete um conflito mais amplo. Os países europeus, que sentiram na pele a agressão russa, recusam normalizar as relações com Moscovo, enquanto as federações desportivas procuram reintegrar os atletas russos.
«O nosso governo tem uma posição clara. Não serão emitidos vistos a atletas de estados agressores. Aplica-se uma tolerância zero e não serão concedidas exceções», afirmou Raido Mitt, subsecretário-geral para o Desporto na Estónia, à ERR.
Estonia loses 2026 European Fencing Championships over Russian athlete ban, Delfi reports.
— UNITED24 Media (@United24media) January 23, 2026
The International Fencing Federation (FIE) has relocated the tournament from Tallinn to Antony, France, after Estonian officials maintained a "zero tolerance" policy toward athletes from… pic.twitter.com/xw2qaJOsWg
A Estónia tinha conquistado o direito de acolher o Campeonato da Europa de 2026 no congresso da Confederação Europeia de Esgrima (EFC), em Budapeste, no ano passado. Tallinn superou Erevan por 24 votos contra 18. A decisão fazia sentido, uma vez que a equipa feminina estónia de espada conquistou o ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021, com Katrina Lehis a garantir um bronze individual.
A Federação Ucraniana de Esgrima tinha ameaçado com ações legais, salientando que alguns atletas russos admitidos possuem patentes militares e apoiando a decisão da Estónia. Agora, a ucraniana Olga Kharlan foi uma das primeiras a criticar a decisão internacional afirmando que esta política poderia destruir o estatuto olímpico da esgrima como desporto tradicional.
Kharlan é hexacampeã mundial e bicampeã olímpica de sabre. Em 2023, foi desqualificada do Campeonato Mundial em Milão após recusar apertar a mão da sua adversária russa, Anna Smirnova, depois de um combate que a ucraniana venceu por 15-7.
A atiradora, 32 anos, foi a primeira a enfrentar um adversário russo ou bielorrusso desde a invasão, mas recusou o tradicional aperto de mão a Smirnova no fim do combate e, em vez disso, ofereceu-lhe o seu sabre como símbolo da agressão russa na Ucrânia.
O gesto gerou um protesto de Smirnova, que ficou sentada por 45 minutos. A atleta russa, que competia com bandeira neutra, permaneceu de pé na pista após a primeira fase da competição antes de receber uma cadeira enquanto continuava o seu protesto, que acabou por ser ignorado, após 45 minutos.