A festa do St. Gallen diante dos encarnados
A festa do St. Gallen diante dos encarnados

Este Benfica possível não tem uma missão impossível (crónica)

Quem, por imprudência, achou que o St. Gallen ia ser ‘bar aberto’ para os encarnados, teve de meter travão às quatro rodas. Porque os suíços não são assim tão maus e, nesta fase, a equipa de Marco Silva não é, sequer, boa, embora tenha condições para, daqui a um mês ou dois, vir a sê-lo. Na próxima quinta-feira, na Luz, há uma ‘final’ para o Benfica europeu…

O Benfica perdeu, num jogo oficial da UEFA, na Suíça, com o St. Gallen. Não é currículo, é cadastro, porque entre os dois clubes, atendendo à história e ao futebol, qualquer semelhança só pode ser pura coincidência. Mas perdeu. E nem pode dizer-se que tenha perdido mal. O empate, ao intervalo, era lisonjeiro para a turma da Luz, e, embora o segundo tempo tenha sido mais equilibrado, a equipa de Marco Silva pagou o preço de não ser fiável no jogo aéreo defensivo. O que aconteceu no 2-1, com Barrenechea, podia ter sucedido antes, em três ou quatro situações, com outros protagonistas. Correndo o risco de ser redutor, até porque Lenglet mostrou presença e competência, faltou a voz de comando do ‘xerife’ Nico Otamendi.

Mas antes de falarmos do Benfica, vamos ao St. Gallen: Enrico Maassen colocou a equipa a jogar num 3x5x2, que se transformava em 4x3x3 com um posicionamento mais central de Stevanovic; durante a primeira parte, enquanto a pilha durou, os helvéticos fizeram pressão alta, no segundo tempo, cada vez mais debilitados, recuaram e limitaram-se a uma ’zona’ que deu aos encarnados maior controlo sobre o jogo. Do ponto de vista da sofisticação, o jogo dos suíços foi básico, mas não deixou de ser eficaz, qual relógio que tão bem produzem. Atacaram o Benfica nas suas maiores fragilidades, a saída de bola desde o guarda-redes e o jogo aéreo defensivo, e vão a Lisboa com um golo de vantagem (além de que, aconteça o que acontecer, poderem dizer que ganharam ao Benfica, sem terem de fazer o papel do Étoile Carouge).

E o Benfica? Valerá a pena falar das limitações, tão evidentes que são, numa fase em que ainda há jogadores por integrar, outros por contratar, e outros, ainda, em gozo de merecidas férias? Não creio. Nesta fase da época o pragmatismo é quem mais ordena, Marco Silva teve estes ‘guerreiros’ para levar para a batalha, daqui a uma semana terá uns quantos mais, mas a única coisa importante é que consiga aceder à fase seguinte.

Se o fizer, uma esponja apagará tudo o resto, caso contrário, ficará uma mancha na história dos encarnados na UEFA. Mas o que fez o novo treinador dos encarnados para enfrentar este adversário? Mostrou o modelo que prefere, o 4x2x3x1, que preencheu de forma previsível na baliza e na defesa, socorreu-se de Manu e Miguel Figueiredo ( como expectável a fazer um jogo positivo, mas mesmo assim de mais a menos) no duplo-pivot, e apoiou o excelente Pavlidis com Rafa, Sudakov e Kaminski.

Destes, há que dizer, como Trapattoni há uns anos afirmou de Simão «ainda bem que temos Rafa», entender que Kaminski ainda é um peixe fora de água, quanto ao enquadramento, embora tenha momentos interessantes, e desesperar com Sudakov, que tanto perde a bola mais fácil em zona proibida, como a seguir faz um passe genial, para, logo de imediato, se esquecer onde está e permitir uma ataque rápido ao adversários, seguindo-se uma meia-distância que só é detida por uma intervenção excepcional do ‘keeper’ contrário. Pode o Benfica acreditar no ucraniano, capaz do melhor e do pior? Essa é uma das grandes questões a que Marco Silva deverá dar resposta.

UM JOGO ASSIMÉTRICO

O primeiro quarto de hora, na Suíça, foi um susto para o Benfica. A equipa não conseguia ter bola, os helvéticos, com processos simples, não só impediam que os encarnados explanassem o seu futebol, como ganhavam, sistematicamente, as segunda bolas - pese embora a generosidade de Pavlidis, que se mostrava para fazer aquilo que competia a Sudakov, sempre escondido na altura dos passes verticais dos defesas ou médios - e sentia-se que a baliza de Trubin, mal defendida no jogo aéreo, estava em perigo permanente. Os segundos quinze minutos foram de maior equilíbrio territorial, até porque o St. Gallen não aguentava o ritmo que estava a impor, mas foi no último terço da primeira parte que a turma helvética, no minuto 37, teve duas ocasiões soberanas: a primeira foi escandalosamente falhada por Witzig, a segunda, após uma perda de bola indesculpável de Bah, acabou no golo de Baldé. Injusto? Não. Mas iria valer ao Benfica que, depois de um enorme Trubin ter evitado o 2-0 (42), a lucidez de Pavlidis e Rafa ‘inventassem’ um lisonjeiro 1-1.

DERROTA EVITÁVEL

O segundo tempo do Benfica foi melhor do que o primeiro. Mais bola, mais critério, substituições apropriadas, que mantiveram a equipa da casa em sentido, a páginas tantas dando até a ideia de estar contente com o empate. Porém, como Zigi evitou um golaço de Sudakov e Tiago Gouveia não foi preciso na finalização, a equipa da Luz acabou por colocar-se, já depois de ter trocado Miguel Figueiredo por Barrenechea, a jeito para se dar mal com uma bola parada, que acabou por fazer felizes os helvéticos.

Marco Silva, com as mudanças introduzidas, fez o que pôde, mas vai ter de correr atrás do prejuízo daqui a uma semana. Foi um bom Benfica? Não. Podia ser melhor? Talvez não. Deverá ser melhor se quiser continuar na Liga Europa? Inevitavelmente. Na quinta-feira, na Luz, haverá ‘outro’ Benfica para defrontar o St. Gallen. E a partir de agora, à medida que o plantel se for normalizando, as diferenças serão cada vez maiores. Mas a eliminatória com o St. Gallen deverá ser superada com o que há, e não com o que haverá. Esse é o desafio imediato…

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