Gul e Devenish (Foto: LIGA PORTUGAL)
Gul e Devenish (Foto: LIGA PORTUGAL)

Este Aves não é o velho Aves e este FC Porto foi o velho FC Porto (crónica)

Campeão nacional sofre segunda derrota na prova e fica impossibilitado de chegar ao recorde dos 91 pontos. Último marca três golos na Liga aos dragões pela primeira vez desde o 4-1 do Benfica no Dragão, na época passada

Primeiro contra último, campeão nacional contra já condenado à descida de divisão. Antevia-se, pois, um combate desigual. A não ser que o Aves SAD fosse o Aves SAD das últimas quatro jornadas (seis pontos, com empate em Alvalade e vitória em casa do Nacional) e já não o Aves SAD das primeiras 28 jornadas (11 pontos). E este Aves, ver-se-ia ao longo dos 90 minutos, já não é o velho Aves, aquele que se arrastou durante semanas a fio...

E que FC Porto veríamos? O FC Porto campeão incontestável que queria muito somar mais três pontos para continuar a sonhar com os 91, ou um FC Porto adormecido pela conquista do título e a guarda de honra dos jogadores avenses? Apareceu o FC Porto dormente e adormecido, quase gémeo do FC Porto de Anselmi, que tanto desencantou os portistas...

Farioli trocou oito: Cláudio Ramos por Diogo Costa, Thiago Silva por Bednarek, Prpic por Kiwior, Francisco Moura por Zaidu, Alan Varela por Rosario, Fofana por Froholdt, Mora por Gabri Veiga e Borja Sainz por Pietuszewski. Oito mexidas parecia demasiado, mas o italiano sempre se mostrara craque nas rotações.

O jogo começou como se 11 de um lado e 11 do outro estivessem em frente a um tabuleiro de xadrez. Muita circulação de bola, quase toda até bem feita, mas quase zero sobressaltos junto aos dois guarda-redes. Só aos 20 minutos, num remate à meia-volta de Rodrigo Mora junto à pequena área, os corações de ambos os lados aumentaram os batimentos.

E quase de seguida, inesperadamente, até por ter sido na sequência de um pontapé de canto — momento em que o FC Porto se mostrou muito forte ao longo da época —, o Aves SAD chegou ao golo, com Roni Moura a rematar de pé esquerdo, à entrada da área, com Cláudio Ramos impotente para evitar o 1-0. Estávamos no minuto 23 e, até ao intervalo, excluindo três momentos em que Akinsola (29’), Fofana (36’) e Borja Sainz (45+1’) andaram relativamente perto de criar perigo, tudo foi desoladoramente monótono.

Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e, por isso, a monotonia continuou bem presente (lesionado, Mateus Pivô saiu para entrar Tiago Galletto, aos 48’). Até que, aos 53’, na sequência de um livre, a bola sobrou na esquerda para Borja Sainz, que picou a bola sobre Adriel Ramos. E, antes de entrar na baliza, Deniz Gül confirmou, de cabeça, o golo.

Era, supunha-se, o fim da resistência do último contra o primeiro. Engano puro. Logo a seguir, aos 58’, momento altíssimo nas Aves: golaço de Roni, bisando com um pontapé do meio da rua.

Farioli não esperou mais: William Gomes por Borja Sainz e Froholdt por Fofana (59’). Deniz Gül, de novo de cabeça, ainda proporcionou uma grande defesa a Adriel Ramos (63’), mas Farioli voltou a mexer: Pietuszewski por Pepê e o jovem Tiago Silva por Alan Varela.

Este FC Porto, com William Gomes, Froholdt e Pietuszewski, já se aproximava bastante do FC Porto demolidor que encantara os adeptos. E, pouco a pouco, o Aves SAD começou a perder oxigénio, sem conseguir sair do seu meio-campo. William marca aos 74’, mas Gül estava fora de jogo no momento do passe. Tal como, logo de seguida, estava Tiago Galletto, quando colocou a bola no fundo da baliza de Cláudio Ramos.

Porém, o verdadeiramente impensável ainda não tinha acontecido. Bola lançada para a zona da marca de penálti da área do FC Porto, Cláudio Ramos e Thiago Silva avaliam mal o percurso da bola e Aderllan Santos, entrado quatro minutos antes, faz o 3-1 de cabeça, aos 80’. A última equipa a marcar mais de dois golos aos dragões em jogos da Liga fora o Benfica, na jornada 28 da época passada: 4-1 no Dragão.

Assim, com estes três pontos no bolso, o Aves SAD impediu o FC Porto de Farioli de igualar os 91 pontos do FC Porto de Sérgio Conceição (2021/2022) e do FC Porto de Bobby Robson (1994/1995, atribuindo 3 pontos a cada vitória).

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