Escândalo: demissão em massa na Malásia após naturalização polémica de jogadores
Todos os membros do comité executivo da Federação de Futebol da Malásia (FAM) apresentaram a sua demissão esta quarta-feira, na sequência de um escândalo relacionado com a naturalização de sete jogadores nascidos no estrangeiro. A decisão, unânime e voluntária, surge com efeito imediato e visa proteger a credibilidade da instituição.
O caso remonta a setembro do ano passado, quando a FIFA multou a federação em cerca de 376 mil euros e suspendeu por um ano sete futebolistas, após concluir que foram utilizados documentos falsificados para apoiar os seus processos de naturalização. Os jogadores em causa são Facundo Garcés, Rodrigo Holgado, Imanol Machuca (Argentina), João Figueiredo (Brasil), Gabriel Palmero, Jon Irazabal (Espanha) e Héctor Hevel (Países Baixos).
Estes atletas chegaram a representar a seleção da Malásia, nomeadamente num jogo de qualificação para a Taça Asiática de 2027, no qual a equipa venceu o Vietname por 4-0. Os dirigentes da FAM sempre defenderam que os jogadores eram elegíveis ao abrigo das regras da FIFA, alegando que cada um possuía um avô ou avó nascido na Malásia.
No entanto, a FIFA refutou esta versão, afirmando que os seus investigadores obtiveram documentos originais dos países de origem dos jogadores que contradiziam as alegações da federação malaia.
Em comunicado, a FAM explicou que a demissão em massa, ocorrida apenas 11 meses após a eleição para o mandato de 2025-2029, demonstra que o serviço ao futebol do país prevalece sobre a manutenção dos cargos. A medida pretende salvaguardar a reputação da federação e mitigar consequências mais graves para o futebol malaio.
«O comité executivo reconhece a importância da responsabilidade coletiva e a necessidade de agir de uma forma que proteja a integridade e a reputação da associação», pode ler-se na nota oficial.
A federação acrescentou que esta decisão permitirá que a FIFA e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) revejam a governação e os procedimentos administrativos da FAM, garantindo que as reformas necessárias possam ser implementadas sem distrações ou conflitos de interesse. O objetivo é restaurar a confiança entre adeptos, parceiros e a comunidade do futebol em geral.
Apesar da demissão, a liderança cessante comprometeu-se a cooperar totalmente com a FIFA e a AFC. Para já, não foi anunciado um prazo para a nomeação de uma liderança interina ou para a realização de novas eleições. O presidente interino da FAM, Mohamad Yusoff Mahadi, informou a imprensa local que o secretário-geral, Noor Azman Rahman, continuará a supervisionar as operações diárias do organismo até à convocação de um congresso para eleger um novo comité executivo.
Recorde-se que, após a FIFA ter rejeitado o recurso da FAM, a federação levou o caso ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), na Suíça. Na terça-feira, a FAM anunciou que o TAD suspendeu temporariamente a sanção imposta aos jogadores, permitindo-lhes competir enquanto o recurso é analisado, não havendo ainda data para uma decisão final.