Entre muito azar e alguns erros
DEPOIS da Supertaça ganha brilhantemente pelo Benfica contra um Porto de recorrente mau-perder, chegou a longa maratona do campeonato. Desolador começo para o meu Benfica, que até jogou bem e merecia vencer. Mesmo com 10 jogadores, mostrou atitude e capacidade. Acontece que funcionou a lei de Murphy entre azares, barras e ineficácia. Nos 55 minutos que se seguiram à expulsão de Musa, sofreu 3 golos, ou seja 15% (!) do total de 20 golos sofridos em toda a época transacta. Todos com o rótulo de erros evitáveis. O primeiro, num livre em que havia na área do Benfica 7 encarnados e 2 boavisteiros, sendo que foi precipitada a retirada de Di Maria e a entrada de Morato antes da marcação do tal livre. No segundo, veio ao de cima uma das pechas de Vlachodimos, hesitante em circunstâncias decisivas. No terceiro, a edição repetida do golo do Chaves no fim do anterior campeonato. Todos lá à frente, como se estivessem a perder, num postura amadorística não consentânea com a clarividência necessária. Evidentemente que um jogo (o primeiro) não faz um campeonato, tal como uma andorinha não faz a Primavera. Mas, por um ponto (empate) se pode ganhar ou perder uma competição.
«Há que tirar ilações deste desaire [no Bessa] e estou certo de que isso vai acontecer»
Há que tirar ilações deste desaire e estou certo de que tal vai acontecer. Não discuto as opções de R. Schmidt, porque tenho a consciência de que se as opções tomadas tivessem resultado numa vitória (como acontecia até aos 90 minutos) já as opiniões seriam bem diferentes, sempre em função de uma lógica inapelavelmente resultadista. Em todo o caso, há aspectos que me preocupam neste dealbar da época. O principal deles é a ausência do futebol que Grimaldo proporcionava (e do que gerava no colectivo). Jurásek e Ristic são apenas razoáveis atletas. Embora consciente da imposição de um mercado brutalmente assimétrico, que impede os clubes de salvaguardar a estabilidade dos seus plantéis, verifico que os custos da aquisição e do ordenado do checo serão porventura iguais ou maiores do que seria a renovação do espanhol. Grimaldo dava exuberância, imprevisibilidade, rapidez, articulação, que, agora, ainda não vimos. Já a substituição de Ramos, “condenado” a sair, não se terá acautelado, em devido tempo, um substituto indiscutível (mas espero estar enganado…). Em suma, o Benfica que iniciou este campeonato é algo inferior ao de 22/23: saíram Grimaldo, Ramos (já não falo sequer em H. Araújo) e … Enzo (Kökçü pode vir a substituí-lo bem, mas até agora…). Reforço, reforço é o inexcedível João Neves e, noutra perspectiva, Di Maria, que, todavia, leva a que o desequilibrador Neres seja tão-só um escasso suplente.
Sérgio Conceição, treinador do FC Porto
FOLHA SECA
(Im)providências cautelares
Vivemos tempos de providências cautelares. Desde as propriamente ditas até a invocadas providências divinas. Pena não haver tais providências para (a)cautelar estados de alma, devaneios, enxurrada de impropérios, e para prevenir personagens de reincidir por tudo e por nada. O seu uso e abuso, bem como de outras manigâncias procedimentais, vêm minando o nosso futebol e descredibizando-o aos olhos do mundo. Com a tendência para ser irreformável, pela natureza endogâmica de serem os próprios clubes a definir as regras.
Os pavlovianos recursos das decisões aplicadas, o apelo a tribunais comuns, o emaranhado da traquitana de órgãos instrutórios ou decisórios, a natureza irrisória e não dissuasora das decisões, as interpretações administrativas de uma patética “jurisprudência” (vide o caso Palhinha dos cartões amarelos), a omissão que beneficia o infractor (como o caso dos minutos de Conceição a recusar sair do banco!), a absolvição mediática ou, ao invés, a condenação definitiva em função das simpatias clubísticas, a indisfarçável diferença entre o tratamento dos grandes clubes e da “arraia miúda”, a dilação decisória que dá aso a especulações sobre a data mais oportuna para um qualquer castigo, são apenas a ponta do iceberg de um sistema caduco, anacrónico e enviesado. Assim não vamos longe. Alargar o mercado dos direitos televisivos centralizados é uma utopia face a esta distopia de práticas bem mais mafiosas que maviosas.
P.S. Deve vir aí mais uma providência cautelar do castigo a Conceição, já de si miseravelmente ridículo. Ou talvez nem seja necessária, já que o treinador vai ao balneário quando muito bem entender…
JOGOS FLORAIS
‘À condição’, Gil é campeão – Volto ao à condição (em bom português, deveria ser sob condição), essa expressão truncada por não se dizer qual a condição. Nós próprios, desde que nascemos, vivemos à condição (de não estarmos mortos). Com a cabazada na 1ª jornada, temos o primeiro campeão à condição: o Gil Vicente!
Otamendi ergue a Supertaça
FAVAS CONTADAS
Títulos e troféus – Com a Supertaça, dizia-se que estava em jogo mais um título. Mas qual? Campeão de quê? É que título, título, só há um: campeão nacional. O resto são os troféus-taças com a sua clara hierarquia: 1º) Taça de Portugal; 2º) Taça da Liga (entretanto tontamente reclamada como “campeão de Inverno”); 3º Supertaça. E somar tudo como igual é como somar batatas com feijões.
FOTOSSÍNTESE
FOTO-PERGUNTAS. Por que razão, na já de si desinteressante Volta a Portugal em bicicleta, abundam dorsais amarelos no meio do camisola amarela, o que nos provoca daltonismo forçado? Por que razão as mini bolas no hóquei em patins são negras e não têm uma cor fluorescente, para que as possamos ver nas transmissões televisivas, assim diminuindo a miopia dos telespectadores? Por que razão o vermelho das camisolas do basquetebol do Benfica é diferente do que é no futebol e outras modalidades, apresentando-se com um vermelho tinto garrafão?