Pedro Proença entrega o troféu da Supertaça a Diogo Costa, em Coimbra - Foto: FPF
Pedro Proença entrega o troféu da Supertaça a Diogo Costa, em Coimbra - Foto: FPF

Andamos a brincar ao futebol em Portugal

Um jogo em risco pela greve dos árbitros teve lugar num relvado no ponto para plantação de batatas e, afinal, foi o alter ego de Pedro Proença a provocar o caos: bem-vindos a 2026/27

A lesão de Jan Bednarek, tão-só uma das peças fundamentais do campeão nacional e que vai representar o país na Liga dos Campeões, não será, ao que parece, tão grave assim, apesar de, como se sabe, os joelhos obrigarem sempre a cuidados redobrados. O problema físico do polaco poderia ser só um osso do ofício dos futebolistas, não tivesse sido causado por um relvado que julgava não ser possível ver na disputa de um título em Portugal em pleno 2026. Mais: o Estádio Cidade de Coimbra será a casa da Académica no regresso às ligas profissionais! Nem o velho truque de pintar a areia de verde disfarçou um terreno digno para plantar batatas.

Pelo menos já ficámos a saber que, como organizadora do jogo, a Federação Portuguesa de Futebol abriu uma investigação para apuramento de responsabilidades junto da Federação Portuguesa de Futebol. Ninguém sabe ao certo no que é que esse expediente resultará a não ser o FC Porto, que, tudo indica, se verá privado de Bednarek no arranque da Liga.

O relvado, diga-se, teria sido um mal menor, não tivesse ficado a Supertaça marcada pelo contexto de uma crise institucional que não foi criada pelos áudios divulgados de Pedro Proença, eles apenas foram a janela para entrar e falar do elefante na sala. Tem motivos o cidadão Pedro Proença para estar preocupado com a qualidade da arbitragem, ao nível da do relvado, no futebol português. E teve anteontem, com vista privilegiada da tribuna para a grande área do FC Porto, mais um ficheiro para juntar ao dossiê, numa daquelas grandes penalidades tão evidentes que nem deviam passar aos árbitros de campo, quanto mais aos que estão sentados no VAR.

De um ex-árbitro e que foi dos melhores que Portugal já teve, os árbitros esperariam outra proteção, mas quando a versão do cidadão Pedro Proença é tão díspar da do presidente da Federação Pedro Proença, algo de muito sério está em causa. Os anos vão passando e, mais do que resolver problemas que entram pelos olhos adentro, os responsáveis preocupam-se em enterrar a cabeça na areia ou, não escondendo que existem, apontam o dedo a A, B e C, mas a culpa nunca é deles. É sempre esse o caminho mais fácil.

No meio de todo este triste espetáculo com que a cortina da temporada se levantou, releve-se o Torreense, que, na primeira parte, chegou a deixar dúvidas sobre qual era a equipa grande em campo. A formação de Luís Tralhão é de autor e há no clube oestino um trabalho de scouting que deveria servir de lição a muito boa gente do escalão acima.

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