Lateral direito está de saída do Valência, aponta ao Veneza e fala do presente, do passado, do futuro e do 'seu' Sporting

«Durante a lesão a minha mãe mandava-me fotos de quando era pequeno e dizia-me que não podia desistir»

Thierry Correia está de saída de Valência, onde viveu um autêntico calvário de paragem por uma rotura do ligamento do joelho esquerdo que o afastou dos relvados durante longuíssimos onze meses

— Porque decidiu sair do Valência?

— Penso que a minha etapa terminou. Depois de seis temporadas em que sofri muito, mas em que também tive muitas alegrias, porque o clube é incrível. As pessoas que trabalham no clube são excelentes. Mas senti que preciso de algo novo para a minha carreira.

— E tem algum objetivo em termos de campeonato? Serie A de Itália, ou LaLiga, de Espanha? 

— Gostava de continuar em Espanha, mas também desejo experimentar novos desafios, novas ligas e também para para experienciar algo diferente.

— Fala-se com muita insistência no Veneza. O campeonato italiano, com equipas muito compactas e linhas curtas pode ser benéfico às suas características? 

—  Sim, acompanho,  por vezes, o campeonato italiano por causa do meu amigo Rafael Leão e é uma liga que me parece interessante. É muito tática e fisicamente exigente também. Eles também são muito fortes e acho que seria uma boa boa liga para experimentar. 

— Em termos de carreira, quais são os objetivos mais para o futuro imediato?

— Gostava de ter de entrar num clube onde me sinta uma peça importante na equipa, na qual possa voltar a desfrutar de jogar futebol; em que eu me volte a sentir outra vez confiante, isto depois da lesão grave que sofri. Ainda não voltei ao ritmo que espero de mim e julgo que isso é que é importante para depois pensar algo mais à frente.

— A lesão acabou por deixar uma marca demasiado sublinhada na passagem pelo Valência?

— São coisas que acontecem no futebol, infelizmente. A lesão do ligamento ultimamente, tem sido muito recorrente. E foi. Foram onze meses duros porque tive que lutar muito para tentar voltar a jogar futebol, porque tive vários percalços durante a minha recuperação, mas senti que foram mais onze meses de aprendizagem do que do que outra coisa.

Thierry Correia fez 135 jogos pelo Valência, marcou dois golos e efetuou seis assistências

— Alguma vez pensou em desistir? Entregar as armas? 

— Não, mas houve uma altura que tinha um feeling que não ia poder voltar a jogar ao mais alto nível porque tinha bastantes dores no joelho. Estava a ter muita dificuldade na recuperação. Foram momentos complicados, mas sempre que me olhava ao espelho sabia que tinha força interior suficiente  para superar esta adversidade.

— Nessa altura prevaleceu a ideia daquele miúdo que de pequenino começou a jogar à bola nas ruas da Amadora e que aos dez anos começou a sua carreira futebolística?

— Claro, porque muitas vezes quem me mandava mensagens de apoio ou de ânimo era a minha mãe. Enviava-me as fotos que tinha de eu em pequeno e dizia: ‘não te esqueças do que trabalhaste para chegar onde estás e não desistas.Agora não podes parar… 

— Segundo li, nos últimos tempos tratou-se à margem do departamento médico do Valência. Já não confiava neles?

— Não, confio e confiava muito no departamento médico do Valência. Só que  sentia que precisava de recuperar o mais rápido possível. Então procurei uma ajuda extra para poder estar disponível para os últimos jogos.

— Depois de anos de muito fulgor do Valência, em que chegou a jogar na Champions. O clube entrou numa certa decadência desportiva. A que se deveu isso?

—  Depois da minha primeira época em que não conseguimos entrar na Europa… na altura acho que foi por um ou dois pontos; ficámos atrás do do Granada. Sinto que houve problemas financeiros na na estrutura do clube e houve um motivo de não voltar a investir na equipa. Perdemos jogadores muito importantes e depois até conseguirmos equilibrar não foi fácil. São estes os anos que estamos a viver. Tivemos alguns problemas…

— O ambiente, os adeptos e a equipa não é o melhor?

— Não, o ambiente entre os adeptos e a equipa é sempre fenomenal, porque em todos os jogos temos sempre 45 mil pessoas no estádio, seja a uma sexta-feira ou a uma segunda…O ambiente entre os adeptos e a Direção é que não o mais favorável.

— Há alguma forma  de restabelecer essa relação entre os adeptos e o corpo diretivo?

— Sinceramente, não sei porque acho que tinha de haver um acordo entre ambas as partes e não sei se se algum dia chegarão a esse ponto.

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