David Sullivan, ex-coproprietário do West Ham
David Sullivan, ex-coproprietário do West Ham - Foto: IMAGO

Dono do West Ham foi proibido de contactar equipas feminina e de formação

David Sullivan demitiu-se no passado sábado e, dias depois, foi acusado de assédio sexual por várias mulheres. FA abriu uma investigação sobre a sua conduta em 2023

David Sullivan, coproprietário do West Ham, está proibido de contactar as equipas feminina e de formação do clube há três anos devido a preocupações com a salvaguarda dos atletas. A medida foi imposta em 2023, após a Federação Inglesa de Futebol (FA) ter aberto uma investigação sobre a conduta do então copresidente do clube.

Segundo a BBC, a decisão foi tomada por um grupo de salvaguarda composto pelo clube, pela FA e pelas autoridades locais, que impediu Sullivan de ter acesso às equipas jovens e femininas dos hammers. As restrições, que também o impedem de assistir aos jogos destas equipas, mantêm-se até hoje.

Numa declaração recente, Sullivan afirmou ter negociado um acordo temporário com a FA para não se encontrar individualmente com jogadoras da academia ou da equipa feminina até que uma queixa anónima histórica fosse resolvida. O empresário nega todas as acusações de má conduta e descreve o acordo como uma «restrição sem sentido», que aceitou «para ter uma vida tranquila», argumentando que nunca se encontrou a sós com qualquer atleta das referidas equipas nos seus 16 anos no clube.

Sullivan, que se demitiu dos cargos de copresidente e diretor no passado sábado, continua a ser o maior acionista do clube. A sua demissão ocorreu antes de uma investigação da BBC e do Times, na qual várias mulheres acusaram o empresário de abuso de poder e de as assediar sexualmente. As alegações remontam a décadas, quando Sullivan construiu a sua fortuna na indústria pornográfica, jornais e futebol.

O empresário de 77 anos negou as acusações, afirmando que se quer focar em combater o que chamou de «alegações factualmente incorretas e inteiramente falsas de décadas sobre a minha vida pessoal». Na sua declaração de demissão, referiu que «após uma vida a construir negócios na indústria adulta, na qual conheci milhares de mulheres, é infelizmente inevitável que um pequeno número de alegações de conduta imprópria seja feito contra mim».

A investigação jornalística revelou ainda que oito mulheres apresentaram queixa à polícia sobre a conduta de Sullivan, embora nenhum dos casos tenha resultado em acusações formais. A Polícia Metropolitana de Londres garantiu que leva estas alegações «extremamente a sério». Tanto o West Ham como a FA afirmaram possuir medidas de salvaguarda robustas, mas recusaram-se a comentar casos individuais, citando a prática padrão da indústria.

O caso já gerou reações políticas. A Secretária da Cultura, Lisa Nandy, descreveu as revelações como «absolutamente horríveis» e exigiu uma «explicação completa e urgente da FA e do West Ham sobre como estas alegações incrivelmente sérias foram tratadas». Por sua vez, o porta-voz do Primeiro-Ministro, Sir Keir Starmer, classificou os relatos das mulheres como «angustiantes».

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